Nanquim, Som & Fúria # 07

Thalma da Freitas

Thalma de Freitas é uma das coisas mais bonitas de se ouvir e de se ver na música brasileira. É dona de uma voz graciosa, uma presença de palco absurda e uma beleza física de cair o queixo. Ela não tem muitos discos, só um bem antigo, no qual não havia ainda amadurecido seu estilo, e um lindíssimo auto-intitulado EP de 2004 no qual ela mostra a que veio. Uma das músicas “Cordeiro de Nanã” entrou até na trilha sonora da novela Senhora do Destino. Depois disso, ela se tornou uma das vozes de frente da Orquestra Imperial e fez participações especiais aqui e acolá.

Thalma me serviu de inspiração para uma das protagonistas da próxima EntreQuadros. Se deliciem abaixo uma versão à capela da belíssima “Não foi em vão” que ela gravou com a Orquestra Imperial.

Ei, você aí, dá um ‘curtir’ aí! EntreQuadros no Facebook e primeiras prévias!

A EntreQuadros agora também está no Facebook.

Confiram e curtam nossa página lá: http://www.facebook.com/EntreQuadros

A próxima edição que sairá agora em outubro pela Balão Editorial!

Pra quem ainda não sabe, a EntreQuadros é uma publicação de histórias em quadrinhos que tenta retratar, com a devida licença poética, essa coisa complicada chamada vida.

Publicada inicialmente de forma independente e agora pela editora Balão Editorial, a EntreQuadros chega a seu terceiro número intitulado Círculo Completo.

EntreQuadros – Círculo Completo é uma fábula sobre amor, perdas e recomeços. Freuderico é um psicanalista de meia-idade. Sua maior especialidade é ajudar os outros a superarem traumas, mas, quando o assunto é sua própria vida amorosa, ele é incapaz de abandonar os fracassos de seu passado. Martha foi o grande amor de Freuderico. Por ela, ele foi capaz de desafiar tudo e todos. Mas, apesar de todos os sacrifícios, as coisas não terminaram bem entre os dois. Karina talvez seja a terapia de que Freuderico estava precisando e a cidade de São Paulo o seu divã.

Segue abaixo duas páginas de prévia:

Em breve teremos novidades, datas de lançamento e zaz! Fiquem ligados.

Nanquim, Som & Fúria # 06

Jeff Tweedy

Jeff Tweedy is trying to break your heart, but Wilco will love you, baby.

O Wilco não é lá muito de fazer videoclipes. Eles estão mais preocupados em fazer música boa. E fazem música boa como poucos, sabem experimentar sem serem pedantes. E o disco novo, “The Whole Love“, pra variar, tá lindo de doer. Melhor cura pra dor de cabeça que você pode ter nessa friorenta primavera de 2011.

Também são dessas bandas que realmente são melhores ao vivo do que no disco. Coisa cada vez mais rara nessa era de Auto Tune e Pro Tools. Quem quiser conferir, abaixo tem eles tocando, intensa e impecavelmente, algumas músicas novas e outras antigas, já clássicas, por uma hora ao vivo no Late Show with David Letterman.

O chá do Zetti

Charge para o Jornalistas & Cia.

A história dessa semana é de Oswaldo Braglia Jr. da equipe do próprio Jornalistas & Cia.

Esta é um caso verídico sobre os bastidores do processo que acabou inocentando o ex-goleiro do São Paulo e hoje técnico Zetti (Armelino Donizetti Quagliato) da acusação de doping por cocaína em 1993. Naquele ano, o Brasil enfrentou a Bolívia, lá nos Andes, pelas eliminatórias da Copa dos Estados Unidos. O exame antidoping deu positivo e ele foi suspenso pela Fifa. Mas a CBF conseguiu provar que ele havia tomado chá de coca para aliviar os efeitos da altitude e a suspensão foi revogada. Como isso aconteceu?

Bem, uma semana antes Oswaldo havia estado em La Paz, cidade incrustada numa cratera há mais de 3 mil metros de altitude. É comum, em qualquer hotel por lá, haver um chá à disposição dos hóspedes, que eles chamam de soruche, feito com folhas de coca, que ajuda a superar os efeitos da altitude andina; aliás, todas as cidades da região põem à disposição dos visitantes o tal “chazinho”. Mas não há nenhum aviso sobre do que ele é feito! Oswaldo até comprou uma caixa, com cerca de 40 sachês, para trazer a São Paulo, mais pela curiosidade que o produto causava como aspecto cultural do que para consumo propriamente dito.

Em sua sala no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, do qual era então gerente administrativo, Oswaldo viu a notícia sobre o goleiro do São Paulo e suas declarações de que “jamais usara drogas ou produtos correlatos”, abalado pelos exames e pela suspensão às vésperas de Copa do Mundo.

O diretor do Sindicato Luiz Augusto Michelazzo, o Mick, ligou logo depois para falar de assuntos da entidade e Oswaldo aproveitou para perguntar: “Mick, quer dar uma força para o Zetti? Seguinte: estive na Bolívia semana passada e sei exatamente qual o problema”. Explicou e disse a ele que tinha uma caixa de chá de coca.

Luiz mandou um carro do jornal e distribuiu aos coleguinhas a matéria de estudo.

Resumo da ópera: todos beberam o chá, fizeram exame antidoping e, todos, sem exceção, deram positivo para cocaína. A caixa do chá até saiu numa foto de Veja, vários jornalistas noticiaram o caso, Zetti foi absolvido das acusações e fomos tetracampeões nos EUA.

Mas Oswaldo nunca mais viu um saquinho do seu chá.

Pequenhos Heróis: Troféu HQMix e a caminho dos EUA

Nesta sexta, recebemos nosso Geraldão de Publicação Infanto-Juvenil por Pequenos Heróis na entrega do Troféu HQ Mix.

Na foto, parte da equipe do primeiro volume: eu, Raphael Salimena (que também faturou o prêmio de Webcomic), Estevão Ribeiro, Dandi, Ricardo Leite e Léo Finocchi. Infelizmente, Davi Calil, Vítor Cafaggi, Jaum e Fernanda Chiella não puderam comparecer nesta noite tão inesquecível.

A entrega dos prêmios aconteceu no dia 16 de setembro no Sesc Pompéia na cidade de São Paulo com apresentação do Serginho Groisman. A lista com os demais vencedores pode ser conferida no blog da premiação.

Fiquem abaixo com um dos momentos mais engraçados da noite no qual o impagável Zé do Caixão joga um praga (que já virou meu mantra contra gente mala) em quem não apoia nossa cultura:

A Comix está com uma promoção dos vencedores do HQ Mix. Pequenos Heróis pode ser adquirido com desconto lá! Confiram!

Como se não bastasse tamanha felicidade, hoje fui informado pelo pessoal da 215 Ink sobre as datas de lançamento o álbum nos Estados Unidos! Em dezembro sairemos na Previews, revista da distribuidora Diamond com as prévias do que as editoras vão publicar. E, a partir de fevereiro do ano que vem, as edições impressas chegam às lojas com direito a selinho de “Winner of Troféu HQ Mix” e tudo mais!

E vamos que vamos!

 

Nanquim, Som & Fúria # 05

China

China é um pernambucano retado de talentoso. Desses que merecem ser melhores descobertos por esse mundo sem-fim de boas intépretes brasileiras. Ele fez parte da saudosa banda Sheik Tosado que misturava rock e hardcore com maracatu e frevo. Depois se lançou na carreira solo com o EP “Um só” e, logo em seguida, lançou o ótimo “Simulacro”. Recentemente, virou VJ da MTV e lança agora uma belezura de segundo disco chamado “Moto Contínuo” que pode ser baixado de graça no site da Trama Virtual.

Carlão Mesquita e a edição de Esportes do Estadão

Charge para o Jornalistas & Cia

A efêmera Edição de Esportes do Estadão, lançada em 1964 para se contrapor à Gazeta Esportiva, foi, de fato, um ensaio para o lançamento do Jornal da Tarde, que a iria absorver.

A montagem de uma equipe de jornalistas comandada por Mino Carta, a capacitação do parque gráfico para rodar um segundo jornal no domingo (para cobrir os acontecimentos esportivos, que a então inexistência do Estadão na 2ª.feira tornava necessária), a organização de todo o esquema de distribuição e a inovação do texto consistiu na infraestrutura que facilitaria o lançamento do JT.

No momento em que a redação montava a primeira edição, entretanto, o “alvo” era justamente a Gazeta Esportiva e a pequena redação tinha como desafio rodar o jornal antes do concorrente. Isso acabou sendo possível e foi uma festa, com toda a equipe nas oficinas, Tão Gomes Pinto, Hamiltinho Almeida, Emilio Matsumoto, entre eles, e ganharam por pouco mais de uma hora.

Carlão Mesquita, que era o diretor da Edição de Esportes, ficou tão entusiasmado com essa pequena vitória que jogou dois pacotes do jornal ainda “quentinho” dentro de um jipe velho, chamou mais dois editores, foi para a avenida Cásper Líbero, estacionando diante da saída das rotativas do concorrente. Carlão saltou do jipe e, Edição de Esportes na mão, dirigiu-se à dúzia de jornaleiros que esperavam a saída da Esportiva, para vender na Augusta, na Paulista e na Boca do Luxo. Num comício improvisado, Carlão distribuiu exemplares do novo jornal e tentou convencer os jornaleiros de que fariam melhor negócio se nos domingos à tarde passassem a vender a Edição de Esportes, porque a Esportiva já era, garantia.

Num domingo de decisão de campeonato, Mino Carta resolveu que a Edição de Esportes tinha que sair a tempo de ser vendida na porta do estádio do Pacaembu, onde se disputava a final.

Era claramente impossível, mas a liderança do Mino fez a redação inteira topar o desafio e ninguém discutiu. Como o jogo parecia decidido no começo do segundo tempo, a primeira página foi fechada com o resultado parcial (felizmente mantido até o final da partida) e foi assumido o risco de rodar alguns milhares de exemplares com um primeiro clichê, ficando uma equipe a postos para trocar a manchete se o jogo mudasse.

Mais uma vez Carlão e alguns membros da redação pegaram o jipe e seguiram para estádio do Pacaembu. Carlão gritava as manchetes, contava que o jornal já vinha com o resultado do jogo, conseguiu ser cercado por torcedores que disputavam o jornal sem se incomodar com o troco, que é claro, jornaleiros neófitos, não tínhamos pensado em levar.

Nanquim, Som & Fúria # 04

Bon Iver

Depois do fim de sua banda anterior, do fim de seu relacionamento e de pegar mononucleose, Justin Vernon, líder da banda, decidiu fazer um retiro em sua remota cabana no estado americano de Wisconsin. Neste período, compôs sozinho todo o disco de estreia da banda intitulado “For Emma, Forever Ago”. Por pouco o disco quase não foi lançado, mas seu folk minimalista recebeu elogios rasgados da crítica, foi eleito um dos melhores álbuns de 2008 e teve músicas incluídas em alguns seriados como House e Grey’s Anatomy. Este ano lançou outro discaço intulado simplesmente de “Bon Iver” no qual ele expande muito seu som com influências da soul music e arranjos mais elaborados.

Confiram abaixo duas músicas de seu disco mais recente:

A interdição de Fausto Macedo

Charge para o Jornalistas & Cia

A história dessa semana é de Francisco Moacir Assunção Filho.

Quando começou a trabalhar no Estadão, lá pelos idos de 1999, Francisco foi apresentado a Fausto Macedo.

A mesa do Canalha (apelido de Fausto) era a mais bagunçada de todo o jornal. Ali, se acumulavam processos inteiros da Polícia Federal, investigações do Ministério Público, ações de toda ordem e documentos importantes. Era tanta coisa que a redação brincava dizendo que ele poderia usar as pilhas de documentos como casamatas em caso de um absolutamente improvável ataque aéreo contra o jornal ou, até, se esconder atrás caso o chefe quisesse passar mais uma missão além das que já tinha. O mais curioso é que ele, mesmo assim, encontrava tudo o que precisava, deixando todo mundo pasmo com a sua capacidade de (des)organização. Era tanta coisa que, certa vez, um diretor da Polícia Federal fez uma visita à sede do jornal e disse, brincando, que ia mandar apreender os documentos porque lá, com certeza, estavam as últimas operações da PF e eram papéis sigilosos.

Francisco resolveu então, brincar com o Canalha. Junto com um colega, desceu até o andar térreo do prédio do Estadão, onde funcionava o setor dos bombeiros civis e da manutenção, e pediu que lhe arrumassem um pouco daquela fita amarela e preta usada para, por exemplo, isolar áreas em obras. A desculpa é que precisava do material para fazer uma reforma no muro de casa e mantê-lo isolado dos vizinhos. Gentilmente, o rapaz me deu um pacote inteiro da fita.

Voltou à redação e passou a fita em volta da mesa e da cadeira do Fausto que, naturalmente, estava na rua atrás de mais uma matéria que certamente iria para a capa do jornal. Além disso, fez um cartaz, impresso no computador, no qual aparecia a frase “interditado pela Defesa Civil”. Colocou lá uma lei que, claro, não existia, mas era a número tal, fundos, como se fosse o endereço de uma casa, e deixou a fita lá, isolando toda a área onde ficava o Fausto, inclusive com os documentos oficiais. Colado na frente, o papel dizia que as pilhas eram uma ameaça à segurança e à saúde pública. Havia até risco de desabamento, como brincava o colega Daniel Bramatti: “Basta ver o que houve no Morro do Bumba”, dizia, em referência ao morro cujo desabamento causou uma tragédia em Niterói, no Rio de Janeiro. Bramatti sempre alegava que ele seria a primeira vítima do deslizamento da Encosta do Macedo, como batizou as pilhas de papéis do Fausto, já que se sentava em frente à mesa do colega repórter.

Pois bem, isolado e cercado o local, ficou observando, junto com outros colegas de redação, a reação das pessoas, enquanto esperava a “vítima”. Fez até várias fotos para mostrar o momento em que conseguimos, enfim, interditar a mesa do Canalha. Os colegas paravam, olhavam aquela cena e riam. Todos achavam engraçada a tal da interdição, até porque tinha gente que dizia que devia ter até ratos e baratas embaixo das pilhas de papel do Fausto, então devia ser tirado de circulação mesmo.

Teve gente que parou, fez algum comentário como “já não era sem tempo”, pensando que era de verdade, outros somente riam e passavam direto sem falar nada e até o então editor-chefe Marcelo Beraba (hoje na sucursal do Rio) foi, curioso, até a mesa do Canalha e sorriu muito ao ler o tal “decreto de interdição” da mesa dele. Estava impossível sentar-se lá, porque a cadeira também ficava na área de interdição a bem da saúde pública. Só faltava o próprio. Já eram umas 19h e nada do Fausto aparecer, para que pudessem ver a cara dele com a interdição.

Ligou para ele, dizendo que precisava que voltasse porque a chefia tinha passado uma matéria para os dois e tinham que combinar como fazer, depois inventou que havia uma pessoa o esperando na redação e nada. Outro colega telefonou para ele e disse que precisava contar algo pessoalmente e não adiantou. Passava das 21h, o jornal já fechado, e ele não aparecia. Os autores da arte, tiveram que ir embora porque já eram mais de 22h e chegamos à conclusão de que o Canalha não voltaria naquele dia e teríamos que adiar para o seguinte a rara oportunidade de ver a cara dele quando soubesse da interdição. Francisco tinha até um discurso pronto, no qual alegaria que não tive como impedir que a mesa fosse interditada, já que havia uma ordem expressa da Defesa Civil que não podia ser desobedecida.

Ao chegar de manhã, no dia seguinte, Francisco teve uma surpresa: a mesa do Fausto estava plenamente desinterditada, sem marca alguma do ocorrido no dia anterior, e a minha fechada e interditada, com a mesma fita amarela e preta. No cartaz preso na frente do computador que eu usava, uma frase escrita nos moldes da que deixamos no computador dele: “interditado por ordem da Secretaria de Saúde. Cachorro louco na área”, alertava, informando para os passantes terem muito cuidado com o tal bicho feroz (havia um desenho lhe representando).

Logo em seguida, o dito cidadão chegou, sorridente como sempre. Francisco perguntou se ele havia madrugado no jornal, já que eram pouco mais das 9 da manhã e haviam ficado até tarde o esperando para dar boas risadas. Ele contou, então, que sentira, pelo excesso de ligações, que havia um golpe em andamento e que o envolvia.

“Quando todo mundo começou a ligar, pedindo para eu voltar, percebi que era uma ‘cama de cabôco’ que estava armada para cima de mim”, explicou. Resolveu, por causa disso, adiar o regresso ao jornal, onde aportou por volta da meia-noite, quando não havia quase mais ninguém lá. Ao chegar, viu o cartaz e resolveu devolver a brincadeira, no que foi feliz. Francisco tentou tirar a fita, mas lhe convenceram a deixá-la lá até a hora do almoço, pelo menos.

Pequenos Heróis venceu o HQ Mix!

Olá pessoal!

É com muito orgulho que lhes informo que Pequenos Heróis ganhou o Troféu HQ Mix de Melhor Publicação Infanto-Juvenil!

Pra quem não sabe, Pequenos Heróis é um projeto do meu comparsa Estevão Ribeiro que homenageia super-heróis clássicos com histórias de crianças comuns. Eu co-editei e ilustrei uma das HQs do álbum. Além de mim, os talentosos Raphael Salimena, Jaum, Fernanda Chiella, Vítor Cafaggi, Emerson Lopes, Ricardo Leite, Dandi e Léo Finochi também participaram deste primeiro volume. A capa ficou por conta do espetacular Davi Calil.

Todo ano o HQ Mix homenageia um personagem diferente em sua estatueta. Desta vez foi o escolhido foi o impagável Geraldão, do cartunista Glauco que perdemos tragicamente ano passado. E, pelo visto, a estatueta terá partes móveis pra emular os grafismos de braços inquietos que Glauco tanto usava em seus personagens. Vejam abaixo.

A premiação será no dia 16 de setembro no Sesc Pompéia a partir das 19h30 na cidade de São Paulo. A lista com os demais vencedores pode ser conferida no blog da premiação.

O segundo volume de Pequenos Heróis está em produção e nele prestaremos tributo aos personagens da Marvel. Segue abaixo em primeira mão um preview da minha HQ pra essa edição.