Bola quadrada, pé furado

Charge para o Jornalistas & Cia

 

Na redação do Estadão, no final da década de 1970, o pessoal fazia algumas brincadeiras para ajudar a aliviar o stress do corre-corre dos fechamentos. Um destas brincadeira consistia em pegar uma lista telefônica, embrulha-la com folhas de jornal e transformá-la em’bolas’ de futebol. Quando alguém chegava da rua era então apanhado de surpresa com o grito: “Lá vai bola!!!!”. E tinha que se virar para devolver de primeira ou esquivar-se para evitar a pancada.

Numa certa noite, a brincadeira virou desgraça.

Renato Lombardi chegou da rua com o seu material de polícia e foi discuti-lo com Luiz Carlos Ramos, o “Barriga”. Terminada a conversa, ele caminhou para sua mesa a fim de escrever a matéria. Àquela altura, dois jornaslitas, Chico Ornellas e Julinho Mesquita, já estavam posicionados ao lado do armário, conversando dissimuladamente. Quando “Lomba”, vítima costumeira da dupla, chegou perto, viu o embrulho voar na sua direção. Não teve dúvidas. Recorreu ao sua habilidade como centroavante do time da redação e tratou de devolver o torpedo com uma vigorosa bicuda. Resultado do desastre: seu sapato de camurça atravessou a redação e derrubou tudo que aparecia em sua frente…

Ilha da Trindade

Há algum tempo venho desenvolvendo para a Marinha do Brasil uma hitória em quadrinhos para uma cartilha educativa sobre a Ilha da Trindade e o Arquipélago Martin Vaz. O trabalho se encontra na fase final agora e futuramente será distribuida gratuitamente em escolas para informar a criançada sobre o lugar onde o sol ilumina primeiro o Brasil que também é o maior berçário de tartarugas verdes do mundo, a Amazônia Azul e a construção da Estação Científica ECIT.

Seguem abaixo algumas imagens deste trabalho:

O grande furo

Charge para o Jornalistas & Cia

Em 1979, Marco Rossi trabalhava no jornal O Dia, de São Paulo, um diário criado por Adhemar de Barros nos idos dos anos 50, e que já tivera seus dias de glória. Na época, o jornal mantinha bravamente a sua periodicidade, mas tinha uma redação bem enxuta. Na verdade, eram dois: Rossi – o foca – e o editor Luís Feite Mota, que também trabalhava como repórter-fotográfico na Secretaria dos Transportes do Estado de São Paulo.

O diretor, Augusto de Oliveira, ex-chefe de impressão do jornal de Adhemar de Barros, tinha lá suas ligações com o então recém-eleito (pelo Colégio Eleitoral) governador Paulo Maluf. E foi por conta dessa relação que Rossi acabou escalado para cobrir um Governo Itinerante que tinha como destino a cidade de Presidente Prudente, no Oeste paulista.

Para quem não sabe, a ideia do Governo Itinerante até que era interessante; consistia na transferência do Governo do Estado, com todos os seus secretários, para uma grande cidade do interior e ali, por dois ou três dias, todos os prefeitos da região eram recebidos e despachavam suas demandas diretamente com as autoridades da comitiva. O transporte utilizado à época era o trem e como a imprensa convidada para a cobertura seguia com despesas pagas pelo Governo, o projeto acabou apelidado, pela própria imprensa, de “Trem da Alegria”.

Mas o detalhe desta ida para Presidente Prudente era que o diretor, Augusto de Oliveira, amigo do governador (ora bolas!), seguiria com Rossi. Responsabilidade dobrada.

Em vez de usar bloco e caneta, como a maioria dos seus colegas de jornalismo impresso, Rossi preferiu lançar mão de um gravador! Um espetáculo da tecnologia, mas naquela época nada prático, pois era grande e pesado, apesar de ser chamado de “portátil”. O microfone era ligado ao aparelho por um fio bem curtinho, o que significa dizer que para ter os detalhes dos discursos do governador Maluf Rossi se via diante do dilema de ou prender a mala entre as pernas, segurar o gravador com uma mão e o microfone com a outra, enquanto se equilibrava no meio de uma multidão (sim, porque a cada parada juntava-se uma multidão de pessoas em torno dele), ou largava tudo para trás e se concentrava em manter-se em pé, segurando apenas o gravador e o microfone (aquele de fio curtinho). Em qualquer dos casos era um desafio daqueles para um pobre foca, tanto é que quase nada conseguiu gravar dos pronunciamentos do governador naquelas concorridas e espremidas paradas.

No caminho de volta para São Paulo, Rossi soube, nos bastidores do restaurante do trem, que o governador faria uma última parada, não programada, na cidade de Lins! Ali estava seu primeiro furo de reportagem: ficou sabendo antes de todos daquela parada, quando certamente haveria mais um concorrido discurso. Eele precisava traçar uma estratégia que o colocasse ao lado do governador, quase que pregado nele, e antes de todos os seus colegas que até ali viajavam distraída e confortavelmente no vagão dos jornalistas. Daí veio a ideia: quando o trem começasse a parar na estação, ele desceria na plataforma, com o trem ainda em movimento, e se colocaria diante da porta do último vagão, o do governador. Assim, quando a porta se abrisse, lá estaria Rossi, ao lado do Maluf, pronto para gravar todas as suas palavras além do “meus queridos amigos da cidade de Lins”. Preparei seu tijolinho – vulgo gravador – e quando o trem se aproximava da estação se posicionou ao lado da porta do vagão onde estavam dois seguranças da Fepasa (Ferrovias Paulistas S.A.).

Era um momento de grande tensão, o primeiro furo da vida de Rossi… e foi! Com o trem quase parando, virou para um dos seguranças e perguntou: “E aí? Dá pra descer?”. No que ele respondeu: “Dá sim, mas cuidado para não cair”. Com a assertividade de um repórter investigativo, foi direto e firme: “Pode deixar…” E colocou o pé na plataforma…. aliás, o pé errado e acabou levando um baita tombo – ele e o seu gravador (aquele do fio curtinho) – rolando por metros afora, como um charutinho!

Quando se levantou, obviamente com o sapato todo esfolado e a calça rasgada no joelho, o trem já havia parado, o governador havia descido e aquela tal multidão, que eu nunca havia conseguido romper, já estava à volta do Maluf.

Sr. Franqueza

Charge para o Jornalistas & Cia

A charge desta semana é sobre Arlindo Piva, que faleceu aos 76 anos no ano passado.

Defini-lo como excêntrico, estranho, irritadiço, intempestivo é revelar meias verdades. Era tudo isso e muito mais. Não teve estudo formal, mas sabia mais sobre as coisas da vida do que muito graduado. Repórter de Turismo da Folha de S.Paulo, viajou o mundo inteiro e de cada canto trouxe casos que encheriam páginas e páginas. Jazz era sua paixão, tocava violão como poucos, mas só para consumo interno e para conquistar mulheres, que o adoravam. Seu incrível ouvido musical era capaz de perceber desafinação até mesmo em Miles Davis, seu ídolo supremo.

Mas talvez sua maior qualidade ou falta dela tenha sido a franqueza, tão espontânea, inesperada e contundente que sempre embaraçava as almas mais delicadas, e até as mais calejadas. Ao chegar para um jogo de dados ao apartamento de um amigo, jornalista e professor na USP, espantou-se com o tamanho do local e, diante da dona da casa, que acabara de conhecer, disse: “Jornalista honesto não pode ter um apartamento como este”.

Sua franqueza teve o momento mais alto, e desastroso, quando, funcionário de imprensa do Governo de São Paulo, acompanhou o governador a uma viagem a Porto Alegre. Depois do coquetel e do discurso final, na saída todos saúdam o governador paulista. Arlindo e o fotógrafo Gil Passarelli, acompanhando tudo, e este, para “fazer média”, diz: “Belo discurso, governador.”

Mas antes da reação do homem procurou a opinião do amigo, e perguntou: “Não é mesmo, Arlindo?” Na frente de todos, Arlindo não se omitiu, e disparou: “Foi bom sim, governador, mas o senhor erra muito no português”.

Perdeu o emprego no palácio, mas não a franqueza, que continuou como sua marca registrada, divertindo e embaraçando amigos e desconhecidos.

Os Pequenos Heróis vem aí!

Um projeto que venho desenvolvendo há um bom tempo junto com o Estevão Ribeiro (Hector e Afonso – Os passarinhos) está finalmente para sair. Trata-se de Pequenos Heróis, uma espécie de homenagem ao gênero de super-heróis onde conseguimos juntar um timaço de novos autores brasileiros.

A belíssima capa abaixo é assinada pelo gente boníssima Davi Calil (MAD) com quem tive o prazer de ter aula na Quanta Academia de Artes e o prefácio do livro foi escrito por ninguém menos que o Sidney Gusman (UniversoHQ, Turma da Monica).

Em um dos mais belos tributos ao gênero de super-heróis já feito no Brasil, personagêns icônicos que há décadas encantam tanto crianças quanto adultos como Super-Homem, Batman, Mulher Maravilha, Lanterna Verde, Aquaman, Flash, Caçador de Marte e Canário Negro tem sua bravura e grandeza representados em singelas epopéias.

Sem usar uma única palavra sequer nas histórias, Pequenos Heróis mostra como o heroismo pode emergir das ações mais pequenas quando seus valores são tão épicos quanto as grandes realizações dos antigos heróis gregos ou dos super-heróis modernos.

Concebido, roteirizado e editado por Estevão Ribeiro (Hector e Afonso – Os Passarinhos) e co-editado por Mário César (EntreQuadros), que também ilustrou uma das histórias, o álbum conta com a colaboração de novos talentos dos quadrinhos brasileiros como: Vítor Cafaggi (Punny Parker, Valente), Davi Calil (MAD), Raphael Salimena (Linha do Trem, MAD), Fernanda Chiella (In Her Darkest Hour), Jaum (Viajante Jaum), Ricardo Leite (Destino Oeste), Dandi, Emerson Lopes (Laborcine Digital) e Leo Finocchi (Nem Morto).

O heroismo brota em histórias sobre um garoto que resgata a pipa que acabara de fazer para seu irmão caçula, um glorioso rei do mar tentando salvar alguém de um afogamento, uma iluminada tropa de amigos que faz de tudo para não deixar uma amiga solitária, uma relação de amor e ódio entre duas irmãs, um corajoso cavaleiro nigeriano que luta contra uma fera indomável, um valente e solitário garoto com uma peculiar anomalia, um destemido corredor tentando conquistar o coração de uma garota e uma elétrica garotinha salvando o dia com sua estridente voz.

O álbum tem previsão de lançamento para setembro pela editora Devir.

Formato 16x23cm, 104 páginas, colorido, preço indefinido.

Chuta que é macumba!

Charge para o Jornalistas & Cia

Era meados de 1984 e delegações de jornalistas do interior de São Paulo participavam em Presidente Prudente do tradicional encontro anual organizado pelo Sindicato dos Jornalistas, à época dirigido por Gabriel Romeiro, que era, como é até hoje, do Globo Rural. Daquela diretoria participavam Luís Nassif, Joelmir Beting, Juarez Soares, José Paulo Kupfer, Vicente Alessi Filho, Fátima Turci, Samuel Iavelberg, Mara Ziravello, Sérgio Sister e Paulo Ribeiro, entre outros. A oposição havia vencido as eleições para o Sindicato, sob a bandeira da CUT, numa dura disputa contra a chapa de situação liderada por Almyr Gajardoni (hoje na Imprensa Oficial do Estado de São Paulo), que teve o apoio de nomes como Audálio Dantas, Lu Fernandes e muitos outros colegas.

Aquele era, salvo engano, o primeiro encontro do interior organizado por aquela diretoria e estavam todos com fôlego novo e muita disposição para fazer um trabalho que justificasse os votos recebidos da categoria. O encontro estava superconcorrido e foi prestigiado por alguns diretores e também pelo então presidente da Fenaj, Armando Rollemberg.

Depois de tensos debates, as noites serviam para relaxar. Numa delas, num dos bares da cidade, reuniu-se numa mesa um pequeno grupo, entre os quais estava Laila, uma jovem recém-formada que morava em São José dos Campos e ali estava muito mais para aprender e conhecer pessoas do que propriamente para participar dos debates. O grupo começou a inventar histórias e quanto mais inverossímeis a história, mais eles a aumentavam. Foi quando chegou à mesa Júlio de Grammont (já falecido) e pôs ainda mais tempero nas histórias, para deleite geral.

Laila, na sua ingenuidade, não entendia porque riam tanto, mas em nenhum momento deu pinta de que achasse tudo aquilo mentira. Fazia como os “escadas” para os humoristas, dando corda para que as histórias ficassem sempre mais engraçadas. De nossa parte, além das brincadeiras, queriam atraí-la para a sua base, evitando que pudesse ser eleitora da oposição.

A história que mais deixou Laila atônita foi iniciada por Julinho (um impressionante cara-de-pau e exímio contador de causos) e complementada aqui e ali pelos outros integrantes da mesa. Versava sobre as “verdadeiras” razões da vitória nas eleições sindicais.

Disse ele: “Laila, não fomos nós que ganhamos as eleições, mas eles que perderam. Nós sabíamos que seria muito difícil, pra não dizer impossível, ganhar. Sem chances, decidimos apelar para o sobrenatural e encomendamos uma macumba das bravas para ajudar o nosso lado e prejudicar o lado deles. Numa sexta-feira, 13, lá fomos todos nós para uma encruzilhada, com muita cachaça, charutos, fitinhas, bonequinhos representando a oposição espetados e um frango preto, para sacrificar à meia-noite”.

Laila: “Credo em cruz, isso não pode ser verdade! Quer dizer que vocês ganharam por causa da macumba?”.

Julinho, tentando manter a seriedade, no meio de um turbilhão de gargalhadas, passou a palavra ao Paulão Ribeiro, que emendou, sem nada ter sido combinado: “Não, Laila, na verdade fizemos o despacho para ganhar as eleições, mas as entidades nos disseram que nem com reza brava ganharíamos. Que era para nos conformarmos e nos prepararmos para os próximos anos”.

Laila: “Isso só pode ser brincadeira. Estão querendo tirar uma com a minha cara!!! Se nem a macumba resolvia, o que é que aconteceu afinal?”.

Aí entrou em cena o Vasco: “Sabe, menina, viramos o jogo por acaso. Foi obra do além. Só pode ter sido. Algum espião, que até hoje não sabemos quem é, foi bater para os caras da situação que nós havíamos feito esse despacho para derrotá-los e aí eles enlouqueceram”.

Laila: “Eu não acredito numa coisa dessas!!!”.

Vasco: “Espera um pouquinho, eu não acabei a história. Isso foi ainda naquela mesma madrugada e quando eles souberam da macumba mobilizaram o Almyr Gajardoni, o Audálio Dantas e outros colegas da chapa de situação e foram imediatamente para o local da encruzilhada. Não prestou. Foi um arraso. Era o Audálio chutando o frango, o Almyr despedaçando os charutos, a Lu quebrando enlouquecida as garrafas de cachaça… Quando fomos lá, no dia seguinte, para conferir (porque também tínhamos a nossa contraespionagem) dava até dó de ver penas, cacos e tabaco para todo lado. Parecia a guerra do Vietnã em plena capital paulista. Aí pensamos: se havia alguma esperança de ganhar a eleição, ela se acabava ali, para nossa desgraça”.

Laila: “Gente, não acredito. O Audálio chutando frango, a Lu …”.

Aí novamente entrou em cena o cinismo bem-humorado do Julinho, para arrematar: “A eleição estava perdida para nós, Laila, com macumba e tudo. Mas aí veio a ajuda divina. Revoltados com a agressão, as entidades decidiram agir em nosso favor e viraram a eleição”.

Laila: “Alto lá, companheiro!! Isso não pode ser coisa de jornalista!”.

Julinho: “Tanto pode que hoje estamos aqui, são e salvos, realizando esse encontro e conversando com você. E se aqui estamos, devemos aos chutes e tapas dados no nosso humilde despacho por Almyr, Audálio, Lu e companhia. Eles desafiaram o sobrenatural e pagaram caro por isso”.

Nunca foi desmentida essa história, que rendeu gargalhadas por um bom tempo, praticamente durante todo o mandato de Gabriel – que, aliás, nem tomou conhecimento do episódio. Mas Laila, sóbria no dia seguinte, também não deve ter se lembrado de nada. Ou, se lembrou, deve ter dado boas gargalhadas com tanto besteirol.

Fotos do lançamento da EntreQuadros em Brasília

Muito obrigado a todos que compareceram e prestigiaram aos lançamentos da EntreQuadros – A Walk on the Wild Side em Brasília, obrigado também ao Restaurante Carpe Diem e à Kingdom Comics pelo apoio. Foi ótimo aproveitar um tempo com família e rever amigos de minha cidade natal.

Hoje foi confirmada a data do 22º Troféu HQ Mix para o qual a EntreQuadros foi indicada a Melhor publicação independente de autor.  A premiação será no dia 2 de setembro de 2010 às 20h00, uma quinta-feira, no Teatro do Sesc Pompéia. Anotem em suas agendas e não deixem de prestigiar. O evento é aberto ao público.

Seguem abaixo algumas fotos:


Autografando, autografando…


Ao lado da talentosa cantora Renata Jambeiro

Cadê a pizza?

Charge para o Jornalistas & Cia

No início dos anos 1990, época do boom do já hoje quase aposentado fax, a Agência Estado criou uma linha de produtos corporativos. Um deles era o NewsPaper, uma espécie de “edição da edição” dos jornais do dia e que existe até hoje. Para os clientes receberem a sinopse até às 8h da manhã, a equipe sempre trabalhou durante a madrugada. Exatamente em 1992, em uma noite fria como estas que têm feito, o time foi tomado por uma fome daquelas.

Naquele tempo, o prédio do Estadão era quase uma “ilha” no bairro do Limão, porque não existia comércio 24 horas no entorno. O jeito foi ligar para uma pizzaria que ficava na av. General Olímpio da Silveira, bem debaixo do Minhocão, do outro lado do rio Tietê, um dos poucos estabelecimentos abertos às 2h da manhã.

Feito o pedido e fornecido o endereço, foi enfatizado que o destino era o prédio do jornal O Estado de S.Paulo. Meia hora, 40 minutos e nada da pizza. Ligamos e o atendente informou que o pedido já estava a caminho. Mais uns 20 minutos e com todo mundo já ameaçando comer lauda, parede, porta e o que mais estivesse na frente, novo telefonema com um apelo desesperado: “Moço, pelo amor de Deus, cadê a pizza???”. Do outro lado, a resposta, enfática: “Já foi entregue !”. “Nós não recebemos. Onde o motoqueiro foi?”. “Na rua Barão de Limeira!”. “Nããããooo!! A pizza foi parar na Folha!!!”.

Resultado: naquela noite, todo mundo ficou com estômago “grudado nas costas”. E ninguém sabe, até hoje, quem comeu a redonda de marguerita e calabreza durante o trabalho noturno no jornal da família Frias.

Angústia

Charge para o Jornalistas & Cia

Era uma 6ª.feira, 1º de fevereiro de 1974, 9h da manhã, 36 anos atrás. A primeira notícia chegou à redação do Estadão, então no prédio da rua Major Quedinho, no centro de São Paulo, hoje ocupado pelo Hotel Jaraguá: havia um princípio de incêndio no Edifício Joelma. Ali perto, na Praça da Bandeira, início da avenida 9 de Julho. Sílvio Sanvito é quem abria a reportagem local, a partir da contrapauta deixada na noite anterior pelo editor Clóvis Rossi. Ricardo Kotscho, o chefe de Reportagem, finalizava a pauta para um grupo de menos de 20 repórteres.

O primeiro repórter foi a pé – era só atravessar o viaduto Jacareí para chegar ao local. Chegou e avisou que a coisa era séria, muito séria. Em pouco tempo, aos repórteres de Cidades uniram-se outros, das editorias de Esportes, Economia, Política. Uma força-tarefa que reuniu toda a Redação para cobrir a maior tragédia vivida por São Paulo: no final do dia – e do incêndio – haviam morrido 188 das cerca de 750 pessoas que estavam no prédio, 300 ficaram feridas.

Quando a edição começava a ser finalizada, já início da noite, alguém deu pela falta de um repórter. Ele não voltara e não se comunicara. Contatado, o Corpo de Bombeiros não tinha notícia. Ninguém sabia do repórter sumido.

A aflição durou quase uma hora, até que um chamuscado Sérgio Mota Mello (então iniciante repórter de Cidades, que depois seria correspondente da Rede Globo em Nova York, enviado especial a vários conflitos e hoje diretor da TV1) entrasse na Redação do Estadão trazendo um belíssimo texto de quem viu o incêndio por dentro.

Lançamento em Brasília da EntreQuadros – A Walk on the Wild Side

É com imenso prazer que lhes convido para os lançamentos no Restaurante Carpe Diem do Pier 21 e na Kingdom Comics da nova EntreQuadros, recentemente indicada ao Troféu HQ Mix de Melhor Publicação Independente de Autor.

 

Dia 24 de Junho
Restaurante Carpe Diem do Pier 21
Pier 21 – Brasília – DF
A Partir das 19h
 
Dia 26 de Junho
Kingdom Comics
SDS 24 – Brasília – DF
Das 16h às 18h

A edição tem duas HQs: Wake Up, adaptação de um texto de Nick Farewell, autor do romance GO, e A Walk on the Wild Side, que dá nome ao livro e é inspirada em um conto de Pedro Cirne, jornalista da Folha de S. Paulo e do UOL.
 
Wake Up já chegou a ser publicada (em inglês) no site da editora norte-americana TopShelf, a mesma de excelentes autores como Alan Moore (Watchmen, Lost Girls), Alex Robinson (Fracasso de público), Eddie Campbell (Do inferno), Craig Thompson (Retalhos), Rich Koslowski (Três dedos) entre tantos outros. Já A Walk on The Wild Side estreia aqui, em grande estilo.
 
EntreQuadros – A Walk on the Wild Side tem 36 páginas coloridas no formato 14×21cm. A Balão Editorial estreou recentemente com o livro Hector & Afonso – Os Passarinhos, de Estevão Ribeiro, parceiro de longa data, idealizador e roteirista do projeto Pequenos Heróis o qual, além de ilustrar uma das HQs, estou co-editando. EntreQuadros – A Walk on the Wild Side é o segundo título da editora.