Nanquim, Som & Fúria #18

Janelle Monáe

Janelle Monáe

Janelle Monáe já ficou mais conhecida do público brasileiro depois de se apresentar no Rock’n’Rio ano passado. Uma das maiores revelações da música nos últimos tempos, parece uma cria do James Brown com a Grace Jones que cresceu ouvindo Elvis Presley, Michael Jackson e Prince e que foi apadrinhada pelo Outkast.

Formada em artes cênicas, incorpora muitos elementos de teatro e cinema em seu trabalho. Seus primeiros discos – Metropolis: Suite I (The Chase) e The ArchAndroid (Suites II e III) – dão a sensação de serem trilhas sonoras de uma grande saga onde Janelle incorpora a figura de um andróide chamada Cindi Mayweather, uma alegoria para falar de minorias reprimidas lutando por seus direitos. São discos conceituais ambiciosos, mas que estão longe de serem maçantes. Muito pelo contrário, seu som é empolgante, extremamente coeso e consegue evitar os excessos comuns a obras experimentais e ecléticas como a dela. Baixinha e dona de um vozeirão e uma presença de palco notáveis, também impressiona pelo tanto que dança e pela forma como se veste usando roupas masculinas.

Site: http://www.jmonae.com/

Sem mais delongas, fiquem abaixo com as viciantes “Tightrope” e “Cold War”

O telefonema de PC Farias

Charge para o Jornalistas & Cia

PC Farias

Quem narra a história de hoje é Celso Freitas.

Em um belo dia, o sujeito mais procurado do País ligou para a redação da CBN, a rádio ainda no começo de suas atividades. O sombra do governo Collor, que estava atolado num mar de corrupção, comandado por ele, PC Farias. A Polícia Federal, a Interpol, todo o aparato de caça a criminosos estava atrás dele. E ele ali, pronto para dar uma entrevista à CBN e se defender.

A produtora Elaine Gomes quase teve um infarte,  mas reforçou o eixo e acelerou forte. Correu para o estúdio, avisou o apresentador de plantão naquele sábado que o homem estava na linha. Todo mundo se encheu de adrenalina. O apresentador tremeu na base. O manda-chuva da República de Alagoas estava ali, à mão. Era só perguntar.

O apresentador puxou o fôlego, mandou o sonoplasta abrir microfones e foi fundo. A entrevista fluiu bem, PC Farias respondeu o que lhe foi perguntado, simpático como convém a todo fugitivo.

Nem bem terminara a entrevista, o repórter Edison de Castro começa a questionar a produtora se aquele sujeito que falara em nome de PC Farias não seria um impostor. Elaine, então, se deu conta do perigo que corria. O rosto na hora virou um pimentão, o sangue subiu em segundos, o tom de voz baixou.

– Será, Edison? É a voz dele. Eu tenho certeza. Olha o sotaque alagoano!

E o Edison jogou mais lenha na fogueira:

– Ué, pode ser um outro nordestino, fazendo a voz do PC… E a essa altura a Polícia Federal deve ter monitorado toda a entrevista. Se for um impostor, vai dar um rolo danado. Não quero nem estar aqui na segunda-feira!

– Oh, Edison, não estraga, vai!

A CBN no começo, um fiasco daqueles jogaria toda a credibilidade da emissora no lixo. A temperatura subiu ao limite máximo em toda a equipe, que cumpria aquele plantão de um sábado até ali modorrento. E aí, é ou não é o PC? Elaine murchou, foi no bebedouro, pegou um copo d’água gelada. Tomou, repetiu a dose, lançou um olhar perdido para o chão. Responsável, cumpridora de horários e tarefas, exigente consigo mesma, era uma produtora tida pela equipe como das mais eficientes. Não merecia dançar por uma fatalidade daquelas.

O apresentador continuava firme, tocando a programação, mas o tom de voz já não era tão enfático, como fora na entrevista com o PC. Ele também sentiu a barra naquela dúvida. Sobraria para ele também? Claro, foi ele quem fez a entrevista. Para o ouvinte, toda a culpa era dele.

Não havia, ainda, internet naquele começo de anos 90. Só no dia seguinte é que se saberia o resultado daquela iniciativa, quando os jornais chegariam às bancas. Claro, Folha, Estadão, Veja, iam repercutir aquela entrevista que todos perseguiam e que fora dada à novata CBN.

Batata! No domingo a edição de Veja trouxe trechos da conversa, dando como verdadeira a entrevista, com repercussões entre pessoas que tinham ligação com a busca do fugitivo e também com a defesa dele. Na CBN, o domingão foi de comemoração pura, com direito a repeteco da gravação e também repercussão.

Troféu HQMix 2012 – E os indicados são…

A comissão do Troféu HQMix anunciou os indicados deste ano e a competição está acirradíssima. 2011 foi um ano excepcional para os quadrinhos brasileiros. Nunca se viu tanto material nacional com tanta qualidade sendo publicado e infelizmente, com essa competição tão acirrada, a “EntreQuadros – Círculo Completo” acabou ficando de fora das indicações. De qualquer jeito, é muito bom ver pessoas que admiro e se tornaram amigos pessoais serem merecidamente indicados.

Além do crescimento de quantidade de qualidade dos títulos, gostei muito da notícia de que a comissão do troféu será renovada a cada ano. Assim se evitará os tais votos viciados e abrirá espaço para os muitos novos talentos que tem emergido no Brasil.

Mas, ao meu ver, ainda há alguns equívocos na lista que precisam ser corrigidos e outros pontos que precisam serem melhores esclarecidos, como por exemplo:
– o Carlos Ferreira foi indicado a ‘roteirista’ e ‘roteirista revelação’. Ele já ganhou um HQMix por sua adaptação de “Os Sertões”. Então creio que não deva concorrer como revelação, apenas na categoria principal;
– o Marcelo d’Salete é outro que não vejo como revelação. Já publicou um álbum solo (“Noite e Luz”) e está no mercado há um bom tempo. Senti muita falta do “Encruzilhadas” em edição especial nacional e do d’Salete ser indicado a desenhista nacional também;
– o “1000-1” é um projeto dos autores em parceria com a Leya/Barba Negra, então não creio que deva concorrer na categoria de independentes;
– “Tune 8” e “Beijo Adolescente” não são edições únicas, mas primeiras edições de séries contínuas;
– na categoria webcomics, “Histórias do Clube da Esquina” saiu apenas como edição impressa este ano, não foi publicado na internet em 2011, “Tune 8” faz parte do “IG Jovem”, ou se indica cada uma das HQs ali individualmente ou o projeto como um todo, as duas coisas junto não faz muito sentido;
– a categoria edição especial nacional é apenas para materiais inéditos ou também abrange republicações? Caso seja apenas para materiais inéditos, o “Garra Cinzenta” deveria concorrer apenas como publicação de clássico;
– “Achados e Peridos” está concorrendo tanto como publicação independente de autor, como de grupo. Deveria ser apenas em uma destas categorias. Inverteram suas indicações a desenhista e roteirista revelação também. O Damasceno é o desenhista e ele e o Garrocho fizeram o roteiro juntos;
– a “Fierro Brasil” como Publicação de Aventura/Terror/Ficção tá bem estranho;
– Laerte e André Dahmer tem indicações duplas em tira nacional. Ambos são artistas excepcionais, mas acho que seria o caso de abrir espaço para novos talentos que temos de sobra;
– creio que já seria a hora de criarmos uma categoria de Roteirista + Desenhista, para autores que escrevem e ilustram a própria obra, podendo deixar que roteiristas concorram somente com roteiristas, e artistas somente com artistas.
– Produção para outras linguagens poderia ser limitado para coisas desse tipo feitas no Brasil apenas. Não vejo muito sentido em ficar premiando adaptações para filmes, animações ou videogames estrangeiros que não estão nem aí pra uma premiação como o HQMix.

Senti falta de alguns títulos e nomes como:
– “Encruzilhadas” em edição especial nacional e o d’Salete como desenhista e roteirista nacional
– em webcomics senti falta de “Petisco” de vários autores, “Willtirando” do Will Leite, “Quadrinhos A2” da Cristina Eiko e do Paulo Crumbim e “Nem Morto” do Leo Finocchi;
– em tiras nacionais faltou “Willtirando” do Will Leite, “Valente” do Vítor Cafaggi, “Os passarinhos” do Estevão Ribeiro, “Vida Besta” do Galvão e “Um sábado qualquer” do Carlos Ruas;
– em roteirista revelação faltou o Yuri Moraes por “Garoto Mickey” e eu também por “EntreQuadros – Círculo Completo”;
– em publicação independente de autor faltou  “EP” de Dalton Soares e Magenta King (que também mereciam ser indicados a desenhista revelação) e “St. Bastard!” do Raphael Salimena e Leonardo Martinelli.

Segue abaixo a lista completo dos indicados e, caso acredite que algum título ou autor tenha ficado de fora injustamente, comente lá no blog do troféu: http://trofeu-hqmix.blogspot.com.br/2012/03/juri-do-24-hqmix-faz-as-indicacoes.html

Adaptação para os Quadrinhos
Clara dos Anjos (Cia Das Letras)
Conto de Escola Em Quadrinhos (Peirópolis)
Dom Casmurro (Nemo)
Fahrenheit 451 (Globo)
Fernando Pessoa e Outros Pessoas (Saraiva)
Pateta Faz História (Abril)
Vigor Mortis Comics (Zarabatana)

Chargista
Angeli (Folha De S. Paulo)
Benett (Folha De S. Paulo)
Dálcio Machado (Correio Popular)
Duke (O Tempo)
Gustavo Duarte (Lance)
Leo Martins
Loredano

Desenhista Nacional
Aloísio De Castro (Carcará)
Danilo Beyruth (Necronauta 2)
Gustavo Duarte (Birds)
Lourenço Mutarelli (Quando Meu Pai…)
Marcelo Lelis (Saino a Percurá Ôtra Vez)
Rafael Albuquerque (Tune 8 e Vampiro Americano)
Rafael Coutinho (O Beijo Adolescente)

Desenhista Estrangeiro
Cyril Pedrosa (Três Sombras)
Dave Mckean (Sinal e Ruído)
David Mazzucchelli (Asterios Polyp)
Jacques Tardi (Era a Guerra das Trincheiras)
Milo Manara (Bórgia – Tudo é Vaidade)
Oliver Copiel (Thor)
Shaun Tan (A Chegada)

Destaque Internacional
Fábio Moon & Gabriel Bá
Greg Tocchini
Ivan Reis
Marcelo Lelis
Mike Deodato
Rafael Albuquerque
Ricardo Manhães

Edição Especial Nacional
Daytripper (Panini)
Garra Cinzenta (Conrad)
Histórias do Clube da Esquina (Devir)
Morro de Favela (Leya Brasil/Barba Negra)
Oeste Vermelho (Devir/Quanta)
Vigor Mortis Comics (Zarabatana)
War – Histórias de Guerra (Opera Graphica)

Edição Especial Estrangeira
12 de Setembro – a América depois (Record)
A Chegada (SM)
Asterios Polyp (Cia das Letras)
Era a Guerra das Trincheiras (Nemo)
Quando Eu Cresci (Ática)
Quando Lá Tinha O Muro (Tinta Negra)
Três Sombras (Cia Das Letras)

Editora
Cia Das Letras
Conrad
Devir
Leya/Barba Negra
Nemo
Panini
Zarabatana

Livro Teórico
A História em Quadrinhos no Brasil (W. Vergueiro E R. E. Santos)
Ângelo Agostini (Gilberto Maringoni) – Devir
Enciclopédia dos Quadrinhos (Goida E André Kleinert) – L&PM
Faces do Humor (Paulo Ramos) – Zarabatana
Histórias em Quadrinhos & Educação – Formação e Prática Docente Elydio Dos Santos Neto & Marta Regina Paulo da Silva (Orgs.) – Editora Metodista
Linguagem HQ (Nobu Chinen) – Editora Criativo
Super-Heróis, Cultura e Sociedade (Nildo Viana & Iuri Andréas Reblin – Orgs.) – Editora Ideias & Letras

Novo Talento – Desenhista
Daniel Og (Yuri, Quarta-feira de Cinzas)
Luís Felipe Garrocho (Achados E Perdidos)
João Carlos Vieira (Zine Extremis)
Lu Cafaggi (Mix Tape)
Magno Costa E Marcelo Costa (Oeste Vermelho E Matinê)
Rael Lyra (MSP Novos 50)
Shiko (MSP Novos 50)

Novo Talento – Roteirista
Carlos Ferreira (Kardec)
Eduardo Damasceno (Achados e Perdidos)
Hector Lima (MSP Novos 50)
Lillo Parra (Sonhos de Uma Noite de Verão)
Magno Costa (Oeste Vermelho)
Marcelo d’Sallete (Encruzilhadas)
Vitor Cafaggi (Duo.Tone e Valente para Sempre)

Produção para Outras Linguagens
Angeli 24h (Documentário)
As Aventuras de Tintim (Filme)
Batman: Ano Um (Longa De Animação)
Batman: Arkham City (Video Game)
Capitão América: O Primeiro Vingador (Filme)
Walking Dead (Série De Tv)
X-Men: Primeira Classe (Filme)

Projeto Editorial
1000 (Barba Negra)
Achados E Perdidos (Independente)
Coleção Fierro (Zarabatana)
Coleção Ópera Em Quadrinhos (Ática/Scipione)
Cripta (Mythos)
Tex Gigante (Mythos)
Vá Para O Diabo (A Bolha)

Publicação de Aventura/Terror/Ficção
Cripta (Mythos)
Fábulas (Panini)
Fierro Brasil (Zarabatana)
Garra Cinzenta (Conrad)
J. Kendall: Aventuras de uma Criminóloga (Mythos)
Os Mortos-Vivos (Hq Maniacs)
Y – O Último Homem (Panini)

Publicação de Clássico
Agente Secreto X-9 (Devir)
Arzach (Nemo)
Cripta (Mythos)
Fantasma – A Saga Do Casamento (Kalaco)
Garra Cinzenta (Conrad)
Gen Pés Descalços (Conrad)
Superman Vs. Muhammad Ali (Panini)

Publicação de Charges
Antes Charge do que Nunca (Atorres)
Caminhos Do Santiago (Santiago)
Só Futebol (Duke)
Catálogo do 3º Festival Internacional de Humor do Rio do Janeiro (vários)

Publicação de Cartuns
Arvres (Orlando Pedroso)
Caricaturas De Letra (Biratan)
Humor Do Miserê (Nani)
Ostras Ao Vento (Vasqs)
Ultralafa (Daniel Laffayete)
Uma Patada Com Carinho (Chiquinha)

Publicação de Tira

Agente Secreto X-9 (Devir)
Geraldão, Espocando a Cilibina (Almedina)
Iscola… O Crime (Independente)
Macanudo # 4 (Zarabatana)
Ordinário (Cia Das Letras)
Rei Emir Saad – O Monstro De Zazanov (Barba Negra)
Valente Para Sempre (Independente)

Publicação Erótica
Black Kiss (Devir)
Bórgia – Tudo é Vaidade (Conrad)
Futari H (JBC)
Golden Shower 2 (Independente)
Hentai Gold (Geek)
O Perfume do Invisível – Edição Completa (Conrad)
Velta & Mirza (Júpiter II)

Publicação Independente de Autor
Achados E Perdidos (Eduardo Damasceno, Luís Felipe Garrocho e Bruno Ito)
Birds (Gustavo Duarte)
Duo.Tone (Vitor Cafaggi)
O Beijo Adolescente (Rafael Coutinho)
O Louco, a Caixa e o Homem (Daniel Esteves e Will)
SOS (Felipe Nunes)
Tune 8 (Rafael Albuquerque)

Publicação Independente de Grupo
1000-1
Achados E Perdidos
Almanaque Gótico
Café Espacial
Golden Shower 2
Graffiti 76%
Zine Extreme

Publicação Independente Edição Única
Achados E Perdidos
Birds (Gustavo Duarte)
Duo-Tone (Vitor Cafaggi)
Mix Tape (Lu Cafaggi)
O Beijo Adolescente (Rafael Coutinho)
O Louco, a Caixa e o Homem (Daniel Esteves e Will)
Tune 8 (Rafel Albuquerque)

Publicação Infanto-Juvenil
Achados E Perdidos (Independente)
Bakuman (JBC)
Epic Mickey (Abril)
Joca E A Caixa (Cia Das Letras)
Mônica 500 (Panini)
Pateta Faz História (Abril)
Pequeno Pirata (Leya/Barba Negra)

Publicação Mix
1000-1 (Cachalote/Barba Negra)
Dc Made In Brazil (Panini)
Fierro Brasil (Zarabatana)
Golden Shower 2 (Independente)
Mad (Panini)
MSP Novos 50 (Panini)
Vertigo (Panini)

Roteirista Nacional
André Diniz (Morro de Favela)
André Valente (Não Fui Eu)
Carlos Ferreira (Kardec)
Daniel Esteves (O Louco, a Caixa e o Homem e Nanquim Descartável vol.4)
Lourenço Mutarelli (Quando Meu Pai…)
Marcelo Cassaro (Dbride: A Noiva Do Dragão)
Vitor Cafaggi (Duo.Tone e Valente para Sempre)

Roteirista Estrangeiro
Alejandro Jodorowsky (Bórgia – Tudo é Vaidade)
Brian Azzarello (100 Balas)
David Mazzucchelli (Asterios Polyp)
Giancarlo Berardi (Julia Kendall e Ken Parker)
Pierre Paquet (Quando eu Cresci)
Robert Kirkman (The Walking Dead)
Shaun Tan (A Chegada)

Tira Nacional

A Cabeça é a Ilha (André Dahmer)
Bifaland (Allan Sieber)
Malvados (André Dahmer)
Manual do Minotauro (Laerte)
Níquel Náusea (Fernando Gonsales)
Piratas do Tietê (Laerte)
Quase Nada (Fábio Moon e Gabriel Bá)

Web Quadrinhos
A Vida com Logan (Flavio F Soares)
Clube da Esquina (Laudo Ferreira E Omar Viñole)
Ig Jovem (Vários)
Ledd (J.M. Trevisan e Lobo Borges)
Mundinho Animal (Arnaldo Branco)
Sopa de Salsicha (Eduardo Medeiros)
Tune 8 (Rafael Albuquerque)

A Rainha

 Charge para o Jornalistas & Cia

A Rainha

A história dessa semana é narrada por Antonio Epifânio Moura Reis que relembra a visita oficial da Rainha Elizabeth II ao Brasil na época da ditadura, em  1968.

A CBF organizou especialmente para esta visita um jogo no Maracanã entre as seleções do Rio de Janeiro e de São Paulo. O “Jogo da Rainha” que contaria com o Rei Pelé em campo. O estádio lotou e ovacionou Vossa Majestade que, ao terminar a partida, entregaria na Tribuna de Honra uma medalha ao time perdedor e uma taça ao time vencedor. Começou então o tradicional empurra-empurra entre fotógrafos, seguidos de gritos após a chegada dos jogadores, do então presidente da CBF João Havelange carregando a imensa taça e de vários políticos,  entre os quais o chanceler Magalhães Pinto.
– Rainha, dona rainha! Por favor, olha pra cá! – gritava uma das alas de fotógrafos, em meio aos cliques característicos.
– Pelé, Pelé! Fica do lado da rainha! – gritava outro grupo, nervoso.
– Sai da frente, ô de gravata! Sai da frente, “seu” Pinto! – berrava a ala que herdou o pior ângulo.
Nas arquibancadas, a multidão acompanhava a gritaria dos fotógrafos em relativo silêncio. Diplomatas e Jacinto pediam calma,  inutilmente, sob olhares raivosos dos engravatados. A rainha passou a conversar com Pelé. Os fotógrafos, então, se uniram num só coro:
– Havelange, entrega a taça pra rainha, entrega a taça pra rainha!
O alto e atlético presidente da então CBD estendeu a bonita taça prateada para Sua Majestade, que demonstrou o peso da peça, pois
deu um passo para trás, quase cambaleando.
– Rainha, dona rainha! Entrega a taça pra Pelé! – ecoou o grito dos fotógrafos, sempre em meio aos cliques característicos.
E quando Pelé estendeu as mãos para receber o troféu, o fez sob novo e mais forte coro dos fotógrafos:
– Havelange, Havelange! Tira “seu” Pinto da frente!
“Seu” Pinto não apareceu nas fotos de primeira página dos vespertinos do dia seguinte e dos matutinos da terça-feira. Todas
exibiram, de diferentes ângulos, a rainha, Pelé e a taça prateada, confeccionada em Lisboa, segundo Havelange, especialmente para
a ocasião.

Nanquim, Som & Fúria # 17

Gui Amabis

Gui Amabis é produtor musical e já fez trilhas sonoras de diversos filmes como “O Senhor das Armas” e “Quincas Berro D’água”. Também produziu “Caravana Seria Bloom”, o disco mais recente de sua esposa, ninguém menos que Céu, uma das principais cantoras da geração atual do Brasil.
Em 2011, lançou seu primeiro disco solo “Memórias Luso-Africanas”, inspirado nas memórias de sua avó e que conta com vocais de Céu, de Tulipa Ruiz, de Criolo, de Lucas Santtana e de Tiganá. É uma verdadeira jóia rara e pode ser baixado gratuitamente no site dele: guiamabis.com.
Dia 21 de março agora tem show dele no Sesc Vila Mariana.
Fiquem abaixo com duas preciosidades desse belo disco:

Um pedaço de papel

Charge para o Jornalistas & Cia

A história dessa semana é de Moacir Assunção, que nos conta da época em que trabalhou no caderno Cidades do extinto Diário Popular (hoje Diário de S.P.).

Moacir foi cobrir a história de um grupo de pessoas da favela sob a ponte de Vila Maria que estavam “alojados” precariamente em um espaço cultural do Conjunto Habitacional José Bonifácio.

Desceu do carro da reportagem e foi abordado por um senhor grisalho de traços nordestinos: “Moacir, você veio, eu tinha certeza de que você vinha ajudar a gente. O pessoal do Estadão e da Folha não adianta chamar que eles não vêm de jeito nenhum, mas vocês do Diário aparecem sempre”. Espantado, Moacir perguntou se o senhor o conhecia e ele respondeu que foi ele quem havia ligado para o jornale, pois havia guardado o telefone dele em um pedacinho de papel, já amarrotado e com a tinta gasta, da última vez em que ele estivera no local.

Emocionado, Moacir constatou a situação precária daqueles cidadãos e fez uma matéria denunciando o cruel descaso. Não saiu nada nos jornais concorrentes, mas a matéria teve boa repercussão nas rádios e dois dias depois saiu algo nos outros veículos diários.  Pressionada, a Prefeitura resolveu, dias mais tarde, retirar aquelas pessoas dali e arrumar outro lugar com um mínimo de dignidade para elas se instalarem.

Bom jornalismo pode ajudar.

Nanquim, Som & Fúria # 16

Lucas Santtana

A primeira vez que tive contato com a música de Lucas Santtana, foi em 2000, no disco Sol da Liberdade da Daniela Mercury no qual havia uma música intitulada Itapuã @no 2000. Era uma canção alienígena no corpo do disco, mais vanguardista e ao mesmo coerente com o canibalismo de digerir e incorporar influências estrangeiras para criar coisas novas que a Daniela sempre buscou em seu trabalho. 12 anos depois, o som de Lucas Santtana ainda tem o mesmo frescor daquela época, isso porque ele tem conseguido evitar habilmente a repetição e a mesmice. Ainda não é muito conhecido do grande público, apesar de já ter sido gravado e colaborado com medalhões como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Marisa Monte.

Está lançando agora seu quinto e talvez melhor álbum: O Deus que devasta, mas também cura, repleto de colaborações com outros expoentes da nova cena musical brasileira como Céu, Kassin, Curumin, Gui Amabis e Guizado. O álbum pode ser baixado de graça em sua página no Facebook. Confere lá: http://www.facebook.com/lucas.santtana.official?sk=app_2405167945
Abaixo uma faixa de seu disco anterior (Sem Nostalgia, 2009)

Viagem a Galápagos

Charge para o Jornalistas & Cia

Quem narra esta história é Renato Lombardi, comentarista para os assuntos de segurança e Justiça da TV Record.

Na manhã de uma 5ª.feira, Moacyr Castro, que era chefe de Reportagem do Estadão, contou que iria fazer uma viagem a Galápagos junto com o escritor Rubem Fonseca e o então presidente da Varig. A viagem seria no sábado. Todos sabiam do pavor que Moacyr tinha de aviões. Mas ele estava disposto a enfrentar. Disse que iria se preparar, tomar remédio e encarar. Afinal, um dos seus sonhos era conhecer as Galápagos (ou Arquipélago de Colombo), um grupo de 58 ilhas, das quais apenas quatro são habitadas, no Oceano Pacífico, a aproximadamente mil quilômetros a oeste da costa do Equador. Algumas horas de voo que Moacyr se propusera a enfrentar.

Na 6ª.feira, já com o Moacyr em casa se preparando para a viagem, a redação da editoria de Cidades fez um bolão. As apostas eram: vai entrar no avião em Congonhas; vai conseguir passar do Rio de Janeiro; ou vai em frente e chega a Galápagos.

Apostas lançadas, esperaram pelo sábado, o grande dia. O homem entrou, como dizem em Marília de “mala e cuia” na aeronave com destino ao Equador, com escala no Rio de Janeiro, onde subiria Rubem Fonseca. Decolagem perfeita, tempo bom, céu de brigadeiro, e o Moacyr até que encarou o primeiro solavanco. Mais alguns minutos de voo e ele começou a sentir tontura, enjoo, a sensação de desmaio.

O presidente da Varig, ao lado, tentou confortá-lo. Mas quem disse que aquele jornalista de 1,90 m de altura, ainda de barba preta com poucos fios brancos, respondia. Moacyr ficou paralisado. Não conseguia se mexer na poltrona. O comandante foi chamado por uma das comissárias. E Moacyr continuava paralisado. Apareceu um médico e nada do jornalista melhorar. O voo de 45 minutos até o Santos Dumont foi um martírio. Quando o avião desceu, o comandante disse que naquelas condições Moacyr não continuaria a viagem. O presidente da Varig tentou convencer o comandante, tentou fazer prevalecer a hierarquia, e nada. Moacyr Castro, do alto do seu 1,90 m, continuava imóvel. Precisou ser carregado do avião até o saguão. Em terra firme, começou a melhorar. Passou a sensação de desmaio, voltou a sentir os braços e as pernas.

Agradeceu ao presidente da Varig, pediu desculpas por atrapalhar a viagem, e disse que iria para a sucursal do Estadão para se restabelecer porque voltaria de ônibus para São Paulo. E foi o que aconteceu. A cor rosada de sua pele voltou. O levaram para almoçar. No fim da tarde estava de volta a São Paulo num ônibus do Expresso Brasileiro.

A maioria ganhou a aposta. Todos sabiam que, apesar de querer muito conhecer o arquipélago, ele não conseguiria viajar. Os mais céticos chegaram a apostar que ele nem entraria no avião em Congonhas. Renato foi um deles.

Grande Moacyr, que mora em Ribeirão Preto e continua andando de carro, pilotado pela Teresa Flora. E de ônibus, claro.

Nanquim, Som & Fúria # 15

Kassin

Kassin é mais conhecido por ser um dos melhores produtores musicais do Brasil. É uma dessas adoráveis figuras loucas que acabam abrindo novos horizontes no meio de sua insanidade. É ele quem assina a produção de alguns dos principais discos brasileiros da década de 2000 como: Ventura e 4 dos Los Hermanos, do Caetano Veloso, Sim da Vanessa da Mata e os três discos do projeto +2, Futurismo, Máquina de escrever música e Sincerely Hot dele do Moreno Veloso e do Domenico respectivamente. Também já trabalhou com Jorge Mautner, Thalma de Freitas, Mallu Magalhães, Adriana Calcanhoto entre tantos outros. Como se isso já não bastasse, ainda integra a big band Orquestra Imperial e também é compositor. Já fez até trilha sonora, a convite de Shinichiro Watanabe (autor de Cowboy Bebop e profundo conhecedor de música brasileira), para o desenho animado japonês Michiko to Hatchin. Ano passado lançou um segundo disco solo intitulado Sonhando Devagar, que tem, entre outras preciosidades, esta pérola abaixo:

Confiram também esta de seu primeiro álbum: