Site novo!

Finalmente tomei vergonha na cara e atualizei meu site!

Espero que gostem da carinha nova dele!

E decidi estender a promoção na lojinha até o fim da pandemia! Aproveitem!

Sob a luz do arco-íris

A Editora Skript me convidou para organizar uma coletânea de histórias em quadrinhos de autores LGBTQ+ que iremos lançar na próxima edição da POC CON.

Reuni alguns talentos da cena LGBTQ+ de quadrinhos brasileiros e assim está nascendo “Sob a luz do arco-íris”.

A capa ficou por conta de ninguém mais ninguém menos que a talentosíssima Renata Nolasco. Confiram abaixo a lindeza que ficou!

Participam da coletânea:
Adri A.
Caio Yo e Guilherme Smee
Ellie Irineu
Chairim Arrais
Johncito
Luiza Lemos
Mário César (este que vos fala) e Rafael Bastos Reis
Raquel Vitorelo
Sasyk
Yuri Amaral

Confiram uma prévia de algumas HQs!

Drama, humor, realismo e fantasia em uma variedade de traços e estilos que demonstram a força e o talento da diversidade.
Editada por Mário César, finalista do prêmio Jabuti e três vezes vencedor do Troféu HQ Mix, co-criador e organizador da Poc ConFeira LGBTQ+ de Quadrinhos e Artes Gráficas.

O livro está em pré-venda no Catarse! Não deixem de apoiar em https://www.catarse.me/sobaluz

FIQ! BH e pré-venda de Bendita Cura

Já com saudades do FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos e de Belo Horizonte 

Longa vida a um dos eventos mais importantes dos quadrinhos nacionais!

BENDITA CURA não foi entregue a tempo para o evento, mas já está em pré-venda na lojinha do site. A previsão de entrega da gráfica é pro dia 13/06.

Por conta do atraso da entrega do livro, estendi o frete gratuito até o final de junho!

Outros títulos estão com mega desconto na loja também! Aproveitem!

“Não existem super-heróis na vida real” de R$ 56,00 por R$ 40,00

“Púrpura” de R$ 42,00 por R$ 30,00

BANG! Palestras e bate-papos

A partir deste sábado começam as palestras e bate-papos de BANG!, evento de quadrinhos que estou ajudando a organizar.

A primeira palestra será com ninguém menos que o renomado Lourenço Mutarelli.

Mutarelli é autor de histórias em quadrinhos, escritor, ator e dramaturgo. Um dos mais prestigiados autores nacionais, começou sua carreira nos anos 80 criando fanzines e publicando na lendária revista Animal. Lançou diversos títulos importantes como a tetralogia do detetive Diomendes, O Cheiro do Ralo, Caixa de Areia e Transubstanciação pela editora Devir. Alcançou um reconhecimento ainda maior ao migrar para o teatro e a literatura, já tendo inclusive obras adaptadas para  cinema e teatro. Atualmente é autor da Cia das Letras por onde já lançou livros como A Arte de Produzir Efeito Sem Causa, Miguel e os Demônios e Nada me Faltará.

Os bate-papos são gratuitos e as vagas são limitadas. A inscrição deverá ser feita através do e-mail: bang@telstarhostels.com.br

[Atualização]

Os autores Daniel Esteves e Mario Cau tiveram que mudar as datas de suas participações. Desta forma, Daniel Esteves participará do dia 18/05 e Mario Cau estará presente no dia 11/05. A programação fica assim:

27/04 – 16h – Palestra com Lourenço Mutarelli
04/05 – 16h – Palestra com Fernando Gonsales
11/05 – 16h – Bate-papo com Spacca, André Diniz, Mario Cau, Marcelo D’Salete e Dalton Soares
18/05 – 16h – Bate-papo com Mário César, Laudo Ferreira Jr., Omar Viñole, D.W. Ribatski, Daniel Esteves, Paulo Crumbim e Cristina Eiko

[Fim da atualização]

Nanquim, Som & Fúria # 41

Edward Droste – Grizzly Bear

De uns anos para cá, tantos artistas e bandas tem emergido do Brooklyn que tem se comparado o atual momento com a efervescência cultural nova-iorquinha da década 1970 de Velvet Underground, Lou Reed, Television, Blondie, Patti Smith e cia. E o Grizzly Bear é uma dos grandes expoentes dessa cena. A banda começou como um projeto solo do vocalista Edward Droste e apenas no segundo trabalho (Yellow House, 2006) adquiriu a formação de quarteto que mantém até hoje. Seu som é mescla instrumentação tradicional e eletrônica e usa bastante harmonias vocais. Seus discos mais recentes, Veckatimest (2009) e Shields(2012), estão entre os melhores lançamentos dos últimos anos. Receberam elogios rasgados até de Jonny Greenwood, do Radiohead, uma das referências mais fortes para o Grizzly Bear. Eles se apresentam no Cine Jóia em São Paulo no dia 03 de fevereiro.

Nanquim, Som & Fúria #27

Curumin

Curumin

Um dos músicos mais requisitados na música brasileira atualmente, Curumin é cantor, compositor e multiinstrumentista virtuoso (consegue até tocar bateria e cantar ao mesmo sem perder o fôlego). Ele faz parte de uma turma que tem renovado a música brasileira nos últimos anos como Céu, Lucas Santtana, Marcelo Jeneci, Cidadão Instigado, Guizado, Karina Buhr, Wado, Kassin e Tulipa Ruiz só para citar alguns. Em seu trabalho solo, Curumin aglomera elementos tradicionais da MPB e da música negra norte-americana a sonoridades mais contemporâneas. E faz isso de forma muito orgânica, sem forçar a barra pra parecer moderno. Assim como outros artistas de sua geração, ele não se restringe a pré-definições de gêneros musicais. Compreende que a música vai muito além disso e até por isso fica difícil classificar seu tipo de som. Já tem três grandes discos solo no currículo, sendo o mais recente, ‘Arrocha’, lançado este ano. Um dos principais lançamentos nacionais deste ano e que tem uma sonoridade mais urbana e pesada que seus trabalhos anteriores. ‘Arrocha’ pode ser ouvido na íntrega no Soundcloud do cara, confiram:

Essa Coca é Fanta

Charge para o Jornalistas & Cia

História enviada por  Sandro Villar, correspondente do Estadão em Presidente Prudente.

“Tem sujeito que não pode ver um rabo de saia que logo dá um jeito de se aproximar da mulher, sem medir as conseqüências. Um cara assanhado – ou tarado mesmo –, quando se trata de saia, só dispensa padre e escocês. Mas, dependendo do modelo da batina e da saia, padre e escocês também correm risco. Um famoso colunista de jornal tinha fama de Casanova, embora já fosse Casavelha. Sabem como é: a idade chega para todos, exceto para a Vera Fischer. Seu nome e o veículo serão preservados por motivos óbvios. Ele – o colunista em questão – não podia ver mulher, ficava ouriçado e partia para a conquista. Como aquela vez no centro de São Paulo, depois de almoçar com diretores do jornal onde escrevia e onde desfrutava de enorme prestígio. Encurtando conversa: o nosso herói tinha um Ibope alto, quer dizer, era muito lido pelos leitores.

Depois do almoço num restaurante chique da avenida São Luiz, que não sei se ainda existe, Dodô (chamemo-lo assim) se despediu dos diretores e foi dar uma volta pelo centro para fazer a digestão. Logo depois de entrar na avenida Ipiranga, deu de cara com uma baita loira, tipo Kim Novak, para os mais velhos, ou tipo Kim Bassinger, para a moçada contemporânea. Comparações não interessam muito nessa narrativa, mas que a mulher era de fechar o comércio e a indústria lá isso era. Ou mais que isso: era dessas de fazer rei abdicar e pastor abandonar o púlpito. Não só Dodô como também qualquer homem, seja metrossexual ou centimetrossexual (já tem isso?), tentaria conquistar a loira em questão.

Como não era bobo nem nada, ele percebeu que ela, apesar de não ser gandula, tinha dado bola e a maior trela. “Essa está no papo”, deve ter pensado. Dodô se aproximou, puxou conversa e, papo vai papo vem, confirmou que a moça estava mesmo no papo. A mulher não fazia o gênero loira burra. Ao contrário, ela sabia das coisas e estava por dentro dos acontecimentos. Ficou encantada quando Dodô se identificou e, para espanto dele, ela o lia no jornal. Na verdade, o colunista conheceu uma fã de carteirinha, o que facilitou a conquista. Depois de uns dez minutos de prosa, ele fez a proposta nada indecente. Convidou-a para passar umas horas num drive-in que ficava em Interlagos. E aqui cabe um esclarecimento necessário: naquela época ainda não havia motéis em São Paulo, e conquistador que não tinha apartamento levava a mulher ao drive-in.

Com o “sim” dela, concordando com o chamado hoje em dia de sexo consensual, Dodô ligou o carro e lá foi o casal desfrutar de umas horas de prazer. Assim que entrou no drive-in, Dodô esclareceu à moça que não podia ficar a tarde toda com ela, já que precisava voltar ao jornal para escrever o artigo do dia seguinte. Aí veio a atendente e colocou, em cada porta do carro, as bandejas dos drinques e salgadinhos. E depois? Bem, aí a cuíca começou a roncar. Houve as preliminares de praxe, com mil beijos (está bem, deixo por 999) e amassos.

Mas, na hora do pega pra capar, Dodô teve uma surpresa desagradável, assim como os americanos tiveram em Falujah, no Iraque. Ao pôr a mão na Zona do Agrião, ele apalpou um “taco” ou uma “caixa de câmbio”, se vocês preferem tais epítetos para o bilau. Em suma, meus cupinchas: a “mulher” era um travesti. Transtornado, fora de si, ele enxotou o travesti, deu ré e saiu em disparada do drive-in sem pagar a conta. Só que, ao passar pela avenida Interlagos, notou que os transeuntes olhavam para o carro e davam sonoras gargalhadas. Em suma: as pessoas morriam de rir. É que, na confusão, Dodô se esqueceu de retirar as bandejas e, com o equipamento, o automóvel parecia um avião prestes a decolar. Só depois de andar um bom trecho é que ele percebeu a mancada. Parou o carro, jogou as bandejas fora e foi para o jornal. Contou o episódio a um primo e, segundo o parente, Dodô está menos assanhado, mesmo que dele se aproxime uma loiraça, como aquela da avenida Ipiranga. Afinal, as aparências enganam e “ela” pode ser ele, que ainda não fez operação para mudar de sexo.”

O foca e o incêndio

Charge para o Jornalistas & Cia

Inspirado pela colaboração de Plinio Vicente da Silva, a respeito do início de carreira de Zequinha Neto, Cláudio Amaral sentiu-se motivado a escrever sobre uma mancada em seu primeiro ano como repórter do Estadão, em São Paulo.

Corria o ano de 1972 e Cláudio havia chegado à Capital havia poucos meses, vindo de Marília e de Campinas. Em Marília e em Campinas cobria todos os assuntos: de esportes (futebol, basquete e tênis, principalmente) a prefeitura, de militares a câmara de vereadores. E não tinha carga horária definida. Entrava de cabeça às 8h e não havia previsão de hora para encerrar o dia.

Em São Paulo, não. Na capital cada repórter tinha a sua área: Esportes ou Local ou Economia ou Cultura. Mas a carga horária era igual: das 8h ao fim do expediente do jornal. Por conta disso, em sua pauta pessoal os chefes (Ludemberg Góes, Clóvis Rossi, Raul Martins Bastos e Ricardo Kotscho) escreviam três itens, pelo menos: pela manhã, Palmeiras (ou, eventualmente, São Paulo Futebol Clube); à tarde, Juventus (ou Nacional); no fim da tarde, Federação Paulista de Futebol.

Foi assim que Cláudio conheceu Osvaldo Brandão, Leão, Luiz Pereira, Dudu, Ademir da Guia, Cesar “Maluco”, Leivinha… no Palmeiras, cujo repórter titular era o meu amigo Alfacinha, hoje o famoso Reginaldo Leme. No SPFC, conheci e entrevistei Gerson (o “canhotinha de ouro”), o goleador Toninho “Guerreiro”, Edson, Gilberto “Sorriso”, Gino Orlando (na época, administrador do Estádio do Morumbi). Na Federação Paulista de Futebol, o presidente da minha época era nada menos que o “Marechal da Vitória”, Paulo Machado de Carvalho; e o superintende geral, o jornalista Álvaro Paes Leme de Abreu (São Paulo, 31/8/1912/ – 1/9/1984), fundador da Escola de Árbitros da entidade e pai do nosso hoje companheiro Álvaro José Paes Leme (TV Record).

Paes Leme, o pai, era um homem grande, corpulento. Tinha uma voz forte e sabia impor sua autoridade a todos nós. Até porque conhecia como poucos todas as nuances do Jornalismo, da reportagem à edição final. Havia sido, entre outros, um dos profissionais mais respeitados na redação da Última Hora dos anos 1960. Mais: fora comentarista da Jovem Pan e da TV Record.

Quase todos os finais de tardes, início das noites, Paes Leme ia visitar a sala de imprensa da FPF. Passava informações e comentava os fatos futebolísticos do dia. Com autoridade e conhecimentos privilegiados. Exatamente no dia 24 de fevereiro de 1972, ele apareceu para anunciar que não haveria jogo naquele dia no Estádio do Pacaembu. A partida fora cancelada, disse, com sua voz inigualável. Houve um grande incêndio na região central de São Paulo e o gramado do Pacaembu havia sido requisitado para pouso e decolagem de helicópteros que faziam o regaste das vitimas.

Ai Cláudio entrou em ação, em vez de ficar de boca fechada. Novato, inexperiente, disparou: “Só por isso não haverá jogo hoje no Pacaembu, mestre?”

Ele imediatamente lhe levou à lona, a nocaute, com um berro que deve ter sido ouvido ao longo de boa parte da avenida Brigadeiro Luiz Antônio, onde ficava a sede da FPF:

– Mas, porra, velho, você acha isso pouco?!”

Cláudio botou sua viola no saco e saiu com o rabo entre as pernas.

Cláudio saiu do prédio da Federação e foi se juntar às milhares de pessoas que caminhavam pelas calçadas e entre as centenas de veículos (carros e ônibus) que congestionavam as vias públicas.

Foi andando até o Estadão, na rua Major Quedinho, distante cerca de três quilômetros. Escreveu rapidinho suas reportagens e foi auxiliar os repórteres que cobriam o incêndio do Edifício Andraus, na esquina da avenida São João com a rua Pedro Américo.

O chefe da Reportagem Geral, A. P. Quartim de Moraes, o escalou para uma das piores missões que eu poderia enfrentar: acompanhar a chegada dos corpos das vitimas do Andraus e entrevistar os parentes no Instituto Médico Legal, junto do Hospital das Clínicas. Foi terrível. Não estava habituado a conviver tão de perto com a morte, quando mais com muitas mortes, corpos carbonizados e parentes desesperados. Foi uma de suas piores noites como jornalista.

Em tempo: no incêndio do Andraus morreram 16 pessoas e 330 ficaram feridas.