Imprensa Marrom

Charge para o Jornalistas & Cia

História dessa semana é de Marco Antonio Rossi.

“Em mil novecentos e…. Bem, é melhor não entrar no detalhe do ano… Mas, num certo ponto da minha carreira de repórter, ainda no início dela, havia eu deixado redação do jornal O Dia, de São Paulo, para cumprir um breve período no badalado Jornal da Tarde, do Grupo Estado. Breve porque minha missão era a de cobrir as férias de um repórter da editoria de Economia, à época comandada por Luís Nassif.

Uau, que responsa! De uma hora para outra deixei a humilde redação da avenida Liberdade para ascender ao oitavo andar do edifício do Grupo Estado, junto da Ponte do Limão, resvalando em figurões como Ruy Mesquita, Fernando Mitre, meu quase homônimo Marco Antonio Rocha, Percival de Souza, o deslumbrado Leão Lobo e o meu chefe por um mês, Luís Nassif, à época considerado o “garoto revelação” do jornalismo de Economia.

Trabalhar naquele JT, creio, seria o mesmo que trabalhar num Google nos dias de hoje: gente pra lá de inteligente, criativa, ousada e jovem no jeito, nos trajes e nos sonhos. Respirava-se uma atmosfera modernista, era quase o estado d’arte. Tanto era assim que o pessoal do Estadão, mais sisudo e autista, olhava para a turma do JT com ar de distanciamento interplanetário, como se a gente fosse coisa do outro mundo. Mas, no fundo, nos respeitava.

Pois bem, lá estava eu, nos meus primeiros dias de Jornal da Tarde, obviamente louco para mostrar serviço e revelar todo o meu talento, uma verdadeira pedra preciosa, pronta para ser descoberta e lapidada. Como estreante no jornal, e ainda por cima forasteiro, as pautas a mim passadas eram, digamos, menos impactantes. Numa certa manhã, fui um dos primeiros a chegar á redação (o expediente começava por volta das 11h para os reles mortais) e Nassif já estava lá, envolto nas apurações do escândalo de plantão: o caso da Corretora Tieppo, que na época vinha sendo apurado por Silvio Vieira, uma espécie de Sherlock Holmes do JT, especializado em jornalismo investigativo. Para quem não se lembra do Caso Tieppo, esse foi o primeiro grande escândalo financeiro do Brasil, o nosso primeiro grande crime do colarinho branco. À época, a corretora presidida por José Mario Tieppo captava recursos de grandes investidores paulistas, nomes intocáveis e da mais ilibada reputação, para aplicar no mercado internacional, apesar de isso ser ilegal. O assunto fervilhava na redação e em toda a imprensa.

Cheguei à redação, sentei à mesa em frente à de Nassif, que me olhou e disse: “Marco, requisita um carro e dá um pulo no DOPS. Procura o dr. Gaia e veja o que ele pode dizer sobre o Caso Tieppo”. A frase caiu como uma bomba sobre mim. “Não brinca”, pensei, “estou num grande caso”. Nem abri o jornal do dia, peguei minhas coisas e disparei para o Setor de Transporte. E foi ali que comecei a me meter numa grande fria! No auge do entusiasmo, nem li a matéria publicada sobre o Caso Tieppo. E lá fui eu para o DOPS, na mais reluzente cor laranja!

O tal de dr. Gaia era o temido – ou “respeitado” – dr. Clayde Gaia da Costa, delegado da Polícia Federal, lotado no DOPS – Departamento de Ordem Política e Social do Estado de São Paulo. Sobre a instituição, pairava um ar um tanto sinistro e acusações de prisões arbitrárias e de torturas. Mas não era só na reputação que o DOPS assustava. Suas instalações, com largos corredores e teto alto, móveis pesados e olhares desconfiados, chegava a dar calafrios. E, de repente, lá estava eu, o laranjão do JT, pronto para entrevistar o dr. Gaia, do DOPS.

Fui recebido por uma secretária movida a pilha, que pediu que eu aguardasse sentado num grande banco de madeira escura, com cabeças de sei lá o que entalhadas nos braços de apoio. Enquanto o tempo passava, eu pensava nos inúmeros casos de prisões arbitrárias e desaparecimentos que eram relacionados àquele lugar. Finalmente a enorme porta do gabinete se abriu e a secretária, disse em tom sepulcral: “O dr. Gaia vai recebê-lo agora”. E lá fui eu, gabinete adentro.

Atrás da enorme mesa, que aliás parecia fazer par com aquele banco lá de fora, estava o dr. Gaia. Sorriso simpático, mas com aquele ar de autoridade que só nos tempos de DOPS se via. “Por favor, queira se sentar”, disse ele gentilmente. “Então o senhor é jornalista!” perguntou-me com um sorriso entre os lábios. “Sim, dr. Gaia, eu sou, e gostaria de conversar com o senhor sobre o Caso Tieppo, em que pé estão as investigações”, já fui me abrindo. “E de qual veículo o senhor é?”, indagou o delegado, justamente olhando para um exemplar do JT do dia, que estava sobre a sua mesa.

Confesso que, àquela altura, estava até que um pouco à vontade diante da aparente gentileza, a ponto de responder quase que de bate-pronto: “Sou do Jornal da Tarde”, e dei um sorriso. A propósito, só eu sorri, um sorriso que foi se amarelando na medida em que o dr. Gaia desviava os olhos do jornal sobre sua mesa, erguendo-os em minha direção. Mas, que raio de expressão de ódio era aquela? “Então você trabalha nesse pasquim? Você atua nessa imprensa marrom”?

Caramba, o homem virou um bicho! “Eu vou processar aquele antro de mentirosos!”, esbravejava o dr. Gaia, dando tapas na mesa. “Eu vou prender esse tal de Lagartixa!” (Lagartixa era o apelido do Silvio Vieira) E eu lá, com a alma petrificada, naquela altura do campeonato torcendo para que alguém, na redação, lembrasse que eu havia seguido para o DOPS para fazer uma matéria.

Quase que pedindo desculpas por estar lá, me borrando todo, consegui esboçar uma breve pergunta, buscando uma explicação para aquela histeria compulsiva: “Mas eu não estou entendendo, dr. Gaia. O que houve? Qual o problema?”. E o homem ficava cada vez mais vermelho e transtornado, e eu pensava: “Se não for ele a ter um infarto, certamente serei eu!”

Mas ele fez uma pausa, respirou fundo, ajeitou os cabelos que mais pareciam os de um maestro no auge da função, dirigiu-me um olhar pontiagudo e vociferou: “O que houve? Você quer saber o que houve?”. O meu sorriso amarelo voltou. “Então você trabalha nesse jornaleco e não sabe o que houve?”. Pensei com os meus botões: “Pois é, né? Que cagada, não é mesmo?”.

Bem, o que houve foi que, naquele dia, a matéria do JT afirmava que o dr. Gaia havia se encontrado com o José Maria Tieppo numa situação muito suspeita, insinuando algum um envolvimento entre os dois, uma tentativa de se “quebrar o galho” nas investigações do escândalo. O homem estava uma fera e, claro, tinha que sobrar pra mim, que não tinha lido o jornal.

No final das contas, quase uma hora depois de servir de terapeuta para o dr. Gaia, deixei o DOPS e voltei à redação. Ainda não com uma grande reportagem, mas com uma boa história do “dia em que quase caguei no DOPS”. Ainda não seria daquela vez minha tão sonhada manchete de primeira página no JT. Precisei esperar mais um pouco, mas ela veio, e de novo me meti numa fria. Mas essa é uma outra história.”

Quadrinhos na Cultura

No dia 05 de setembro estarei presente no evento Quadrinhos na Cultura, promovido pela Livraria Cultura de Brasília. Segue abaixo o release e a programação completa do evento que vai do dia 03 a 05 de setembro:

Quadrinhos também é coisa de gente grande, pensando nisso a Livraria Cultura oferecerá, nos dias 03, 04 e 05 de setembro, aos leitores e escritores de quadrinhos do distrito federal, 16 horas de atividades. A programação conta com oficinas, palestras, bate-papos e, até mesmo, a construção de uma HQ coletiva, escrita e ilustrada pelos artistas e pelo público presentes no evento.

O evento será aberto, às 19h30 da sexta-feira (03/09), com a palestra “O simbolismo dos super heróis” que busca relações entre os heróis dos quadrinhos e filosofia, mitologia, moral e religião. Às 21h, será oficialmente iniciada uma HQ coletiva, que será criada ao longo do evento pelos artistas e pelo público presente.

No sábado, a programação começa às 14h, e conta, dentre outras atividades, com bate-papo sobre quadrinhos e educação, às 16h e uma sessão de autógrafos coletiva, às 18h, com a presença de destacados quadrinistas da cidade.

Ainda no sábado, às 16h a Livraria convida roteiristas e ilustradores a comparecer para um bate-papo informal, em que possam trocar ideias e experiências e, quem sabe, estabelecer parcerias para a produção de novos trabalhos.

Já o domingo será o dia dos bate-papos, com os temas: bate-papo “ilustrado”, com a presença de destacados ilustradores e cartunistas da cidade, às 15h; “mulheres nos quadrinhos”, às 16h; e “COMIC x WEBCOMIC, internet: heroína ou vilã?”, às 16h30.

Apesar do foco no público adulto, o evento conta também com programação para a criançada. No sábado (04/09), personagens de quadrinhos farão uma maratona de contação de histórias, às 14h; e haverá uma oficina de ilustração de quadrinhos para jovens de 7 a 14 anos, também às 14h. Já no domingo, os pequenos leitores poderão participar de uma divertida oficina em que aprenderão a montar bonequinhos de papel (CubeeCraft) de famosos personagens dos quadrinhos, às 14h30.

O evento conta com a presença confirmada de 16 quadrinistas brasilienses (vide lista de confirmados abaixo).

Data: 03, 04 e 05 de setembro de 2010.
Horário: Vide programação para saber o horário de cada atividade.
Local: Livraria Cultura CasaPark Shopping Center (SGCV Sul, Lote 22 – Guará/DF).
Informações: 3410 4033.

ENTRADA FRANCA

Programação completa disponível em: http://migre.me/17tqY.
Autores com presença confirmada no evento:

Cícero, jornalista ilustrador, com formação técnica em Desenho de Propaganda e 31 anos de experiência, publica diariamente charges e tirinhas no Jornal de Brasília.

Delmo Arguelhes, doutor em história das idéias (UnB – 2008) e professor dos departamentos de História e Relações Internacionais do UniCEUB.

Evandro Vieira, quadrinista, ilustrador e músico. É idealizador do projeto “Quebraqueixo – A Banda Desenhada”, que consiste na publicação de um livro com 15 adaptações das letras da banda Quebraqueixo feitas por diversos quadrinistas.

Fabrício Matos, formado em Artes Plásticas na Universiade de Brasília, com projeto de conclusão de curso sobre Histórias em Quadrinhos na Arte/Educação. Desenvolveu, em parceria com Adriano Carvalho, o fanzine “Dejeto” com criticas bem humoradas sobre o cotidiano dos habitantes do Distrito Federal e da política de Brasília. Desde 2008, leciona desenho e quadrinhos para crianças e adolescentes com produção e criação de personagens na Oficina de Arte – Espaço de Arte e Cultura na 104 norte em Brasília.

Felipe Sobreiro, publicado na Heavy Metal Magazine, antología Popgun (da editora Image Comics), vários números de Cthulhu Tales e Zombie Tales (editora BOOM! Studios), e colorista do webcomic EARTHBUILDERS, do site Zudacomics.com (da editora DC Comics).

Gabriel Góes, brasiliense, Ilustrador e quadrinista. É um dos editores das revistas Samba e Kowalski.

Gabriel Mesquita, brasiliense, desenhista e quadrinista. É um dos editores da revista Samba.

Gomez, quadrinista e ilustrador, contribuiu para publicações como Bongolê Bongoró e Beleléu. Atualmente trabalha para o Correio Braziliense.

Guilherme dos Reis, blogueiro, escreve regularmente para o ficcaohq.blogspot.com/.

Lucas Gehre, artista plástico e quadrinistas. É um dos editores da revista Samba e autor do livro “Amarelo” que recebeu menção honrosa na Feira de quadrinhos do Piauí de 2008.

Mário César, trabalha com histórias em quadrinhos, ilustração e design gráfico. É chargista do informativo Jornalistas & Cia, desde 2006 e publica tiras de humor para o Top Blog da MixMD. Em junho de 2009, publicou a primeira edição da EntreQuadros, obtendo sucesso de público e de crítica, sendo inclusive indicada ao Troféu HQMix na categoria de Melhor Publicação Independente de Autor. Em abril de 2010, lançou uma nova edição de EntreQuadros intitulada, A Walk on the Wild Side.

Maurenilson, trabalha, desde 2001, para o Correio Braziliense como Ilustrador. Ganhou cinco prêmios internacionais concedidos pela The Society for News Design e um premio Esso de criação gráfica por seus trabalhos nas páginas do jornal Correio Braziliense.

Mauro César, artista plástico formado pela UnB com trabalho  de conclusão de curso sobre a importância das histórias em quadrinhos na educação. É Coordenador e Professor da Oficina de quadrinhos de Ceilândia (DF).

Nestablo, carioca radicado em Brasília, iniciou-se nos quadrinhos em 1998 com a publicação independente “Lady Dragão”, em 2001 publicou “Os Carcereiros” pela editora Escala, bem como pinups e quadrinhos do personagem “Eddie” da banda Iron Maden. Desde 2005, trabalha na série em quadrinhos Zona Zen, publicada até 2008 na revista Tablado e agora no blog de mesmo título. Foi indicado ao prêmio HQMIX como roteirista revelação de 2007 pelas tirinhas Zona Zen. Lançou o álbum Zoo pela editora HQM em dezembro de 2009. Apaixonado pela vida animal e contra a violência, fez de tais temas seu objetivo de vida.

Rafael Fernandes. Roteirista de quadrinhos e escritor. Publicou os livros “Dýnamis Érrion” (2000), “Almanaque do Dinâmico Erre” (2004) e “Dýnamis Érrion 2” (2005); e dois números da revista em quadrinhos “Dinâmico R” (2003 e 2009). Escreveu e produziu duas peças de teatro (2001 e 2007) e dois vídeo-clipes (2002 e 2007) com o personagem Dinâmico R. Vencedor da Bolsa Brasília de Produção Literária 1998.

Stêvz é Estevão Vieira, brasiliense, ilustrador e músico.

Verônica Silva de Souza Saiki, quadrinista, designer e artista plástica. Autora de Verdugo, o inacreditável. Atua em projetos de quadrinhos na educação em escolas públicas do DF.

Vivianne Fair (nome verdadeiro Viviane Machado), nasceu no Rio de Janeiro, atualmente mora em Brasília. É autora do livro “Cavaleiros do RPG/ Quem precisa de Heróis” e da trilogia cômica “A caçadora – sorriso de vampiro” e “A caçadora- sussurros das sombras”. Trabalha também com ilustrações, inclusive internacionais, e mora com seu filho, um crítico ferrenho de suas obras, mas que ela ama com toda certeza.

E assim nasceram os cadernos de vestibulares…

Charge para o Jornalistas & Cia

PS: Que nenhum advogado me processe por essa…

O Jornal da Tarde que fez escola e marcou época nos seus primeiros anos de vida, no início da década de 1970, era uma usina de inovações, alimentada por um grupo de excepcionais profissionais. Era uma redação que não tinha medo de ousar, de apresentar novidades, de incorporar ao dia-a-dia dos paulistanos coisas incomuns, sobretudo na prestação de serviços – item até então praticamente desconhecido de jornais e leitores.

Num dia qualquer, o então repórter Celso Kinjô chegou à redação e foi chamado pelo chefe de Reportagem Ulysses Alves de Souza, o Uru, que lhe pediu: “Hoje vai ser divulgada a relação de aprovados no vestibular da Faculdade de Direito São Francisco. Vá até lá e traga essa lista, que vamos publicar no jornal”. Kinjô tentou contestar que aquilo não era uma coisa de grande interesse jornalístico, mas foi vencido pela determinação de Uru em ter a tal lista e lá foi ele para o Largo São Francisco atrás dela. Tinha a vantagem de ser bem perto, já que naquela época o Grupo Estado ficava na rua Major Quedinho, no Centro de São Paulo, a poucas quadras da Faculdade.

Lá chegando, Kinjô procurou a Secretaria da Faculdade para pedir a lista (vale lembrar que naquele tempo não havia computador ou quaisquer dessas facilidades de reprodução que temos hoje). A atendente fez cara de estranhamento, mas disse que somente o secretário tinha autoridade para ceder a lista. Kinjô pediu para falar com ele. Daí a pouco chegou um senhor maginho, quase tão velho quanto as famosas arcadas da faculdade, a quem repetiu a solicitação.

– Não! – declarou o secretário com veemência.

– Posso saber a razão? – perguntou Kinjô.

– Ninguém, fora os próprios candidatos, tiem interesse nessa lista. E eles, como acontece todos os anos, vão passar pela Faculdade para ver a lista afixada no mural a fim de saber se foram ou não aprovados – sentenciou o secretário

Kinjô ainda argumentou com seu interlocutor de que estava ali cumprindo uma determinação do chefe de Reportagem, que não poderia voltar ao jornal de mãos abanando, que aquela era uma iniciativa nova do JT, de prestação de serviços aos seus leitores (muitos deles oriundos da própria Faculdade ou com filhos ali concorrendo a uma vaga), mas o velhinho se manteve irredutivel. A única coisa que conseguiu arrancar dele foi a seguinte frase:

– Se você quer a lista e o seu jornal exige isso de você, vá lá no pátio e copie! Eu não vou dar a você e ao seu jornal lista nenhuma! Não vou me prestar a ser co-responsável por uma coisa inútil!

Sem alternativa, lá foi Kinjô para o pátio, copiar a lista. Copiou um, dois, três, quatro nomes, mas quando chegou ao décimo desistiu. Eram cerca de 500. Nem que ficasse a tarde toda lá conseguiria, além de ter que datilografar tudo novamente quando chegasse ao jornal.

Voltou de mãos vazas, para inconformismo de Uru, que considerou aquela atitude de uma prepotência sem igual. Mas decidiu que, a partir dali, aquele seria de fato um serviço que o jornal prestaria aos seus leitores e à comunidade.

Tempos depois, o JT começou a publicar a relação de aprovados nos principais vestibulares do País, no que logo foi seguido por outros veículos, ganhando, com esse serviço, não só nas vendas avulsas de exemplares mas também publicidade de muitas escolas.

Salão de Humor do Piauí

Foi divulgado hoje o resultado do Salão Internacional de Humor do Piauí, um dos mais importantes e tradicionais salões de humor do Brasil.

Tive a felicidade de ser um dos cartunistas selecionados com o trabalho abaixo, o tema deste ano era trânsito:

O demais selecionados, bem como o vencedor, podem ser conferidos no link abaixo:

http://www.oinfernosaoosoutros.com/2010/08/salao-de-humor-do-piaui-enfim-divulgado.html

Infelizmente, nem tudo são flores. O Salão parece se encontrar em uma situação preocupante por conta do calote de um político que não entregou a verba prometida para a realização do evento como afirma a organização. O texto explicando o caso também está disponível no link acima. Ê Brasil…

A coisa tá russa

Charge para o Jornalistas & Cia

Durante uma viagem que fez para Moscou ao lado de sua esposa, Heródoto Barbeiro, autossuficiente, recusou o guia que ia acompanhá-los pela cidade, pois “ele só vai mostrar os pontos turísticos, e a gente quer conhecer a alma do povo, a Moscou que o turista não vê”.

Diante do temor de Walquiria, sua esposa, de que não conseguissem voltar ao hotel, ele copiou diligentemente o que estava escrito na fachada, naquelas ininteligíveis letras do alfabeto cirílico, e com absoluta segurança guardou o papel no bolso.

O casal passeou livremente por Moscou, curtiu bastante e, na hora de voltar, entrou num táxi. Heródoto disse ao motorista que queria ir para o hotel e, triunfante, entregou o papelucho com as letras cuidadosamente desenhadas.

O motorista não entendeu, olhou o papel, sacudiu a cabeça e desandou a falar em russo, fluentemente – o que, por sinal, em Moscou, não é de espantar.

Montada a confusão, Heródoto irritando-se e apontando com insistência o papel, o motorista optou por deixar o carro com os dois lá dentro e voltou pouco depois, acompanhado de um taxista que falava  inglês. Este finalmente conseguiu explicar ao casal que não havia nome de hotel nenhum no papel, onde Heródoto escrevera em russo a seguinte frase: “O hotel está lotado, não há vagas”.
 

Pappy the Duke

Algumas páginas de uma HQ de western curtinha de oito páginas que acabei de desenhar. O roteiro é de Marcelo Saravá.

O Rei Ubu e o Príncipe

Charge para o Jornalistas & Cia

Em 1993, os brasileiros foram mobilizados para o plebiscito sobre Presidencialismo ou Parlamentarismo. Ao mesmo tempo, o País deveria responder se queria ou não a volta da Monarquia.

O príncipe Dom  Bertrand de Orleans e Bragança, Príncipe Imperial do Brasil, segundo na sucessão ao trono caso a monarquia fosse restaurada, visitava o estúdio da CBN.

Há poucos quilômetros da rádio, havia performance de atores e o diretor de teatro Cacá Rosset, na pele do personagem Pai Ubu, declarava-se rei e concedia a Jacinto Figueira Júnior, o Homem do Sapato Branco, do programa Aqui Agora, o nobre título de Marquês do SBT. Ao final da manifestação,Wagner Sugameli, agitador cultural e integrante do grupo de Cacá queria saber se era possível aos atores um contato com o príncipe. Não viram problemas, porque a proposta era discutir questões culturais com o representante da Casa Real Brasileira.

De repente, instalou-se o caos na redação e uma multidão quebrou a monotonia do ambiente. Cacá Rosset chegou com seu pessoal trazendo nas costas um imenso urubu negro. Uma bandinha tocava na porta da rádio e Sugameli, incorporando um “conde”, anunciava que o Rei Ubu exigia encontrar-se com o futuro rei do Brasil. Dom Bertrand, assustado, pedia, com toda elegância, que eu evitasse aquele constrangimento. Mauro Wu, assessor de imprensa do príncipe, desesperado, ia de um lado ao outro da redação, empunhando um guarda-chuva e gritando.

Wu, descendente de chineses, perdeu a calma oriental e, tomado de fúria, decidiu enfrentar a “corte” do Rei Ubu. Abriu o guarda-chuva para proteger o príncipe, naquele momento assediado pela “comitiva real ubusiana”, e tentou caminhar em direção à saída. O pessoal da segurança agiu rápido e o príncipe conseguiu sair discretamente pelas escadas, enquanto a confusão aumentava.

Enquanto Rei Ubu lamentava o frustrado “encontro diplomático entre dois chefes de Estado”, o furioso Mauro Wu permanecia atracado com o “conde”. O assessor tentava impedir que o “exército” do Rei Ubu acompanhasse os passos do príncipe. O “conde” Sugameli, vendo que não dava mais para ir ao encontro do visitante, começou a protestar contra a arbitrária interferência de Wu e aos berros dizia que o assessor estava abusando dele, um homem noivo, que não poderia ser apalpado. Foi a gota d’agua para que Mauro Wu o espremesse contra uma porta de vidro.

Com Dom  Bertrandd longe do “campo de batalha”, sobraram os “súditos” do Rei Ubu, correndo, agora, rumo à 1ª Delegacia de Polícia, onde registraram um boletim de ocorrência denunciando a “incompreensível” reação de um dos principais assessores do príncipe.

Bola quadrada, pé furado

Charge para o Jornalistas & Cia

 

Na redação do Estadão, no final da década de 1970, o pessoal fazia algumas brincadeiras para ajudar a aliviar o stress do corre-corre dos fechamentos. Um destas brincadeira consistia em pegar uma lista telefônica, embrulha-la com folhas de jornal e transformá-la em’bolas’ de futebol. Quando alguém chegava da rua era então apanhado de surpresa com o grito: “Lá vai bola!!!!”. E tinha que se virar para devolver de primeira ou esquivar-se para evitar a pancada.

Numa certa noite, a brincadeira virou desgraça.

Renato Lombardi chegou da rua com o seu material de polícia e foi discuti-lo com Luiz Carlos Ramos, o “Barriga”. Terminada a conversa, ele caminhou para sua mesa a fim de escrever a matéria. Àquela altura, dois jornaslitas, Chico Ornellas e Julinho Mesquita, já estavam posicionados ao lado do armário, conversando dissimuladamente. Quando “Lomba”, vítima costumeira da dupla, chegou perto, viu o embrulho voar na sua direção. Não teve dúvidas. Recorreu ao sua habilidade como centroavante do time da redação e tratou de devolver o torpedo com uma vigorosa bicuda. Resultado do desastre: seu sapato de camurça atravessou a redação e derrubou tudo que aparecia em sua frente…

Ilha da Trindade

Há algum tempo venho desenvolvendo para a Marinha do Brasil uma hitória em quadrinhos para uma cartilha educativa sobre a Ilha da Trindade e o Arquipélago Martin Vaz. O trabalho se encontra na fase final agora e futuramente será distribuida gratuitamente em escolas para informar a criançada sobre o lugar onde o sol ilumina primeiro o Brasil que também é o maior berçário de tartarugas verdes do mundo, a Amazônia Azul e a construção da Estação Científica ECIT.

Seguem abaixo algumas imagens deste trabalho:

O grande furo

Charge para o Jornalistas & Cia

Em 1979, Marco Rossi trabalhava no jornal O Dia, de São Paulo, um diário criado por Adhemar de Barros nos idos dos anos 50, e que já tivera seus dias de glória. Na época, o jornal mantinha bravamente a sua periodicidade, mas tinha uma redação bem enxuta. Na verdade, eram dois: Rossi – o foca – e o editor Luís Feite Mota, que também trabalhava como repórter-fotográfico na Secretaria dos Transportes do Estado de São Paulo.

O diretor, Augusto de Oliveira, ex-chefe de impressão do jornal de Adhemar de Barros, tinha lá suas ligações com o então recém-eleito (pelo Colégio Eleitoral) governador Paulo Maluf. E foi por conta dessa relação que Rossi acabou escalado para cobrir um Governo Itinerante que tinha como destino a cidade de Presidente Prudente, no Oeste paulista.

Para quem não sabe, a ideia do Governo Itinerante até que era interessante; consistia na transferência do Governo do Estado, com todos os seus secretários, para uma grande cidade do interior e ali, por dois ou três dias, todos os prefeitos da região eram recebidos e despachavam suas demandas diretamente com as autoridades da comitiva. O transporte utilizado à época era o trem e como a imprensa convidada para a cobertura seguia com despesas pagas pelo Governo, o projeto acabou apelidado, pela própria imprensa, de “Trem da Alegria”.

Mas o detalhe desta ida para Presidente Prudente era que o diretor, Augusto de Oliveira, amigo do governador (ora bolas!), seguiria com Rossi. Responsabilidade dobrada.

Em vez de usar bloco e caneta, como a maioria dos seus colegas de jornalismo impresso, Rossi preferiu lançar mão de um gravador! Um espetáculo da tecnologia, mas naquela época nada prático, pois era grande e pesado, apesar de ser chamado de “portátil”. O microfone era ligado ao aparelho por um fio bem curtinho, o que significa dizer que para ter os detalhes dos discursos do governador Maluf Rossi se via diante do dilema de ou prender a mala entre as pernas, segurar o gravador com uma mão e o microfone com a outra, enquanto se equilibrava no meio de uma multidão (sim, porque a cada parada juntava-se uma multidão de pessoas em torno dele), ou largava tudo para trás e se concentrava em manter-se em pé, segurando apenas o gravador e o microfone (aquele de fio curtinho). Em qualquer dos casos era um desafio daqueles para um pobre foca, tanto é que quase nada conseguiu gravar dos pronunciamentos do governador naquelas concorridas e espremidas paradas.

No caminho de volta para São Paulo, Rossi soube, nos bastidores do restaurante do trem, que o governador faria uma última parada, não programada, na cidade de Lins! Ali estava seu primeiro furo de reportagem: ficou sabendo antes de todos daquela parada, quando certamente haveria mais um concorrido discurso. Eele precisava traçar uma estratégia que o colocasse ao lado do governador, quase que pregado nele, e antes de todos os seus colegas que até ali viajavam distraída e confortavelmente no vagão dos jornalistas. Daí veio a ideia: quando o trem começasse a parar na estação, ele desceria na plataforma, com o trem ainda em movimento, e se colocaria diante da porta do último vagão, o do governador. Assim, quando a porta se abrisse, lá estaria Rossi, ao lado do Maluf, pronto para gravar todas as suas palavras além do “meus queridos amigos da cidade de Lins”. Preparei seu tijolinho – vulgo gravador – e quando o trem se aproximava da estação se posicionou ao lado da porta do vagão onde estavam dois seguranças da Fepasa (Ferrovias Paulistas S.A.).

Era um momento de grande tensão, o primeiro furo da vida de Rossi… e foi! Com o trem quase parando, virou para um dos seguranças e perguntou: “E aí? Dá pra descer?”. No que ele respondeu: “Dá sim, mas cuidado para não cair”. Com a assertividade de um repórter investigativo, foi direto e firme: “Pode deixar…” E colocou o pé na plataforma…. aliás, o pé errado e acabou levando um baita tombo – ele e o seu gravador (aquele do fio curtinho) – rolando por metros afora, como um charutinho!

Quando se levantou, obviamente com o sapato todo esfolado e a calça rasgada no joelho, o trem já havia parado, o governador havia descido e aquela tal multidão, que eu nunca havia conseguido romper, já estava à volta do Maluf.