Le Brésil n’est pas un pays sérieux

Hoje tem tirinha nova no TopBlog. Não deixem de conferir!

Abaixo segue a charge dessa semana para o Jornalistas & Cia.

No ano de 1964, o então presidente francês Charles de Gaulle fez uma das muitas inaugurações da Cosipa (Companhia Siderúrgica Paulista), em Cubatão, ao pé da Via Anchieta, na Serra do Mar. José Dias Herrera, o Zezinho, chegou atrasado e o presidente francês já havia acionado o botão que inaugurava a Laminação a Frio da empresa. Com a elegância que também lhe era peculiar, o  jovem fotógrafo de A Tribuna foi rápido e  passou pela segurança. “Levantei o braço – e muito, pois o homem tinha mais de dois metros de altura –, bati no ombro dele e disse ‘Monsieur, s’il vous plâit: hum, hum, hum!’, fazendo gestos para que ele apertasse novamente o botão. Ele riu, foi lá e atendeu ao meu pedido. Naquele dia a Cosipa  foi inaugurada duas vezes”. Há quem atribua ao ato do Zezinho a frase de de Gaulle: “Le Brésil n’est pas un pays sérieux”, que o francês até a morte negou ter pronunciado. Desde o último dia 17, Zezinho deve estar ao lado de de Gaulle e ambos rindo da história na Cosipa.

É o amor!

Hoje tem tirinha nova no TopBlog. Não deixem de conferir!

Saiu a lista das melhores HQs de 2009 do UniversoHQ e a EntreQuadros (cujo próximo número está prestes a sair do forno) marcou presença entre as menções honrosas! Fiquei bem feliz também com a menção da Nanquim Descartável do Daniel Esteves que desenhei um capítulo e com a presença do trabalho de alguns parceiros como a Pieces do meu xará Mário Cau, Os Passarinhos do Estevão Ribeiro e o Punny Parker do Vitor Cafaggi. A lista pode ser conferida neste link.

Agora a charge dessa semana para o Jornalistas & Cia.

Certo dia, em meados da década de 1960 na redação da revista Realidade, entrou na redação uma jovem, nem tão jovem, furiosa.

– Onde ele está? Onde está aquele cachorro?

Ela procurava Narciso Kalili, então seu namorado, ou algo mais. Ele correu para a sala dos fundos, mas ela não perdoou. Ficou chamando, com tal veemência, que ele veio para a sala da frente. Vale dizer que a redação da Realidade era uma salsicha. Tinha um pequeno hall de entrada e, à direita, a redação, depois de uma porta a Arte e, depois de uma outra portinhola, um tipo de dispensinha. Se, em vez de entrar à direita, você virasse à esquerda, entraria na sala do Robert (na época ele era chamado de Robert) Civita, então diretor de Redação da revista.

Ela pulou no pescoço dele quando ele pisou na sala da frente. O Narciso caiu e ela, deitada sobre ele, continuou batendo e dizendo coisas. Narciso era elegante e não reagia, pois era incapaz de bater numa mulher. Só pedia que ela parasse. A redação virou um barraco, segura, pega, tira ela daí, falavam alguns, outros riam gostosamente e outros, ainda, eram da turma do “deixa que eles resolvem”. Nesse momento, atraído pela barulheira, Robert Civita abriu a porta de meio vidro jateado que dividia o hall da turma. Tomou o maior susto ao ver a cena, deu um passo atrás, sorriu e disse, com aquele sotaque inexorável:

– Opa, hoje temos farwest aqui…

Fechou a porta e, também elegante e discretamente, retirou-se para sua sala.

No fim, Narciso e aquela simpática senhora (era simpática, sim) foram acabar a “conversa” lá no fundão da Arte. Depois de uns 20 minutos saíram os dois, de mãos dadas e em paz.

Algum tempo depois, na reunião de pauta, na mesma Realidade, lá pelas 5 da tarde, e o Narciso perguntou:

– Gente, será que essa reunião vai demorar muito?

Alguém respondeu que não havia pressa e perguntou por que ele queria saber. Narciso respondeu com muita calma:

– Gente, é que eu vou casar hoje, às 7 da noite. Ainda preciso ir para casa, tomar banho, me vestir…

A quem possa interessar: ele se casou com aquela mesma jovem. E foram felizes por muitos anos.

O imortal e a piada mais absurda e politicamente incorreta de todos os tempos

Antes de mais nada, tem tirinha nova no TopBlog, a primeira de 2010! E pra começar bem o ano, o palhaço irá nos contar a piada mais absurda e politicamente incorreta de todos os tempos! Confiram!

Abaixo segue a charge dessa semana para o Jornalistas&Cia.

Frederico Branco, o Fritz, recebeu de um parente do interior um peru, mas vivo, ao qual imediatamente se afeiçoaram os filhos, que o consideraram animal de estimação e tiveram que ser enviados para a casa da avó no dia do que chamaram de “assassinato do peru”.

Urbanoide, o Fritz só sabia que era preciso dar pinga ao peru e, numa crônica que escreveu a respeito, conta que todo mundo tomou a cachaça, que respingou na roupa da família inteira, mas o peru se mostrou absolutamente abstêmio. Mesmo sem a pinga, Frederico resolveu matar o bicho e, sem conhecimento da tecnologia adequada, pegou o facão da cozinha e deu uma punhalada no peito do peru.

“Voou pena para todo lado, mas o peru sobreviveu”, relembrava ele, que resolveu então enforcar o peru no varal da área de serviço, usando a cordinha da cortina, o que resultou em novo fracasso, pois só serviu para soltar o esfíncter da ave e espalhar fezes na cara do Frederico. Ele então perdeu a paciência, pegou o trezoitão na gaveta e matou o peru com um tiro certeiro, realmente eficaz, mas que provocou a denúncia dos vizinhos e levou o Frederico a se explicar na Delegacia e muito bravo, porque em vez de fazer o boletim de ocorrência, delegado e também investigadores rolavam de tanto rir da história, que acabou virando crônica.

10 anos de UniversoHQ

O UniversoHQ, o maior portal sobre quadrinhos do Brasil, está completando dez anos de existência hoje! E, para celebrar esta data, eles fizeram um belo especial com textos e desenhos de mais de 200 ilustres convidados ligados à area.

Essa aqui foi a minha mensagem para eles:

As mensagens dos demais convidados e da própria equipe do UniversoHQ, pode ser vista neste link.

Não deixem de conferir e prestigiar o trabalho deste pessoal que vem há 10 contribuindo de forma única para o mercado de quadrinhos no Brasil.

Parabéns Sidão, Samir e cia!

As melhores HQs de 2009

2009 foi um ano e tanto para os quadrinhos no Brasil. Diversas obras imporantes chegaram por aqui e, graças aos investimentos de grupos editoriais de peso, tem cada vez mais conquistado um público mais amplo que normalmente não acompanha a área de HQs.  O mercado e os leitores só tem a ganhar com isso. Agora, sem mais delongas, eis a minha seleção das melhores histórias em quadrinhos publicadas este ano no Brasil:

1 – Retalhos – Craig Thompson (Quadrinhos na Cia)
Neste calhamaço de quase 600 (belíssimas) páginas o autor conta sua própria história, da infância até a vida adulta, em uma cidade do estado de Wisconsin, com maestria e lirismo. Thompson consegue explor sua fé, suas relações familiares e amorosas com uma coragem e uma sinceridade absolutamente rasgantes e encantadoras.

2 – Jimmy Corrigan – O garoto mais esperto do mundo – Chris Ware (Quadrinhos na Cia)
Outra obra do mesmo quilate de Retalhos também chegou ao Brasil este ano. Ao longo desta década, nenhum outro artista tem explorado (e extrapolado) tanto os limites da linguagem dos quadrinhos como Cris Ware. A história gira em torno de um tímido e solitário homem de meia idade que recebe uma carta do pai que nunca conheceu e parte uma viagem para encontrá-lo. Um livro para ser lido e relido e que é capaz de, ao mesmo tempo, dar um nó na cabeça e um aperto no coração.

3 – Nova York . A Vida na Cidade Grande – Will Eisner (Quadrinhos na Cia)
Will Eisner talvez seja o autor ocidental mais importante de quadrinhos que já existiu e esta foi a melhor e mais caprichada edição de sua vasta obra já publicada no Brasil.  O álbum compila 4 de suas melhores trabalhos (O Edifício, Pessoas Invisíveis, Caderno de tipos urbanos e Nova York: A Grande Cidade) e retrata a vida nos grandes centros urbanos com a visão e a sensibilidade única de um grande mestre.

4 – Sábados dos meus amores – Marcelo Quintanilha (Conrad)
O principal lançamento nacional deste ano. Consiste em uma série de crônicas sobre o cotidiano brasileiro no qual Quintanilha mostra a poesia que pode existir em acontecimentos aparentemente banais.

5 – MSP 50 – Diversos autores (Panini)
A Turma da Mônica é verdadeiro patrimônio cultural nacional e ganhou uma belíssima homenagem no qual 50 artistas foram convidados para desenhar (com seus próprios traços e estilos) histórias com os memoráveis e inesgotáveis personagens de Mauricio de Souza.

6 – Peanuts Completo – 1950/1952 – Charles Schulz (L&PM)
Uma das mais famosas tirinhas de humor de todos os tempos finalmente ganhou uma coleção a altura de sua importância. Cada volume compilará 2 dos quase 50 anos(!) de publicação de Charlie Brown, Snoopy e cia. Imperdível.

7 – Macanudo # 2 – Liniers (Zarabatana)
A melhor tirinha da atualidade ganha seu segundo volume no Brasil. O humor inteligente e o traço delicado do argentino Liniers são deliciosamente irresistíveis.

8 – Local – Fim da Jornada – Brian Wood & Ryan Kelly (Devir)
Surpreendente conclusão da história de Megan McKeenan que, a cada episódio, reside em uma cidade diferente dos Estados Unidos em busca de de si mesma e de seu lugar no mundo. Brian Wood é um dos melhores escritores da nova geração de roteiristas norte-americanos e esta é uma ótimo oportunidade de conhecer seu trabalho que também pode ser lido na revista mensal Vertigo e na série ZDM – Zona Desmilitarizada ambas da editora Panini.

9 – Yeshuah: assim em cima, assim em baixo – Laudo e Omar (Devir)

Os profílicos Laudo e Omar já estão no mercado há um bom tempo e entregam aqui o primeiro volume do que parece ser sua obra-prima. A história de Jesus Cristo é contada do ponto de vista do povo hebraico. Um trabalho notável, belamente ilustrado, com ritmo impecável e fundamentado em uma riquíssima pesquisa.

10 – O Chinês Americano – Gene Luen Yang (Quadrinhos na Cia)
A história sobre um jovem imigrante chinês vivendo nos Estados Unidos realizada pelo novato Gene Luen Yang foi indicada a importantes prêmios literários e recebeu elogios rasgados da imprensa norteamericana, merecidamente. Trata-se de uma bela fábula sobre preconceitos e aceitação, indicado para pessoas de todas as idades.

Menções honrosas: Umbigo sem fundo – Dash Shaw (Quadrinhos na Cia), Copacabana – Lobo & Odyr (Desiderata), Verão Índio – Hugo Pratt & Milo Manara (Conrad), Assuntos de família – Will Eisner (Devir), Fracasso de público # 1 – Alex Robinson (Gal), The Umbrella Academy – Suíte do Apocalipse – Gerard Way, Gabriel Bá & Dave Stewart (Devir), Mutts: os vira-latas – Patrick McDonnel (Devir), Eu sou legião – Fabian Nury e John Cassaday (Panini), Homunculus – Hideo Yamamoto (Panini), Fábulas – a marcha dos soldados de madeira – Bill Willingham, Mark Buckingham, Steve Leialoha & P. Craig Russell (Panini) e Ex-Machina: Fato vs. Ficção – Brian K. Vaugh & Tony Harris (Panini).

Amizade desinteressada

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E, agora, uma charge para o Jornalistas & Cia.

A história desta semana consta no livro O Velho Jota, no qual vários amigos escrevem sobre João Vitor Strauss, falecido em 1999. A história é da autoria de Paulo de Tarso Venceslau e é, resumidamente, a seguinte:

Em pleno auge da ditadura militar no Brasil,  um grupo de esquerda chamado MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro, em homenagem a Che Guevara, capturado nesse dia, dois anos antes, no interior da Bolívia) precisava urgentemente de um abrigo para Toledo, um de seus integrantes. João Vitor, mesmo sabendo perfeitamente da dimensão e dos riscos do pedido de Paulo: hospedar em seu apartamento, em Copacabana, a pessoa mais procurada do Brasil. Não pensou duas vezes para dar uma resposta afirmativa.

El ‘entuche’

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E, abaixo,  a charge dessa semana para o Jornalistas & Cia.

A história por trás desta charge é a seguinte:

Copa das Américas, 1993, Santiago de Chile. Pelo Estadão, fotografam Orlando Kissner e Fábio Moreira Salles, hospedados num hotel cinco estrelas, junto à Plaza de la Moneda, cujo apartamento transformaram em laboratório.

Eram os tempos heróicos da telefoto e, com duas máquinas emprestadas pela UPI, os fotógrafos montaram um laboratório de revelação no apartamento, com lonas escuras nas janelas, termostato dentro da banheira, para manter a temperatura ideal para os banhos de revelador e fixador, o secador de cabelo para tirar a água das tiras de filmes. E precisavam de incrível paciência para enviar cada foto durante 21 minutos – sete para passar por telefone a lâmina em magenta, outros sete para o cian e mais sete para a lâmina do amarelo –, para então checar na redação, em São Paulo, se não tinha dado xabu, se as três lâminas sobrepostas resultavam numa fotografia aceitável, o que era esperado, mas naquela época não muito provável.

Os fotógrafos ficaram malvistos quando pediram em legítimo portunhol à camareira “uno benjamin para la tomada” e, diante da cara de conteúdo com que a solicitação foi recebida, o Fábio, fã de Gabriel Garcia Marquez no original, fez o famoso sinal americano de “OK” com os dedos da mão esquerda e enfiou repetidamente o indicador da direita no orifício formado, explicando meio desesperado que “necessito de um entuche”, o que levou a arrumadeira a entrar em pânico antes de desaparecer.

Certa feita, quando toda a parafernália de revelação, ampliação e transmissão de fotos foi ligada, a sobrecarga foi tão grande, que caiu o disjuntor do andar e o Fábio, em horário de fechamento, correu sem camisa para a portaria e pediu um outro quarto, com telefone.

O burocrata de plantão disse que “si”, mas teria que esvaziar o quarto ocupado há 15 dias e, é claro, levar todas as malas e equipamento para “la nueva habitación”, para que os fotógrafos pudessem se desincumbir da missão.

O hotel só desistiu de trocar o quarto e concordou em ceder temporariamente um outro, com energia, quando os carregadores abriram a porta do aposento ocupado pelos jornalistas.

“No meio da penumbra, por causa das lonas negras nas janelas, via-se o Orlando, dois metros de altura, com a pele mais branca do que qualquer finlandês, de cuecas e, como um alquimista, misturando colheradas de pó num tanque portátil de revelação”, conta Fábio. “Havia meias secando penduradas no lustre, roupa suja, uma coleção de tanques e de vidros de produtos químicos e, como num filme de horror, uma dezena de tiras de filme penduradas do teto, para secar, dando a impressão de teias de aranha enroladas e, no solo, câmaras, garrafas de refrigerante, teles imensas, caixas de filmes e um emaranhado de fiação, terminando em ‘jacarés’ firmemente agarrados à fiação do telefone”.

O gerente de plantão parou, olhou um segundo de boca aberta aquele inferno, disse que tudo bem, conseguia o quarto solicitado e de repente ficou fluente em portunhol, até entendeu que o “entuche” falado pelo Fábio, correspondia a “enchufe”, e explicou: “es la parte macho de uma conexión eléctrica”. E o Estadão não atrasou o fechamento.

Site novo!

Olá pessoal!

Como vocês já devem ter notado, o site Masquemario.net está de cara nova, pois já estava na hora de renovar.

Além do visual novo, eu atualizei e deixei mais leve e enxuto meu portifólio e também disponibilizei algumas HQs que foram na publicadas na Front e na EntreQuadros. Disponibilizei ainda uma prévia de uma HQ inédita da próxima edição da EntreQuadros que será lançada no começo do ano que vem.

E agora é mãos à obra que tem muita pra fazer!