O pinguim do Carlão

Ultimamente a bicharada anda solta no Memórias da redação do Jornalistas & Cia. Já teve história com urubu, com peru e agora é com um… pinguim. Confiram abaixo.

Num daqueles invernos procelosos da década de 1960, em que as correntes marítimas arrastavam pinguins da Antártida para as praias paulistas, Carlão (Luiz Carlos) Mesquita, diretor do Estadão, já falecido, disse que queria porque queria ter um pingüim. A missão coube a Antonio Carvalho Mendes, responsável pelo necrológio do jornal (ainda na ativa, mas atualmente em licença médica), que foi a Santos e, usando de todo o seu poder de convencimento e contando com a sorte de haver abundância de aves recém-chegadas, acabou conseguindo um pinguim para o Carlão.

A entrega do novo mascote foi no prédio da Major Quedinho e afável, a ave familiarizou-se com a redação, resolveu se acomodar junto às mesas da Internacional (certamente por ser estrangeira). Depois do fechamento do jornal, lá pelas 11 da noite, o Carlão desceu para o bar do Jaraguá junto com o editorialista e padre Nicolas Bôer, para o uisque santo de cada dia, presentes ainda o Alberto Tamer e mais um ou dois jornalistas, além, é claro, do pinguim.

A ave bicou a perna de um cliente do bar e por isso foi exilada em cima do balcão, onde o velho João arrumava as caixas de cigarros americanos contrabandeados, seu principal ganha-pão, que o pinguim deve ter confundido com o banheiro, pois soltou sobre eles um jato de fezes cheirando a peixe. O ato provocou lamúrias do barman, que, usando guardanapos em vez de papel higiênico, limpava a sujeira e reclamava: “Dr. Carlão, isso é injusto, muito injusto”.

O pinguim estava tranquilo, depois de se recusar a experimentar o uisque oferecido, quando um americano completamente bêbado entrou oscilando no bar e parou estupefato diante do bicho, abaixando-se para olhar o pinguim olho no olho. O bar fez intenso silêncio, enquanto o gringo esticava o indicador, certamente achando que o bicho era alucinação decorrente da bebedeira, e foi aproximando o dedo da ave, impávida.

Ao contrário do que o bêbado esperava, o pinguim não se desfaz no ar, o dedo não passou através dele, mas encontrou penas reais. O gringo deu um berro e sumiu, gritando ainda e tão alto que seus berros apagavam o riso do bar inteiro.
O pinguim, voltou para Santos, depois que Marjorie, a mulher do Carlão, chegou ao apartamento e o encontrou sobre duas grandes pedras de gelo, na banheira, onde já fazia suas necessidades – ao que consta, abundantes.

E semana que vem tem história com leão…

O retorno de Freuderico e Pequenos Heróis 2

Hoje tem tirinha nova no TopBlog e pra compensar o hiato do carnaval, vão duas de uma só vez com o retorno de Freuderico, o psicanalista capaz de se comunicar com fantasmas cujas tirinhas já publiquei na EntreQuadros e no meu site.

Saiu também uma nota no UniversoHQ sobre o segundo volume de Pequenos Heróis que prestará uma homenagem aos personagens da Marvel. Neste volume eu desenharei uma HQ com título provisório de “No escuro…” que homenageia o Demolidor. Segue abaixo um primeiro estudo deste novo projeto.

Outros estudos podem ser conferidos neste link: http://universohq.com/quadrinhos/2010/n23022010_04.cfm

O primeiro volume está atrasado por conta da agenda de alguns dos desenhistas convidados, mas ficará pronto em breve. Aguardem novidades.

E pra finalizar o post, uma resenha nova sobre a primeira edição da EntreQuadros publicada hoje pelo pessoal do ImpulsoHQ. Confiram!

Deu urubu na redação

Charge para o Jornalistas & Cia

Na redação do Estadão, em meados da década de 1990, o ar condicionado não vencia o calor intenso que fazia e, por conta disso, era comum manter as janelas abertas, com vista panorâmica para o córrego da Av. Engenheiro Caetano Álvares.

Mantinha-se uma amigável convivência com os urubus que habitavam o local e que haviam feito das marquises seus pontos de descanso. Com eles dividia-se o espaço para fumar ou simplesmente espairecer um pouco. Apesar das janelas, que iam do chão ao teto, sempre abertas, nunca havia acontecido nada até que uma tarde de muito calor, um deles resolver bisbilhotar a redação. O penoso então flanou atordoadao e meio perdido entre os monitores dos computadores do JT, batendo nos móveis e nas intermináveis pilhas de papéis que povoavam as mesas, provocando correria e gritos, anormais mesmo para uma redação como eram as daquela época.

Todos da Economia do Estadão, assistiram de camarote à cena kafkiana. Jornalistas em fuga, urubu voando e vomitando (urubus fazem isso quando se sentem ameaçados), enfim, um pandemônio, até que o ser alado entrou num dos aquários  e um valente segurança foi atrás e se trancou com ele. Talvez naquela época urubu não fosse protegido pelo Ibama ou talvez não fosse crime ambiental inafiançável, o fato é que o guarda deu cacetada para todo lado, penas voaram e alguns minutos depois saiu carregando o urubu pelas patas e foi longamente aplaudido por todos. Ninguém nunca perguntou o fim que se deu ao bicho, mas houve novas palmas quando chegou o esquadrão da faxina, formado por várias mulheres que entraram no aquário munidas de esfregões, baldes e frascos e mais frascos de Bom Ar.

Matéria certa, foto errada

Antes de mais nada, tem tirinha nova no TopBlog. Não deixem de conferir!

Esta semana saiu uma matéria sobre quadrinhos no Jornal da Comunidade em Brasília para a qual eu fui entrevistado.

A matéria ficou bem bacana, mas acabaram se confundindo lá na diagramação e colocaram a foto de um professor com nome parecido ao meu no lugar.

A matéria pode ser conferida logo abaixo (clique para ampliar):

Os carrapatos de Saul

Charge dessa semana para o Jornalistas& Cia

Saul Galvão, há pouco promovido a enólogo de São Pedro, era hipocondríaco de carteirinha, e gostava de descrever as agruras que passara com cargas de micuim que pegara em criança, nos pastos da fazenda, em Jaú, tão graves que davam febre, alergia e uma coceira infernal.

Ao saber de uma pauta sobre carrapatos, na Entomologia do Butantã, Saul contou a história novamente, explicou em detalhes como era o micuim, larva de carrapato-estrela tão pequena que se torna quase invisível e que fica nos pés de carrapicho e se espalha nas pernas do incauto, quando alguém roça na planta.

A matéria no Butantã foi boa, mas estavem sem retratista levaram à redação, para fotografar, o maior carrapato que existe, uma bola do tamanho de uma ameixa, parasita do bicho-preguiça.

Feita a matéria, um engraçadinho qualquer colocou o vidro aberto, sem tampa, com a etiqueta do Butantã, na mesa do Saul. Ele revirou o sovaco do paletó que estava na cadeira e começou a espalhar pela redação que eu trouxera também amostras de micuim.

O Estadão efetivamente parou para rir do Saul, ajoelhado ao lado de sua mesa, velho isqueiro Zippo na mão, criteriosamente fumegando seu paletó, na esperança de queimar os carrapatos – inexistentes, por sinal.

Paulicéia alagada

Após o mês de janeiro mais chuvoso da história, eu resolvi começar uma nova série de tiras sobre o cotidiano na cidade de São Paulo que publicarei esporadicamente no TopBlog.

Então, sem mais delongas, orgulhosamente, lhes apresento Os Paulistanos Desvairados (clique para ampliar):

Piadas infames

A primeira piada infame deste post é a tirinha nova no TopBlog! Não deixem de conferir!

A outra piada é a charge desta semana para o Jornalistas&Cia.

Durante anos, jornalistas que cobriam determinados setores quando viajavam em férias conseguiam junto às fábricas de carros o empréstimo de veículos, geralmente lançados havia pouco tempo, até para que na devolução, na maioria das vezes menos de 30 dias, pudessem dar seu parecer sobre o desempenho do veículo, suas facilidades e dificuldades.

O editor-chefe do Estadão era Miguel Jorge, hoje nosso ministro do Desenvolvimento. A secretária dele, Elvira era quem providenciava o encaminhamento dos pedidos para a solicitação dos carros.

Um jovem e robusto repórter, que tivera problemas com seu carro prestes a viajar, pediu que Elvira encaminhasse o pedido à montadora. É claro que o pedido era avaliado pela diretoria de Redação. O jovem repórter era muito gozador, não deixava ninguém sem gozação e até um dos donos do jornal não escapava de suas tacadas. Quando a chefia de Redação soube que o pedido era para um carro de preferência grande, decidiu fazer uma brincadeira com o repórter. A solicitação acabou sendo feita para uma Kombi.

Geralmente demorava alguns dias a autorização da montadora para o empréstimo do veículo. O repórter sempre que voltava da rua, após ter cumprido a pauta, passava na sala da Elvira para saber se havia novidade quanto ao carro. E assim se passaram alguns dias. Ela sabia que a Kombi solicitada não estava disponível e demoraria alguns dias.

Uma semana depois houve a liberação. Um motorista da montadora levou a Kombi para o pátio do prédio do Estadão, no bairro do Limão, e a deixou estacionada nos fundos, perto da rampa que levava os caminhões até o local onde o jornal é recolhido para ser distribuído às bancas e aos assinantes.

Noite de sexta. Trabalho cumprido, texto pronto e entregue ao editor. O repórter iria viajar na 2ª.feira e foi avisado para passar na sala da Elvira pois a encomenda chegara. Ela entregou as chaves e disse que os documentos e a autorização para rodar com o veículo ele encontraria no porta-luvas.

– Que carro é? – perguntou o jornalista.

– Não sei – respondeu Elvira. O motorista só deixou as chaves e avisou onde estão os documentos.

Claro que ela sabia. Um pequeno grupo de jornalistas também. Todos amigos do repórter e que ficaram à espera da saída dele com destino aos elevadores. A redação do Estadão fica no 6º andar e assim que ele entrou no elevador todos desceram rapidamente pelas escadas.

O repórter procurou pelo carro. As indicações da Elvira eram para o estacionamento ao lado da rampa. Ali estava uma Kombi. Ele pediu no tráfego para telefonar e perguntou se não havia algum engano. Nada. A montadora mandara mesmo a Kombi.

Ele tentou entrar no carro. Alto, forte, sentou com dificuldade. Percebeu que não conseguiria dirigir. Nesse momento, olhou para o lado e viu o grupo de colegas que caíra na gargalhada.

– Ôrra meu! Quem foi o fdp autor dessa sacanagem?

Le Brésil n’est pas un pays sérieux

Hoje tem tirinha nova no TopBlog. Não deixem de conferir!

Abaixo segue a charge dessa semana para o Jornalistas & Cia.

No ano de 1964, o então presidente francês Charles de Gaulle fez uma das muitas inaugurações da Cosipa (Companhia Siderúrgica Paulista), em Cubatão, ao pé da Via Anchieta, na Serra do Mar. José Dias Herrera, o Zezinho, chegou atrasado e o presidente francês já havia acionado o botão que inaugurava a Laminação a Frio da empresa. Com a elegância que também lhe era peculiar, o  jovem fotógrafo de A Tribuna foi rápido e  passou pela segurança. “Levantei o braço – e muito, pois o homem tinha mais de dois metros de altura –, bati no ombro dele e disse ‘Monsieur, s’il vous plâit: hum, hum, hum!’, fazendo gestos para que ele apertasse novamente o botão. Ele riu, foi lá e atendeu ao meu pedido. Naquele dia a Cosipa  foi inaugurada duas vezes”. Há quem atribua ao ato do Zezinho a frase de de Gaulle: “Le Brésil n’est pas un pays sérieux”, que o francês até a morte negou ter pronunciado. Desde o último dia 17, Zezinho deve estar ao lado de de Gaulle e ambos rindo da história na Cosipa.

É o amor!

Hoje tem tirinha nova no TopBlog. Não deixem de conferir!

Saiu a lista das melhores HQs de 2009 do UniversoHQ e a EntreQuadros (cujo próximo número está prestes a sair do forno) marcou presença entre as menções honrosas! Fiquei bem feliz também com a menção da Nanquim Descartável do Daniel Esteves que desenhei um capítulo e com a presença do trabalho de alguns parceiros como a Pieces do meu xará Mário Cau, Os Passarinhos do Estevão Ribeiro e o Punny Parker do Vitor Cafaggi. A lista pode ser conferida neste link.

Agora a charge dessa semana para o Jornalistas & Cia.

Certo dia, em meados da década de 1960 na redação da revista Realidade, entrou na redação uma jovem, nem tão jovem, furiosa.

– Onde ele está? Onde está aquele cachorro?

Ela procurava Narciso Kalili, então seu namorado, ou algo mais. Ele correu para a sala dos fundos, mas ela não perdoou. Ficou chamando, com tal veemência, que ele veio para a sala da frente. Vale dizer que a redação da Realidade era uma salsicha. Tinha um pequeno hall de entrada e, à direita, a redação, depois de uma porta a Arte e, depois de uma outra portinhola, um tipo de dispensinha. Se, em vez de entrar à direita, você virasse à esquerda, entraria na sala do Robert (na época ele era chamado de Robert) Civita, então diretor de Redação da revista.

Ela pulou no pescoço dele quando ele pisou na sala da frente. O Narciso caiu e ela, deitada sobre ele, continuou batendo e dizendo coisas. Narciso era elegante e não reagia, pois era incapaz de bater numa mulher. Só pedia que ela parasse. A redação virou um barraco, segura, pega, tira ela daí, falavam alguns, outros riam gostosamente e outros, ainda, eram da turma do “deixa que eles resolvem”. Nesse momento, atraído pela barulheira, Robert Civita abriu a porta de meio vidro jateado que dividia o hall da turma. Tomou o maior susto ao ver a cena, deu um passo atrás, sorriu e disse, com aquele sotaque inexorável:

– Opa, hoje temos farwest aqui…

Fechou a porta e, também elegante e discretamente, retirou-se para sua sala.

No fim, Narciso e aquela simpática senhora (era simpática, sim) foram acabar a “conversa” lá no fundão da Arte. Depois de uns 20 minutos saíram os dois, de mãos dadas e em paz.

Algum tempo depois, na reunião de pauta, na mesma Realidade, lá pelas 5 da tarde, e o Narciso perguntou:

– Gente, será que essa reunião vai demorar muito?

Alguém respondeu que não havia pressa e perguntou por que ele queria saber. Narciso respondeu com muita calma:

– Gente, é que eu vou casar hoje, às 7 da noite. Ainda preciso ir para casa, tomar banho, me vestir…

A quem possa interessar: ele se casou com aquela mesma jovem. E foram felizes por muitos anos.

O imortal e a piada mais absurda e politicamente incorreta de todos os tempos

Antes de mais nada, tem tirinha nova no TopBlog, a primeira de 2010! E pra começar bem o ano, o palhaço irá nos contar a piada mais absurda e politicamente incorreta de todos os tempos! Confiram!

Abaixo segue a charge dessa semana para o Jornalistas&Cia.

Frederico Branco, o Fritz, recebeu de um parente do interior um peru, mas vivo, ao qual imediatamente se afeiçoaram os filhos, que o consideraram animal de estimação e tiveram que ser enviados para a casa da avó no dia do que chamaram de “assassinato do peru”.

Urbanoide, o Fritz só sabia que era preciso dar pinga ao peru e, numa crônica que escreveu a respeito, conta que todo mundo tomou a cachaça, que respingou na roupa da família inteira, mas o peru se mostrou absolutamente abstêmio. Mesmo sem a pinga, Frederico resolveu matar o bicho e, sem conhecimento da tecnologia adequada, pegou o facão da cozinha e deu uma punhalada no peito do peru.

“Voou pena para todo lado, mas o peru sobreviveu”, relembrava ele, que resolveu então enforcar o peru no varal da área de serviço, usando a cordinha da cortina, o que resultou em novo fracasso, pois só serviu para soltar o esfíncter da ave e espalhar fezes na cara do Frederico. Ele então perdeu a paciência, pegou o trezoitão na gaveta e matou o peru com um tiro certeiro, realmente eficaz, mas que provocou a denúncia dos vizinhos e levou o Frederico a se explicar na Delegacia e muito bravo, porque em vez de fazer o boletim de ocorrência, delegado e também investigadores rolavam de tanto rir da história, que acabou virando crônica.