Nanquim, Som & Fúria #24

Norah Jones

Norah Jones

Norinha já é bastante conhecida. Para mim, é uma das vozes mais deliciosas que apareceram nos anos 2000 e também tem se mostrado uma das artistas mais interessantes de se acompanhar. Aos poucos, ela vem migrando do smooth-jazz que a consagrou para o indie-rock. Considerando que, desde que apareceu em cena, Norah tem colaborado uma gama de com artistas tão díspares como Outkast e Belle & Sebastian ou Ray Charles e Foo Fighters, essa metamorfose não é lá uma grande surpresa. O mais importante é que a qualidade e o frescor de seu trabalho continuam intactos. Importante também é que Norah sabe escolher muito bem suas parcerias. Para produzir seu disco mais recente, o ótimo ‘… Little Broken Hearts‘, ela convidou o gabaritado Danger Mouse (Broken Bells, Gnarls Barkley, Rome). Mais do que expandir sua paleta musical, neste disco ela revela facetas além de suas habituais ternura e singeleza.

Bom dia, Roquette!

Charge para o Jornalistas & Cia

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A história desta semana é uma colaboração de Luiz André Ferreira, diretor de Jornalismo da Rádio Roquette-Pinto 94,1 FM, do Rio de Janeiro, e âncora do programa Primeira Página.

Um dia, durante o programa das manhãs Primeira Página da Rádio Roquette-Pinto 94,1 FM RJ (diariamente, entre 9h30 e 12h), um dos entrevistados imaginou que estava falando com o “pioneiro do rádio” Edgard Roquette-Pinto e dirigiu-se ao apresentador com um sonoro “Bom dia, Roquette!”. Talvez os ouvintes nem tenham percebido, já que o nome do “mestre” também é o nome da rádio e, por isso, pode não ter chamado atenção, mas Roquette-Pinto morreu em 18 de outubro de 1954!

No estúdio, foi uma gargalhada geral. O microfone teve que ser cortado enquanto o entrevistado falava sozinho, até que os ânimos tivessem sido controlados pelos apresentadores, produtores e operador. Conseguiram apenas encerrar, sem nem mais uma pergunta, agradecendo e jogando chamadas promocionais na sequência.

Fora do ar, um dos produtores comunicou a gafe ao entrevistado, que lhes pediu pelo amor de Deus para não divulgarmos o seu nome.

Já eu fico imaginando como o Sr. Edgard Roquette-Pinto deve ter sofrido quando era criança (e adulto também) com um sobrenomes desses…

Nanquim, Som & Fúria #23

Jack White

Jack White

O guitar hero da minha geração e um dos nomes mais importantes do rock’n’roll dos últimos quinze anos. Depois de encabeçar três ótimas bandas (White Stripes, Dead Weather e Raconteurs), Jack segue em carreira solo com o Blunderbuss, um discaço que só cresce a cada nova audição.

Nação de muares

Charge para o Jornalistas & Cia

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A história dessa semana vem em boa hora para pensarmos melhor em quem elegemos como nossos governantes.

A história, ironicamente, foi narrada por um governador de estado na abertura do Seminário Internacional de Liberdade de Expressão, organizado pelo Instituto Internacional de Ciências Sociais.

Tema denso e tenso, ao final da exposição, para descontrair o plenário, o governador contou um causo ocorrido lá pelos anos 1940 ou 1950 na sua terra natal, Pindamonhangaba, no interior de São Paulo.

Os vereadores da cidade, condoídos com a triste situação dos animais que puxavam as carroças, fizeram e aprovaram uma lei que concedia aposentadoria a todos após 30 anos de bons serviços prestados à comunidade. E para abrigar os animais que deixariam a faina diária, trataram logo de encontrar um belo terreno, com fartura de pasto e alimentação, para que passassem o resto de suas vidas tranquilos, como prêmio pela dedicação ao trabalho e ao povo pindamonhangabense.

Um dos jornais da cidade tinha um colunista muito famoso por “pegar no pé” dos políticos e autoridades locais e por fazer comentários sarcásticos das coisas bizarras e erradas que aconteciam na cidade ou região.

O nome da coluna já dizia tudo: É pena pra todo lado. E aprovar uma lei de aposentadoria para muares era o que se poderia chamar de “o ó do borogodó”. Prato cheio para a coluna. Dito e feito.

Tão logo esse colunista soube da lei aprovada pela Câmara dos Vereadores e sancionada pelo prefeito, publicou no espaço: “Os nobres edis de Pindamonhangaba aprovaram uma lei concedendo aposentadoria para os muares, pelos bons serviços prestados ao município. Mas quero aqui fazer uma denúncia. Essa lei é absolutamente INCONSTITUCIONAL. É até possível que os nobres edis não saibam, mas no Brasil é proibida a prática de legislar em causa própria”.

É um caso banal perto dos inúmeros absurdos que vemos por aí, afinal de contas, as pobres mulas mereciam seu descanso depois de tanto prestarem serviço à comunidade. Mas quem seriam parentes dos muares: os políticos, como sugeriu o jornalista, ou o povo que continua elegendo um número sem fim de pilantras até hoje?

EntreQuadros no ManoloSanctis e oficina no Raízes

Nesta sexta-feira, dia 11 às 8h, darei uma oficina de histórias em quadrinhos no Festival de Literatura do Instituto de Ensino e Cultura Raízes, em Boiçucanga no litoral paulista. É sempre bom ter este tipo de contato com o público e, quem sabe, até mesmo com algum futuro autor de quadrinhos. De antemão, já gradeço imensamente a organização do evento pelo convite e por reconhecer o valor artístico das HQs. Nos vemos lá, pessoal!

Minha primeira graphic novel, a EntreQuadros – Círculo Completo, pela qual recebi duas indicações no Troféu HQ Mix deste ano (Novo Talento – Roteirista e Novo Talento – Desenhista), está disponível para leitura agora também no ManoloSanctis, uma comunidade de quadrinhos on-line francesa do qual também faço parte.

Confiram:

EntreQuadros – Círculo Completo by Mario Cesar

Também disponibilizei uma versão em inglês lá. I also published an english version of my graphic novel on ManoloSanctis. Check it out:

Full Circle by Mario Cesar

A edição impressa está à venda com frete gratuito este mês no site da Balão Editorial.

Nanquim, Som & Fúria #22

Silva

Silva

O capixaba Lúcio Silva Souza resolveu assinar seu trabalho usando apenas o seu nome do meio, um dos sobrenomes mais comuns do Brasil. Mas o comum passa longe de seu trabalho. Tem apenas 23 anos, estuda música desde os 2 (!) anos de idade, e, até agora, lançou apenas um EP com 5 músicas que já o colocou entre as maiores promessas da música brasileira contemporânea. Seu trabalho vem sendo comparado a Los Hermanos, Marcelo Camelo, Mallu Magalhães e Thiago Pethit, mas também agrega novos temperos da música eletrônica, especialmente do dubstep e do chillwave. Uma mistureba da boa e deliciosa de ouvir. Silva fará show no Festival Sónar São Paulo no dia 12 e dia 15 também se apresenta no Sesc Pompéia. Seu EP pode ser escutado em sua página no Soundcloud: http://soundcloud.com/silvasilva/sets/silva

Fiquem abaixo com as belíssimas “Imergir” e “A Visita”:

Locutores bêbados

Charge para o Jornalistas & Cia

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A história dessa semana é mais uma contribuição de Sandro Villar.

Na cidade de Adamantina (SP), terra natal de Cláudio Amaral, Gabriel Manzano Filho e Carlos Tramontina, os moradores aguardavam ansiosamente o momento do encontro dos ponteiros do relógio, marcando 12 horas. É que ao meio-dia em ponto e vírgula, naqueles criativos anos 1960, começava na Rádio Brasil o programa do locutor que só falava bêbado. Por uma questão de respeito, visto que o personagem já foi embora deste mundo de ilusões, seu nome será preservado. Teria sofrido uma desilusão amorosa, motivo que o levou a beber mais do que o personagem do cantor Vicente Celestino no filme ‘O Ébrio’. Um locutor de porre no rádio só pode mesmo chamar a atenção. O programa dava audiência em Adamantina. Os ouvintes se divertiam com o apresentador, ora agressivo, ora patético, que, ao contrário dos garotos da época, não amava os Beatles nem os Rolling Stones.

Sem ser nem uma coisa nem outra – agressivo e patético –, um locutor da Rádio Record, cismou que o relógio marcava mais de 24 horas. Um belo dia, tomou umas doses a mais de cachaça e entrou no estúdio para anunciar a hora certa. E meteu bronca. Assim que o operador abriu o microfone, o locutor, com voz pastosa, mandou ver: “Em São Paulo, são 29 horas”.

E um locutor de Presidente Prudente, que virou nome de rua, também se complicou na hora de dar a hora certa por estar de pileque. Nos anos 1980, ele trabalhava na Rádio Difusora, que também virou igreja eletrônica, e apresentava o programa noturno Música Sem Compromisso. Uma noite, no momento de anunciar a hora certa, assim falou ao respeitável público ouvinte: “Você ouve Difusora e Música Sem Compromisso. Em Prudente são 11 horas e 77 minutos”. Isso é que é hora certa sem compromisso com a exatidão.

Um outro caso famoso é o de um locutor-noticiarista de São Paulo, também amante da loirinha e da branquinha. Este locutor protagonizou outro episódio que, segundo as línguas ferinas, quase acabou com o seu casamento. Tarde ensolarada de sábado, nada para fazer em casa, ele resolveu beber num bar. A mulher dele tinha um cachorrinho poodle que era o seu xodó. E pediu ao marido para levar o cão junto, argumentando que o animal já estava ficando neurótico de tanto ficar dentro do apartamento. Meio a contragosto – ou inteiro a contragosto –, ele resolveu atender a esposa. Botou o cachorro debaixo do braço, ligou o carro e saiu em disparada, pois estava doido para molhar a goela. Ao chegar ao bar deixou o cãozinho dentro do carro e foi beber com os amigos. Logo depois o cachorro começou a latir, e os latidos passaram a incomodar. Ele não teve dúvidas: retirou o bicho do automóvel, afrouxou a coleira e o amarrou no parachoque traseiro. O cão se aquietou e ele voltou ao bar.

Lá pelas tantas, depois de tomar aquela e muitas que mataram o guarda e toda a corporação, o que explica a falta de policiamento na cidade, voltou para casa. Entrou no carro e foi embora correndo. Estacionou, pegou o elevador e entrou no apartamento. “Cadê o cachorro?”, perguntou a “dona da pensão”. Ele respondeu com um “Ah!”. Desceu ao estacionamento e, atrás do carro, só encontrou a coleira. Para tentar limpar um pouco a barra, que estava mais suja do que cueca de mendigo, ele teria inventado uma história: à esposa, explicou que havia deixado o cachorro em uma clínica veterinária e que o pegaria na segunda-feira. Para a mulher não desconfiar de nada, seu plano era comprar outro da mesma raça, um verdadeiro clone do pobre coitado que morreu arrastado e esfolado no asfalto.

Nanquim, Som & Fúria #21

Santigold

Santigold

Santi White despontou em 2007 e suas músicas foram um sopro de novidade no pop ao misturar as novas tendências da música eletrônica e hip hop com o synth-pop oitentista. De lá pra cá, fez uma penca de contribuições com outros artistas (Beastie Boys, Julian Casablancas, Basement Jaxx, N.A.S.A. entre outros) e viu seu som e seus colaboradores e produtores do Major Lazer estourarem no mainstream. Somente agora ela lança seu segundo álbum, o ótimo Master of My Make Believe, com produção e colaborações de Switch e Diplo (Major Lazer), Dave Sitek (TV on the Radio), karen O e Nick Zinner (Yeah Yeah Yeahs) entre outros. Um discaço onde ela amplia sua sonoridade com elementos de música jamaicana e africana Santigold e também solta o verbo contra a obsessão atual por fama, contra a máquina política e contra o atual estado maçante da dita música mainstream. Santigold é o tal do pop com alma e conteúdo que muitos alegam ser, mas que, geralmente, não passa de propaganda falsa estampada na embalagem.

Greve

Charge para o Jornalistas & Cia

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A história dessa semana é de Paulo Nogueira na qual ele narra o fracasso que foi a greve dos jornalistas no ano de 1979.

Acontecera o pior: os próprios jornais noticiaram a greve. Os grevistas, no apogeu do entusiasmo pré-greve, sonhavam que os jornais simplesmente não sairiam porque não haveria gente para fazê-los.

Mas saíram, feitos por fura-greves que, num efeito colateral trágico para todos os jornalistas, eles próprios incluídos, mostraram aos patrões que era possível trabalhar com redações bem mais enxutas do que as que existiam naqueles dias. Nem a famosa arma secreta prometida numa assembleia por Juca Kfouri – que fazia parte do comando de greve – foi capaz de salvar o movimento.

Uma epidemia de greves tomou o País depois que os metalúrgicos abriram a porta. Umas foram bem-sucedidas. A dos jornalistas de São Paulo foi um monumental fracasso.

EntreQuadros – Círculo Completo na íntegra e entrevista para Monotipia

Como já noticiei, eu e a Balão Editorial disponibilizaremos meu livro EntreQuadros – Círculo Completo para leitura gratuita na internet para celebrar minhas duas indicações ao Troféu HQ-Mix nas categorias Novo Talento – Roteirista e Novo Talento – Desenhista.

Iríamos publicar em capítulos – e o primeiro já está on-line -, mas, para agilizar, resolvemos publicar a história completa de uma vez.

Tenham uma ótima leitura:

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E não se esqueçam de que a edição está à venda com desconto e frete gratuito este mês no site da Balão Editorial e não deixem de conferir e curtir a página da EntreQuadros no FaceBook sempre com as últimas novidades!

Uma outra novidade é que concedi uma entrevista sobre o meu trabalho para edição da revista Monotipia deste mês. Confiram:

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