EntreQuadros indicada ao Troféu HQ Mix

O dia começou hoje com uma ótima notícia: a EntreQuadros foi indicada ao Troféu HQMix de publicação independente de autor!


Ilustração de Gabriel Machado

Estou concorrendo com meu xará Mario Cau e sua Pieces, com o Daniel Esteves e sua Nanquim Descartável a qual tive a honra de desenhar um dos capítulos, o Leandro Robles e seu divertido Macaco Albino, além da Duo do Pablo Casado e Felipe Cunha, Patre Primordium da Ana Recalde e Fred Hildebrand e o Solar do Wellington Srbek. Parabéns a todos, pessoal!

O Troféu HQ Mix é o principal prêmio de quadrinhos no Brasil. Para conferir os indicados às outras categorias acesse o blog da premiação: http://trofeu-hqmix.blogspot.com/

A Virgem Oferecida

Charge para o Jornalistas & Cia

No início dos anos 1970 Bebeto de Souza Queiroz chefiava o Departamento de Jornalismo da Faap, um grupo de feras, Rodolfo Konder e Duque Estrada, entre elas, enquanto o Centro Acadëmico era dirigido por Hamilton Octavio de Souza, o HOS.

Um dia, Hamilton precisou discutir uns assuntos e procurou Queiroz na redação do Estadão e marcaram um fondue na casa de Queiroz. Augusto Nunes ouviu a combinação e, brincando, disse que caipira de Taquaritinga, como ele, não conhecia “esse tal de fondue” e acabou convidado também.

Eis que então uma também aluna da Faap se autoconvidou e apareceu por lá em. Desinibida, afirmou que era uma das poucas virgens da classe, já era tempo de iniciar a vida sexual e estava indecisa se o “premiado” seria Hamilton ou Augusto, por isso fora ao jantar.

A menina era linda, mas apenas isso, e, como dizia Vinicius, “uma mulher não pode ser só linda, e daí? Tem que ter alguma coisa além da beleza…” – e ela não tinha, nem tinha também “semancol”.

Sem rodeios, explicou diante das filhas pequenas de Queiroz, de olhos arregalados, por que queria ser deflorada, estragou o jantar falando apenas naquilo e, na sobremesa, revelou que a escolha estava feita. O felizardo seria o Augusto Nunes que, a bem da verdade, não estava interessado, como não estava também o Hamilton.

A noite se prolongou, Hamilton foi embora, a conversa murchou e às duas da matina Augusto, bem sem jeito, disse que ia embora, e saiu desenxabido com o “prêmio” pelo braço, dizendo que ia pegar um táxi (ele tinha um “carro comunitário” comprado com quatro colegas, mas aquele não era o dia de ficar com a máquina, estava a pé).

O resultado é que na madrugada invernosa de Pinheiros, quase ao lado do rio, onde Queiroz morava, havia uma neblina de cortar com faca, nenhum táxi e, com pena, pegou seu carro e foi resgatar o casal improvisado, ainda a pé, longe. Deixou primeiro a menina na casa dos pais, no Pacaembu, para alívio do Augusto, que levou depois ao apartamento dele.

Foi há 40 anos o fondue e, num acordo tácito, nunca mais ninguém tocou no constrangedor assunto. Não se sabe quem “fez as honras” da menina que, a bem da verdade, apesar de linda, seguramente não teve muitos pretendentes.

Lançamento da EntreQuadros no Rio de Janeiro

Caros,

É com imenso prazer que lhes convido para o lançamento da EntreQuadros – A Walk on the Wild Side na cidade do Rio de Janeiro, no dia 31 de maio, na Blooks Livraria ( Praia de Botafogo, 316), a partir das 19h.

A edição tem duas HQs: Wake Up, adaptação de um texto de Nick Farewell, autor do romance GO, e A Walk on the Wild Side, que dá nome ao livro e é inspirada em um conto de Pedro Cirne, jornalista daFolha de S. Paulo e do UOL.

Wake Up já chegou a ser publicada (em inglês) no site da editora norte-americana TopShelf, a mesma de excelentes autores como Alan Moore (Watchmen, Lost Girls), Alex Robinson (Fracasso de público), Eddie Campbell (Do inferno), Craig Thompson (Retalhos), Rich Koslowski (Três dedos) entre tantos outros. Já A Walk on The Wild Side estreia aqui, em grande estilo.

EntreQuadros – A Walk on the Wild Side tem 36 páginas coloridas no formato 14×21cm e ao preço sugerido de R$ 8,00. A Balão Editorial estreou recentemente com o livro Hector & Afonso – Os Passarinhos, de Estevão Ribeiro, parceiro de longa data, idealizador e roteirista do projeto Pequenos Heróis o qual, além de ilustrar uma das HQs, estou co-editando. EntreQuadros – A Walk on the Wild Side é o segundo título da editora.

O motorista atrapalhado

Charge para o Jornalistas & Cia

José Patrício, repórter fotográfico hoje no Estadão, mas na época no Diário, uma vez pegou o motorista de madrugada, depois de um plantão mais que estafante na extinta Febem, e pediu para tocar para sua casa, em Bonsucesso, bairro de Guarulhos, cidade da Grande São Paulo. Disse para onde ia e “caiu nos braços de Morfeu”, adormecendo na sequência. Acordou, algum tempo depois, com o motorista perguntando “se ele tinha dinheiro para o pedágio”.

Ainda atordoado de sono, Patrício, perguntou: “Mas, que pedágio?”. Para sua surpresa, o motorista fez cara de “olha que absurdo que esse cará tá falando” e respondeu que estava viajando para o Rio de Janeiro, para o bairro de Bonsucesso, que fica na periferia da Cidade Maravilhosa e precisava pagar o pedágio em Santa Isabel, já bem adiante de Guarulhos, na Dutra, sentido Rio. E ainda lamentou, em tom choroso: “Puxa vida, eu nunca viajo… Pensei que, finalmente, alguém tinha me deixado viajar”.

A história que mais contavam do motorista foi que ele, uma vez, demorou mais de cinco horas para ir do centro da cidade até o bairro de Cidade Tiradentes, na zona leste, realmente distante, mas não tanto assim. Por isso, ficava difícil para que seus chefes o deixassem viajar. Era certeza de confusão.

Mas voltando à tal “viagem” para o Rio, Patrício teve que pagar o pedágio e retornar, muitos quilômetros adiante, para Guarulhos. Se o motorista tivesse o dinheiro, ele pagaria o pedágio e seguiria em direção ao Rio. Cansado, o experiente fotógrafo ia acordar em algum trecho entre a periferia do Rio e o Leblon, sem passar por Bonsucesso.

A piada que circulou na Redação foi: Patrício ia acordar, olhar para o belo panorama da Baía da Guanabara e estranhar: “Nossa, aquele morrão lá na frente parece o Pão de Açúcar!”. Cinco minutos depois, ia dizer algo mais ou menos assim: “Não só parece, como é o Pão de Açúcar. Tem até o bondinho…”. Ia estranhar um pouco e pensar: “Rapaz, o Paschoal Thomeu (então prefeito de Guarulhos) não é fácil mesmo, conseguiu até trazer o Pão de Açúcar pra Guarulhos!”.

A ‘mola de caminhão’ de ‘Antenor de Castro’

Charge para o Jornalistas & Cia

Moacir Japiassu, o Considerado, idealizador do Jornal da Imprença e do histriônico Janistraquis, à época (ano 2000) dirigia a Revista Jornal dos Jornais, que se aproximava de seu segundo ano de vida. Ele convidou Eduardo Ribeiro, pela Mega Brasil Comunicação, para organizar a festa do que seria um novo projeto associado à publicação: o Prêmio Claudio Abramo de Jornalismo.

Amigo e admirador do artista plástico e também jornalista Amílcar de Castro, Japi o convidou para desenhar o troféu do prêmio, o que por si só, por ser Amílcar quem era, já elevaria sobremaneira a relevância do projeto, que, de resto, teve vários patrocinadores importantes.

Amílcar (falecido em 2002) relutou, pois tinha muitas atividades à época, mas acabou cedendo aos apelos de Japi e aceitou a empreitada. A pedido do Considerado, que queria que o troféu simbolizasse uma dupla homenagem (a Claudio Abramo e ao próprio artista, um dos idealizadores da revolucionária reforma gráfica do JB, em 1958), Amílcar, num daqueles lances de genialidade que só os grandes artistas têm, bolou um troféu com as iniciais C e A, que, lidas ao contrário, ficavam A e C. Ou seja, estava ali representada, como queria Japi, a dupla homenagem – C e A de Claudio Abramo e A e C de Amílcar de Castro.

A festa de entrega do prêmio seria – como de fato foi – de gala, com autoridades, empresários e jornalistas saindo pelo ladrão nos salões do Renaissance, em São Paulo, praticamente às vésperas do Natal do ano 2000. O dia era 15 de dezembro. Inesquecível. Japi conseguiu levar para se apresentar na festa o Coral da LVB, que cantou inicialmente o Hino Nacional e depois fechou a festa com uma apresentação emocionante. No meio, entre uma etapa e outra, ainda houve a apresentação do conjunto Nosso Choro, que tinha como atração principal Luís Nassif. O mestre de cerimônias era Chico Pinheiro, da Globo.

Cuidadoso, Japi fez uma rigorosa revisão no texto produzido por Paulo Vieira Lima, à época sócio da Mega Brasil e responsável por parte do cerimonial do evento. Entre as correções que fez, de próprio punho, uma foi o nome de Amílcar, que havia sido digitado erradamente. Paulo recebeu os originais corrigidos, conferiu as mudanças produzidas por Japi e promoveu as alterações necessárias em novo texto, mas, no calor dos acontecimentos, na hora de entregar o roteiro para Chico Pinheiro pôs nas mãos dele a pasta que continha o texto anterior, sem as correções. A tragédia se anunciava.

Alguns dias antes da festa, tínhamos recebido da Editora Jornal dos Jornais a informação de que a escultura estava pronta e precisava ser retirada na fundição que a produzira. Como a empresa ficava na Zona Leste de São Paulo, próxima da residência de Paulo, pedimos a ele que passasse por lá e a trouxesse no dia seguinte. Não sabíamos que a peça era um tanto avantajada, nem que pesava cerca de cinco quilos e muito menos que Paulo a traria de Metrô… em horário de pico! Para completar, fazia um calor infernal na cidade de São Paulo, daqueles de rachar taquara, como se diz no interior.

Paulo chegou bufando, com a camisa encharcada pelo suor que brotava por todos os poros de seu corpanzil de mais de 100 kg. E, com uma irritação explícita, atirou no chão aquela peça fundida e pesada, mesmo sabendo ser uma obra de arte do consagrado Amílcar de Castro, o que fez estremecer o escritório e nossos corações. Não sem antes praguejar: “Vocês são fdp mesmo. É muita sacanagem me fazer carregar de Metrô esse troféu que mais parece uma mola de caminhão! Quase fui linchado. Me senti um estivador carregando ferro debaixo de um sol africano!!“.

Foi uma gargalhada geral, não obviamente pela peça, que tinha de fato a mão do gênio e que, apesar do “tombo”, nada sofreu, por ser muito resistente e também por estar bem embalada, mas pela cena surreal que se desenhara: uma peça de Amílcar de Castro transportada de Metrô pelo sócio-diretor da Mega Brasil e apelidada de “mola de caminhão” – tudo em função da raiva que ele passou por aceitar missão, digamos assim, tão delicada.

Até hoje Paulo nega com veemência que tenha sido vingança, mas o fato de entregar o roteiro errado a Chico Pinheiro foi muita coincidência!!

Mas é claro que a história não acaba aqui.

Na noite de entrega do prêmio, já a postos, auditório lotado, Chico Pinheiro abre os trabalhos, faz os comentários iniciais e segue à risca a programação, até chegar o grande momento, a entrega prêmio. Aí emenda: “O vencedor do Grande Prêmio, além do cheque, vai levar para casa um troféu de valor inestimável, uma obra de arte de um dos mais consagrados artistas plásticos contemporâneos do Brasil. O nosso celebradíssimo ‘Antenor de Castro’”.

Ouviram-se palmas estridentes por todo o auditório, menos no metro quadrado onde, até então lépido e sorridente, estava Moacir Japiassu, que a partir daquele instante, ao ver trocado o nome de Amílcar por Antenor, em plena solenidade, após ter ele próprio revisado o texto e corrigido o erro, ficou furioso.

Sem se dar conta do que havia ocorrido – porque organizador de eventos não consegue respirar e muito menos atinar para certas ocorrências – e ao ver o sucesso que fora toda a premiação, com presenças ilustres, Eduardo dirigiu-se imediatamente a Japi para com ele dividir os “louros da vitória”.

Cercado de amigos que foram parabenizá-lo pela bela festa e pela oportunidade de homenagear o grande Claudio Abramo, ao ver Eduardo pediu licença para seus convidados, levou-o para um canto e o passou uma descompostura fenomenal, pela tal troca de nomes. O detalhe é que, embora fosse o responsável pela atuação da Mega Brasil na festa, Eduardo sequer sabia daquele “pormaior”. Foi pior que jogar um balde de água fria. Todo o brilho e o glamour daquela bela festa ruíram aos olhos de Japi (e também aos meus, a partir daquele instante), por conta da lamentável escorregada.

Chico Pinheiro, que também não reparou no erro, até hoje não deve saber do acontecido.

Os comunas capitalistas

Charge para o Jornalistas & Cia

Luiz Francisco Alves Senne trabalhava no pool de revisão da Abril, que era ligado aos gráficos, no prédio da Marginal do Tietê. Todas as publicações da editora eram revisadas cumprindo o chamado horário industrial, em três turnos: uma equipe trabalhava das 6 da manhã às 14h, a outra das 14h às 22h e a terceira das 22h às 6h do dia seguinte.

Luiz estava na área editorial da Abril desde junho de 1975 e naquele período fazia o turno das 6 da matina às 14 horas. O Departamento de Revisão, que ficava numa sala em frente ao banco, havia sido dividido e uma parte da equipe foi trabalhar na área da Reprodução, dentro da gráfica, por causa das semanais Veja, Placar e Exame. Na seção havia um colega, Benjamin Sérgio Gonçalves, que era mais antigo e exercia a função de secretário gráfico. Entre suas tarefas estava a de fazer o texto caber no diagrama.

O caso em pauta se deu no Dia do Gráfico – 7 de fevereiro –, efeméride que sempre era celebrada pelo diretor geral da Gráfica, Plácido Loriggio, com uma mensagem especial para a equipe, enviada por Circular Interna, também conhecida por CI.Pois nesse dia recebemos a CI no setor de Revisão.

O Benjamin, num momento de descontração, pegou o papel e escreveu, brincando, que preferia receber a parte dele em dinheiro. Ele só não contava que exatamente naquele dia, na troca de turno, a equipe da tarde, que entrava às 14h, fosse atrasar, e que esse atraso quase lhe custaria o emprego, embora ele nenhuma responsabilidade tivesse sobre aquela equipe e muito menos sobre a chegada fora de horário. É que a tal CI ficou na mesa do supervisor de turno, esquecida, como a chamar desgraça. Não deu outra. Apareceu por lá, no vazio da transição, ninguém menos do que o diretor geral.

Aqui faz-se necessário um parêntesis: Loriggio vivia de marcação com o Departamento de Textos, que incluía Digitação, Revisão e Past-up, porque eram vistos como comunas, por conta da formação superior que quase todos tinham.

Loriggio entrou na sala vazia e viu a CI, que ele assinara, rabiscada com a frase “prefiro minha parte em dinheiro”: O homem ficou alucinado e imediatamente rumou para a outra sala de Revisão, onde ficava o supervisor da área, Miguel Facchini, cobrando uma atitude vigorosa por conta do acontecido. Mas o Miguel era gente finíssima e sabe-se lá como conseguiu dobrar o diretor. Deve ter gasto muita saliva para que ninguém perdesse o emprego. E conseguiu, para felicidade geral.

Virada Cultural & Rainha Branca

Neste final de semana acontece a Virada Cultural na cidade de São Paulo. Entre os diversos eventos da programação terá uma feira de quadrinhos independentes na Praça Roosevelt e eu estarei lá presente vendendo e autografando a EntreQuadros. Compareçam lá!

Dia dos Independentes na Virada Cultural em São Paulo
Praça Roosevelt – Centro
De sábado dia 15/5 às 15h até domingo dia 16/5 às 18h.

Abaixo segue uma pintura em guache que fiz da Rainha Branca do filme Alice no País das Maravilhas de Tim Burton. Quem já viu o filme sabe que a personagem é uma engraçadíssima rainha das poses e das caras, então… Strike a pose!
 

Rainha Vermelha

Pintura em guache da Rainha Vermelha do Alice no País das Maravilhas encarnada brilhantemente pela Helena Bonham Carter no filme do Tim Burton.undefined

Lançamento EntreQuadros em São Paulo

O lançamento da EntreQuadros – A Walk on the Wild Side foi um sucesso!Apesar da chuva forte que resolveu cair na sexta-feira depois de uma semana bastante quente e ensolarada, autografei um tantão de exemplares.Muito obrigado a Dani e ao Gualberto por cederem novamente o espaço da Livraria, ao parceiros da Balão Editorial e a todos os que comparecem.Seguem abaixo algumas fotos do evento: