Capas de livros para a editora Lua de Papel do grupo Leya.



Quadrinista e organizador da POC CON
Charge para o Jornalistas & Cia

O memórias da redação desta semana tem um tom mais saudosista do que humorístico. O texto é de Plínio Vicente da Silva.
“Pavarotti, Chitãozinho e Xororó
Não sei se foi por fazer bem o que fiz, mas tenho cá comigo que é pelo respeito que sempre dediquei aos animais e às plantas que venho merecendo repetidamente as graças da natureza. Talvez também por isso, desde pequenininho tenho mantido com ela uma relação de trocas, cujos resultados têm ficado no meio a meio: eu ganho, ela ganha. Na infância e juventude por certo ela tolerava meus deslizes: de família pobre, morando no mato, pescava e caçava estritamente para levar pra casa a proteína animal que não dava pra comprar no açougue ou no armazém da vila; por certo também aprova até hoje, quando já vou pela terceira idade, as minhas mesmas virtudes: não aprisiono nem passarinhos nem quaisquer animais. Luto para vê-los livres a fim de poderem me saudar todas as manhãs.
Sou grato por essa relação continuar assim ainda hoje, mais de meio século depois. Mesmo morando num ambiente tipicamente urbano, a vantagem é que aqui, não muito longe, tenho rios e floresta me rodeando e faço dos pássaros meus hóspedes nas fruteiras do quintal. Além deles, vez ou outra alimento pequenos animais, como uma cutia curiosa e a família de tamaris (saguis pretos), ela que constantemente vem à porta da minha casa, eles que vêm de passagem, passeando de copa em copa pelas árvores dos quintais. Mas os passarinhos, ah! os passarinhos… São tantos e tão diversos: sabiás, sanhaços, sanhaçus, sanhaçuíras, corrupiões, cardeais, tucanos, bem-te-vis, araras, aratingas, jandaias, papagaios, maritacas, periquitos, rolinhas, sebinhos, corruíras, cardeais, canários…
Um deles em especial me leva a viajar pelas memórias do passado, quando também na infância fazia dos canários-da-terra e canários-do-reino companheiros de todas as manhãs. Bem cedinho, ao nascer do sol, eles vinham disputar o desjejum – alpiste, ovo cozido e alface – que eu lhes deixava numa cumbuquinha de meia cabaça pendurada sob o telhado do velho forno caipira.
Além dos animais, os rios também sempre fizeram parte da minha vida. Limpos ou sujos. Na primeira infância, o Jacaré, em Nova Europa; depois, até a juventude, o Moji Guaçu, em Guatapará, então limpo e piscoso. Junto com eles vinham os pássaros, muitos deles cantores que me enlevavam e me faziam imaginar como a vida pode ser tão bela com eles e tão vazia sem eles.
Também lá na juventude, enquanto as tardes quentes iam ganhando o frescor da brisa que soprava na boca da noite, rádio de pilhas ligado nas ondas curtas da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, eu me entregava a um dos meus prazeres: entreouvir as aventuras de Jerônimo, o herói do sertão com os últimos trilados dos nhambus. Cantos que vinham das palhadas das roças da fazenda, onde, em meio à juquira, eles comiam os grãos espalhados pelo resto perdido da safra recém-colhida.
Tudo isso ficou lá longe quando fui embora pra cidade grande. Em vez do Moji Guaçu, com suas águas cristalinas, encontrei o Jundiai, um esgoto a céu aberto. Em vez da companhia dos nhambus e canarinhos, pardais e pombos; em vez de trilados e trinares melodiosos, pios e arrulhos sem graça nenhuma.
Quando cheguei à redação do Estadão, no final dos anos 70 do século passado, ganhei a companhia de outro rio, o Tietê, igualmente um esgoto a céu aberto. Aprisionado entre as paredes de concreto, aço e vidro, aos meus olhos a natureza se resumia a algumas plantas encravadas em vasos de jardim. Nada mais que isso. E então me senti órfão da liberdade. Nem mesmo quando saía às ruas conseguia encontrar algum vestígio do que deixara no interior. Em vez da mata que circundava o Moji Guaçu, com suas árvores imponentes – faveiros, jacarandás, jequitibás, timburis, copaíbas, perobas, ingazeiras e ipês –, resignava-me com a presença de algumas árvores ornamentais e nada mais além de mamoneiras e capinzais que se espalhavam na beira do rio.
Um dia, no meio do trabalho, por um motivo qualquer tive que ir à Produção. Era a nossa retaguarda, setor do jornal que cuidava de atender as necessidades operacionais da redação. Como, por exemplo, a expedição de requisições de fotógrafos e motoristas, a distribuição de pautas para sucursais e correspondentes, envio e recepção de informações que alimentavam o tráfego entre o interior e o exterior do jornal, entre outras atribuições.
Nas refeições do bandejão eu fizera amizade com pelo menos cinco daqueles que trabalhavam por lá: João Sampaio, Zeca, Antônio, Francisco e Ézio Sertorio, este um amigo especial. Contou-me recentemente que depois de se aposentar, foi brincar de marceneiro com um amigo, “pois a gente tem que fazer alguma para levar a vida antes que ela nos leve”. E me contou mais: “Estou morando na Vila Prudente, um bairro vizinho da Mooca (opa! Estados Unidos da Mooca), onde nasci. Melhor bairro do mundo. Só tem ‘oriundi’, capisci?” Capisco!!!
Ézio tornou-se uma pessoa especial na minha vida porque me fez reencontrar um personagem da minha infância, o canarinho. Ele tinha um que, mesmo preso numa gaiola pendurada no teto, passava o dia cantando. Às vezes cantava noite adentro enganado pelo alumiar das lâmpadas fluorescentes. Não era canário-da-terra, era do reino. Mirradinho, como lembra o Ézio, “cantava como um doido e por isso me deixava preocupado, pois o gogó do danado estufava como um balãozinho. Morreu de velho, com 14 anos”. Seu nome: Pavarotti.
A paixão do Ézio pelos passarinhos é a mesma que eu guardo na alma de menino do interior. A única diferença é que os meus viviam e vivem livres, os dele, aprisionados em gaiolas. Um ato perdoável, pois na selva de pedra só assim mesmo. Além do Pavarotti, Ézio teve outros pássaros. Como um mestiço campainha, 80% branco, com algumas penas pretas e porque era também um grande cantor recebeu nome de Xororó. Tempos depois ganhou outro, também muito bom de gogó e por isso foi batizado de Chitãozinho.
A coleção tinha ainda o Radamés, um corrupião – ou sofrê, como é conhecido no Nordeste. Veio bem antes dos canários. Bicho esperto, vivia livre em casa e até assobiava as primeiras notas do Hino Nacional. E o Chicão, pássaro-preto – ou vira-bosta –, também vivia solto. Gostava de desamarrar o cadarço dos sapatos das visitas. Ézio lembra bem dele: “O danado acabou fugindo quando mudamos para Mairiporã. Acho que por causa de um tiziu que vinha todos os dias provocá-lo. Preso na gaiola pra não incomodar as pessoas, se debatia feito louco na ânsia de querer pegar o invasor. Tanto fez que acabou afrouxando os arames, escapuliu, foi embora e nunca mais voltou”.
Hoje, vivendo aqui na pacata Boa Vista entre dois rios limpos e piscosos – Branco e Cauamé –, que emolduram um dos cenários mais bonitos da Amazônia, sou alegrado todos os dias, o dia todo, por uma ruma de amigos que frequentam as árvores do meu quintal. Aos poucos fui lhes dando os mesmos nomes que um dia o Ézio deu aos seus passarinhos. Ao canarinho, cujas penas brilham como ouro à luz do sol nascente, que ele recebe cantando sempre no ponto mais alto da palmeira acumã, dei o nome de Pavarotti; os dois sabiás, que fazem do ritual de flerte às fêmeas um interminável dueto na copa do caimbezeiro, são Chitãozinho e Xororó; ao bem-te-vi que vive a bicadas disputando os grãos de ração com meus poodles, chamo Chicão; por fim, como aqui também colecionei a amizade de um sofrê, justo então lhe dar o nome de Radamés.
De resto, como a felicidade nunca é completa, às vezes, nas tardes quentes de verão, quando o sol já vai se entregando aos braços do poente, me pego aguçando os ouvidos na direção das várzeas onde estão as lavouras irrigadas de arroz e as palhadas que sobraram da última colheita. Não sei se é obra da minha mais pura imaginação, que vai buscar recordações antigas, mas em meio ao silêncio, quebrado apenas pelo canto melancólico das cigarras agarradas aos troncos das sumaumeiras e castanheiras, pareço escutar o trilar trincado dos nhambus…”
Charge para o Jornalistas & Cia

História dessa semana é de Marco Antonio Rossi.
“Em mil novecentos e…. Bem, é melhor não entrar no detalhe do ano… Mas, num certo ponto da minha carreira de repórter, ainda no início dela, havia eu deixado redação do jornal O Dia, de São Paulo, para cumprir um breve período no badalado Jornal da Tarde, do Grupo Estado. Breve porque minha missão era a de cobrir as férias de um repórter da editoria de Economia, à época comandada por Luís Nassif.
Uau, que responsa! De uma hora para outra deixei a humilde redação da avenida Liberdade para ascender ao oitavo andar do edifício do Grupo Estado, junto da Ponte do Limão, resvalando em figurões como Ruy Mesquita, Fernando Mitre, meu quase homônimo Marco Antonio Rocha, Percival de Souza, o deslumbrado Leão Lobo e o meu chefe por um mês, Luís Nassif, à época considerado o “garoto revelação” do jornalismo de Economia.
Trabalhar naquele JT, creio, seria o mesmo que trabalhar num Google nos dias de hoje: gente pra lá de inteligente, criativa, ousada e jovem no jeito, nos trajes e nos sonhos. Respirava-se uma atmosfera modernista, era quase o estado d’arte. Tanto era assim que o pessoal do Estadão, mais sisudo e autista, olhava para a turma do JT com ar de distanciamento interplanetário, como se a gente fosse coisa do outro mundo. Mas, no fundo, nos respeitava.
Pois bem, lá estava eu, nos meus primeiros dias de Jornal da Tarde, obviamente louco para mostrar serviço e revelar todo o meu talento, uma verdadeira pedra preciosa, pronta para ser descoberta e lapidada. Como estreante no jornal, e ainda por cima forasteiro, as pautas a mim passadas eram, digamos, menos impactantes. Numa certa manhã, fui um dos primeiros a chegar á redação (o expediente começava por volta das 11h para os reles mortais) e Nassif já estava lá, envolto nas apurações do escândalo de plantão: o caso da Corretora Tieppo, que na época vinha sendo apurado por Silvio Vieira, uma espécie de Sherlock Holmes do JT, especializado em jornalismo investigativo. Para quem não se lembra do Caso Tieppo, esse foi o primeiro grande escândalo financeiro do Brasil, o nosso primeiro grande crime do colarinho branco. À época, a corretora presidida por José Mario Tieppo captava recursos de grandes investidores paulistas, nomes intocáveis e da mais ilibada reputação, para aplicar no mercado internacional, apesar de isso ser ilegal. O assunto fervilhava na redação e em toda a imprensa.
Cheguei à redação, sentei à mesa em frente à de Nassif, que me olhou e disse: “Marco, requisita um carro e dá um pulo no DOPS. Procura o dr. Gaia e veja o que ele pode dizer sobre o Caso Tieppo”. A frase caiu como uma bomba sobre mim. “Não brinca”, pensei, “estou num grande caso”. Nem abri o jornal do dia, peguei minhas coisas e disparei para o Setor de Transporte. E foi ali que comecei a me meter numa grande fria! No auge do entusiasmo, nem li a matéria publicada sobre o Caso Tieppo. E lá fui eu para o DOPS, na mais reluzente cor laranja!
O tal de dr. Gaia era o temido – ou “respeitado” – dr. Clayde Gaia da Costa, delegado da Polícia Federal, lotado no DOPS – Departamento de Ordem Política e Social do Estado de São Paulo. Sobre a instituição, pairava um ar um tanto sinistro e acusações de prisões arbitrárias e de torturas. Mas não era só na reputação que o DOPS assustava. Suas instalações, com largos corredores e teto alto, móveis pesados e olhares desconfiados, chegava a dar calafrios. E, de repente, lá estava eu, o laranjão do JT, pronto para entrevistar o dr. Gaia, do DOPS.
Fui recebido por uma secretária movida a pilha, que pediu que eu aguardasse sentado num grande banco de madeira escura, com cabeças de sei lá o que entalhadas nos braços de apoio. Enquanto o tempo passava, eu pensava nos inúmeros casos de prisões arbitrárias e desaparecimentos que eram relacionados àquele lugar. Finalmente a enorme porta do gabinete se abriu e a secretária, disse em tom sepulcral: “O dr. Gaia vai recebê-lo agora”. E lá fui eu, gabinete adentro.
Atrás da enorme mesa, que aliás parecia fazer par com aquele banco lá de fora, estava o dr. Gaia. Sorriso simpático, mas com aquele ar de autoridade que só nos tempos de DOPS se via. “Por favor, queira se sentar”, disse ele gentilmente. “Então o senhor é jornalista!” perguntou-me com um sorriso entre os lábios. “Sim, dr. Gaia, eu sou, e gostaria de conversar com o senhor sobre o Caso Tieppo, em que pé estão as investigações”, já fui me abrindo. “E de qual veículo o senhor é?”, indagou o delegado, justamente olhando para um exemplar do JT do dia, que estava sobre a sua mesa.
Confesso que, àquela altura, estava até que um pouco à vontade diante da aparente gentileza, a ponto de responder quase que de bate-pronto: “Sou do Jornal da Tarde”, e dei um sorriso. A propósito, só eu sorri, um sorriso que foi se amarelando na medida em que o dr. Gaia desviava os olhos do jornal sobre sua mesa, erguendo-os em minha direção. Mas, que raio de expressão de ódio era aquela? “Então você trabalha nesse pasquim? Você atua nessa imprensa marrom”?
Caramba, o homem virou um bicho! “Eu vou processar aquele antro de mentirosos!”, esbravejava o dr. Gaia, dando tapas na mesa. “Eu vou prender esse tal de Lagartixa!” (Lagartixa era o apelido do Silvio Vieira) E eu lá, com a alma petrificada, naquela altura do campeonato torcendo para que alguém, na redação, lembrasse que eu havia seguido para o DOPS para fazer uma matéria.
Quase que pedindo desculpas por estar lá, me borrando todo, consegui esboçar uma breve pergunta, buscando uma explicação para aquela histeria compulsiva: “Mas eu não estou entendendo, dr. Gaia. O que houve? Qual o problema?”. E o homem ficava cada vez mais vermelho e transtornado, e eu pensava: “Se não for ele a ter um infarto, certamente serei eu!”
Mas ele fez uma pausa, respirou fundo, ajeitou os cabelos que mais pareciam os de um maestro no auge da função, dirigiu-me um olhar pontiagudo e vociferou: “O que houve? Você quer saber o que houve?”. O meu sorriso amarelo voltou. “Então você trabalha nesse jornaleco e não sabe o que houve?”. Pensei com os meus botões: “Pois é, né? Que cagada, não é mesmo?”.
Bem, o que houve foi que, naquele dia, a matéria do JT afirmava que o dr. Gaia havia se encontrado com o José Maria Tieppo numa situação muito suspeita, insinuando algum um envolvimento entre os dois, uma tentativa de se “quebrar o galho” nas investigações do escândalo. O homem estava uma fera e, claro, tinha que sobrar pra mim, que não tinha lido o jornal.
No final das contas, quase uma hora depois de servir de terapeuta para o dr. Gaia, deixei o DOPS e voltei à redação. Ainda não com uma grande reportagem, mas com uma boa história do “dia em que quase caguei no DOPS”. Ainda não seria daquela vez minha tão sonhada manchete de primeira página no JT. Precisei esperar mais um pouco, mas ela veio, e de novo me meti numa fria. Mas essa é uma outra história.”
No dia 05 de setembro estarei presente no evento Quadrinhos na Cultura, promovido pela Livraria Cultura de Brasília. Segue abaixo o release e a programação completa do evento que vai do dia 03 a 05 de setembro:

Quadrinhos também é coisa de gente grande, pensando nisso a Livraria Cultura oferecerá, nos dias 03, 04 e 05 de setembro, aos leitores e escritores de quadrinhos do distrito federal, 16 horas de atividades. A programação conta com oficinas, palestras, bate-papos e, até mesmo, a construção de uma HQ coletiva, escrita e ilustrada pelos artistas e pelo público presentes no evento.
O evento será aberto, às 19h30 da sexta-feira (03/09), com a palestra “O simbolismo dos super heróis” que busca relações entre os heróis dos quadrinhos e filosofia, mitologia, moral e religião. Às 21h, será oficialmente iniciada uma HQ coletiva, que será criada ao longo do evento pelos artistas e pelo público presente.
No sábado, a programação começa às 14h, e conta, dentre outras atividades, com bate-papo sobre quadrinhos e educação, às 16h e uma sessão de autógrafos coletiva, às 18h, com a presença de destacados quadrinistas da cidade.
Ainda no sábado, às 16h a Livraria convida roteiristas e ilustradores a comparecer para um bate-papo informal, em que possam trocar ideias e experiências e, quem sabe, estabelecer parcerias para a produção de novos trabalhos.
Já o domingo será o dia dos bate-papos, com os temas: bate-papo “ilustrado”, com a presença de destacados ilustradores e cartunistas da cidade, às 15h; “mulheres nos quadrinhos”, às 16h; e “COMIC x WEBCOMIC, internet: heroína ou vilã?”, às 16h30.
Apesar do foco no público adulto, o evento conta também com programação para a criançada. No sábado (04/09), personagens de quadrinhos farão uma maratona de contação de histórias, às 14h; e haverá uma oficina de ilustração de quadrinhos para jovens de 7 a 14 anos, também às 14h. Já no domingo, os pequenos leitores poderão participar de uma divertida oficina em que aprenderão a montar bonequinhos de papel (CubeeCraft) de famosos personagens dos quadrinhos, às 14h30.
O evento conta com a presença confirmada de 16 quadrinistas brasilienses (vide lista de confirmados abaixo).
Data: 03, 04 e 05 de setembro de 2010.
Horário: Vide programação para saber o horário de cada atividade.
Local: Livraria Cultura CasaPark Shopping Center (SGCV Sul, Lote 22 – Guará/DF).
Informações: 3410 4033.
ENTRADA FRANCA
Programação completa disponível em: http://migre.me/17tqY.
Autores com presença confirmada no evento:
Cícero, jornalista ilustrador, com formação técnica em Desenho de Propaganda e 31 anos de experiência, publica diariamente charges e tirinhas no Jornal de Brasília.
Delmo Arguelhes, doutor em história das idéias (UnB – 2008) e professor dos departamentos de História e Relações Internacionais do UniCEUB.
Evandro Vieira, quadrinista, ilustrador e músico. É idealizador do projeto “Quebraqueixo – A Banda Desenhada”, que consiste na publicação de um livro com 15 adaptações das letras da banda Quebraqueixo feitas por diversos quadrinistas.
Fabrício Matos, formado em Artes Plásticas na Universiade de Brasília, com projeto de conclusão de curso sobre Histórias em Quadrinhos na Arte/Educação. Desenvolveu, em parceria com Adriano Carvalho, o fanzine “Dejeto” com criticas bem humoradas sobre o cotidiano dos habitantes do Distrito Federal e da política de Brasília. Desde 2008, leciona desenho e quadrinhos para crianças e adolescentes com produção e criação de personagens na Oficina de Arte – Espaço de Arte e Cultura na 104 norte em Brasília.
Felipe Sobreiro, publicado na Heavy Metal Magazine, antología Popgun (da editora Image Comics), vários números de Cthulhu Tales e Zombie Tales (editora BOOM! Studios), e colorista do webcomic EARTHBUILDERS, do site Zudacomics.com (da editora DC Comics).
Gabriel Góes, brasiliense, Ilustrador e quadrinista. É um dos editores das revistas Samba e Kowalski.
Gabriel Mesquita, brasiliense, desenhista e quadrinista. É um dos editores da revista Samba.
Gomez, quadrinista e ilustrador, contribuiu para publicações como Bongolê Bongoró e Beleléu. Atualmente trabalha para o Correio Braziliense.
Guilherme dos Reis, blogueiro, escreve regularmente para o ficcaohq.blogspot.com/.
Lucas Gehre, artista plástico e quadrinistas. É um dos editores da revista Samba e autor do livro “Amarelo” que recebeu menção honrosa na Feira de quadrinhos do Piauí de 2008.
Mário César, trabalha com histórias em quadrinhos, ilustração e design gráfico. É chargista do informativo Jornalistas & Cia, desde 2006 e publica tiras de humor para o Top Blog da MixMD. Em junho de 2009, publicou a primeira edição da EntreQuadros, obtendo sucesso de público e de crítica, sendo inclusive indicada ao Troféu HQMix na categoria de Melhor Publicação Independente de Autor. Em abril de 2010, lançou uma nova edição de EntreQuadros intitulada, A Walk on the Wild Side.
Maurenilson, trabalha, desde 2001, para o Correio Braziliense como Ilustrador. Ganhou cinco prêmios internacionais concedidos pela The Society for News Design e um premio Esso de criação gráfica por seus trabalhos nas páginas do jornal Correio Braziliense.
Mauro César, artista plástico formado pela UnB com trabalho de conclusão de curso sobre a importância das histórias em quadrinhos na educação. É Coordenador e Professor da Oficina de quadrinhos de Ceilândia (DF).
Nestablo, carioca radicado em Brasília, iniciou-se nos quadrinhos em 1998 com a publicação independente “Lady Dragão”, em 2001 publicou “Os Carcereiros” pela editora Escala, bem como pinups e quadrinhos do personagem “Eddie” da banda Iron Maden. Desde 2005, trabalha na série em quadrinhos Zona Zen, publicada até 2008 na revista Tablado e agora no blog de mesmo título. Foi indicado ao prêmio HQMIX como roteirista revelação de 2007 pelas tirinhas Zona Zen. Lançou o álbum Zoo pela editora HQM em dezembro de 2009. Apaixonado pela vida animal e contra a violência, fez de tais temas seu objetivo de vida.
Rafael Fernandes. Roteirista de quadrinhos e escritor. Publicou os livros “Dýnamis Érrion” (2000), “Almanaque do Dinâmico Erre” (2004) e “Dýnamis Érrion 2” (2005); e dois números da revista em quadrinhos “Dinâmico R” (2003 e 2009). Escreveu e produziu duas peças de teatro (2001 e 2007) e dois vídeo-clipes (2002 e 2007) com o personagem Dinâmico R. Vencedor da Bolsa Brasília de Produção Literária 1998.
Stêvz é Estevão Vieira, brasiliense, ilustrador e músico.
Verônica Silva de Souza Saiki, quadrinista, designer e artista plástica. Autora de Verdugo, o inacreditável. Atua em projetos de quadrinhos na educação em escolas públicas do DF.
Vivianne Fair (nome verdadeiro Viviane Machado), nasceu no Rio de Janeiro, atualmente mora em Brasília. É autora do livro “Cavaleiros do RPG/ Quem precisa de Heróis” e da trilogia cômica “A caçadora – sorriso de vampiro” e “A caçadora- sussurros das sombras”. Trabalha também com ilustrações, inclusive internacionais, e mora com seu filho, um crítico ferrenho de suas obras, mas que ela ama com toda certeza.
Charge para o Jornalistas & Cia

PS: Que nenhum advogado me processe por essa…
O Jornal da Tarde que fez escola e marcou época nos seus primeiros anos de vida, no início da década de 1970, era uma usina de inovações, alimentada por um grupo de excepcionais profissionais. Era uma redação que não tinha medo de ousar, de apresentar novidades, de incorporar ao dia-a-dia dos paulistanos coisas incomuns, sobretudo na prestação de serviços – item até então praticamente desconhecido de jornais e leitores.
Num dia qualquer, o então repórter Celso Kinjô chegou à redação e foi chamado pelo chefe de Reportagem Ulysses Alves de Souza, o Uru, que lhe pediu: “Hoje vai ser divulgada a relação de aprovados no vestibular da Faculdade de Direito São Francisco. Vá até lá e traga essa lista, que vamos publicar no jornal”. Kinjô tentou contestar que aquilo não era uma coisa de grande interesse jornalístico, mas foi vencido pela determinação de Uru em ter a tal lista e lá foi ele para o Largo São Francisco atrás dela. Tinha a vantagem de ser bem perto, já que naquela época o Grupo Estado ficava na rua Major Quedinho, no Centro de São Paulo, a poucas quadras da Faculdade.
Lá chegando, Kinjô procurou a Secretaria da Faculdade para pedir a lista (vale lembrar que naquele tempo não havia computador ou quaisquer dessas facilidades de reprodução que temos hoje). A atendente fez cara de estranhamento, mas disse que somente o secretário tinha autoridade para ceder a lista. Kinjô pediu para falar com ele. Daí a pouco chegou um senhor maginho, quase tão velho quanto as famosas arcadas da faculdade, a quem repetiu a solicitação.
– Não! – declarou o secretário com veemência.
– Posso saber a razão? – perguntou Kinjô.
– Ninguém, fora os próprios candidatos, tiem interesse nessa lista. E eles, como acontece todos os anos, vão passar pela Faculdade para ver a lista afixada no mural a fim de saber se foram ou não aprovados – sentenciou o secretário
Kinjô ainda argumentou com seu interlocutor de que estava ali cumprindo uma determinação do chefe de Reportagem, que não poderia voltar ao jornal de mãos abanando, que aquela era uma iniciativa nova do JT, de prestação de serviços aos seus leitores (muitos deles oriundos da própria Faculdade ou com filhos ali concorrendo a uma vaga), mas o velhinho se manteve irredutivel. A única coisa que conseguiu arrancar dele foi a seguinte frase:
– Se você quer a lista e o seu jornal exige isso de você, vá lá no pátio e copie! Eu não vou dar a você e ao seu jornal lista nenhuma! Não vou me prestar a ser co-responsável por uma coisa inútil!
Sem alternativa, lá foi Kinjô para o pátio, copiar a lista. Copiou um, dois, três, quatro nomes, mas quando chegou ao décimo desistiu. Eram cerca de 500. Nem que ficasse a tarde toda lá conseguiria, além de ter que datilografar tudo novamente quando chegasse ao jornal.
Voltou de mãos vazas, para inconformismo de Uru, que considerou aquela atitude de uma prepotência sem igual. Mas decidiu que, a partir dali, aquele seria de fato um serviço que o jornal prestaria aos seus leitores e à comunidade.
Tempos depois, o JT começou a publicar a relação de aprovados nos principais vestibulares do País, no que logo foi seguido por outros veículos, ganhando, com esse serviço, não só nas vendas avulsas de exemplares mas também publicidade de muitas escolas.
Foi divulgado hoje o resultado do Salão Internacional de Humor do Piauí, um dos mais importantes e tradicionais salões de humor do Brasil.
Tive a felicidade de ser um dos cartunistas selecionados com o trabalho abaixo, o tema deste ano era trânsito:

O demais selecionados, bem como o vencedor, podem ser conferidos no link abaixo:
http://www.oinfernosaoosoutros.com/2010/08/salao-de-humor-do-piaui-enfim-divulgado.html
Infelizmente, nem tudo são flores. O Salão parece se encontrar em uma situação preocupante por conta do calote de um político que não entregou a verba prometida para a realização do evento como afirma a organização. O texto explicando o caso também está disponível no link acima. Ê Brasil…
Charge para o Jornalistas & Cia

Durante uma viagem que fez para Moscou ao lado de sua esposa, Heródoto Barbeiro, autossuficiente, recusou o guia que ia acompanhá-los pela cidade, pois “ele só vai mostrar os pontos turísticos, e a gente quer conhecer a alma do povo, a Moscou que o turista não vê”.
Diante do temor de Walquiria, sua esposa, de que não conseguissem voltar ao hotel, ele copiou diligentemente o que estava escrito na fachada, naquelas ininteligíveis letras do alfabeto cirílico, e com absoluta segurança guardou o papel no bolso.
O casal passeou livremente por Moscou, curtiu bastante e, na hora de voltar, entrou num táxi. Heródoto disse ao motorista que queria ir para o hotel e, triunfante, entregou o papelucho com as letras cuidadosamente desenhadas.
O motorista não entendeu, olhou o papel, sacudiu a cabeça e desandou a falar em russo, fluentemente – o que, por sinal, em Moscou, não é de espantar.
Montada a confusão, Heródoto irritando-se e apontando com insistência o papel, o motorista optou por deixar o carro com os dois lá dentro e voltou pouco depois, acompanhado de um taxista que falava inglês. Este finalmente conseguiu explicar ao casal que não havia nome de hotel nenhum no papel, onde Heródoto escrevera em russo a seguinte frase: “O hotel está lotado, não há vagas”.
Algumas páginas de uma HQ de western curtinha de oito páginas que acabei de desenhar. O roteiro é de Marcelo Saravá.



Charge para o Jornalistas & Cia

Em 1993, os brasileiros foram mobilizados para o plebiscito sobre Presidencialismo ou Parlamentarismo. Ao mesmo tempo, o País deveria responder se queria ou não a volta da Monarquia.
O príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança, Príncipe Imperial do Brasil, segundo na sucessão ao trono caso a monarquia fosse restaurada, visitava o estúdio da CBN.
Há poucos quilômetros da rádio, havia performance de atores e o diretor de teatro Cacá Rosset, na pele do personagem Pai Ubu, declarava-se rei e concedia a Jacinto Figueira Júnior, o Homem do Sapato Branco, do programa Aqui Agora, o nobre título de Marquês do SBT. Ao final da manifestação,Wagner Sugameli, agitador cultural e integrante do grupo de Cacá queria saber se era possível aos atores um contato com o príncipe. Não viram problemas, porque a proposta era discutir questões culturais com o representante da Casa Real Brasileira.
De repente, instalou-se o caos na redação e uma multidão quebrou a monotonia do ambiente. Cacá Rosset chegou com seu pessoal trazendo nas costas um imenso urubu negro. Uma bandinha tocava na porta da rádio e Sugameli, incorporando um “conde”, anunciava que o Rei Ubu exigia encontrar-se com o futuro rei do Brasil. Dom Bertrand, assustado, pedia, com toda elegância, que eu evitasse aquele constrangimento. Mauro Wu, assessor de imprensa do príncipe, desesperado, ia de um lado ao outro da redação, empunhando um guarda-chuva e gritando.
Wu, descendente de chineses, perdeu a calma oriental e, tomado de fúria, decidiu enfrentar a “corte” do Rei Ubu. Abriu o guarda-chuva para proteger o príncipe, naquele momento assediado pela “comitiva real ubusiana”, e tentou caminhar em direção à saída. O pessoal da segurança agiu rápido e o príncipe conseguiu sair discretamente pelas escadas, enquanto a confusão aumentava.
Enquanto Rei Ubu lamentava o frustrado “encontro diplomático entre dois chefes de Estado”, o furioso Mauro Wu permanecia atracado com o “conde”. O assessor tentava impedir que o “exército” do Rei Ubu acompanhasse os passos do príncipe. O “conde” Sugameli, vendo que não dava mais para ir ao encontro do visitante, começou a protestar contra a arbitrária interferência de Wu e aos berros dizia que o assessor estava abusando dele, um homem noivo, que não poderia ser apalpado. Foi a gota d’agua para que Mauro Wu o espremesse contra uma porta de vidro.
Com Dom Bertrandd longe do “campo de batalha”, sobraram os “súditos” do Rei Ubu, correndo, agora, rumo à 1ª Delegacia de Polícia, onde registraram um boletim de ocorrência denunciando a “incompreensível” reação de um dos principais assessores do príncipe.