Troféu HQ Mix – Recadastramento

A comissão do Troféu HQ Mix está realizando uma campanha para recadastrar todas as pessoas que votam no prêmio, considerado o principal do mercado de quadrinhos. A ideia é ter informações mais detalhadas sobre cada eleitor.

Os primeiros pré-indicados ao prêmio deste ano também já começaram a ser divulgados. E Pequenos Heróis já marcou presença na categoria Publicação Infanto-Juvenil ao lado de pesos pesados da área como Mauricio de Souza e Ziraldo! Confiram no blog da premiação: http://trofeu-hqmix.blogspot.com/

Para se recadastrar, é preciso enviar, até o dia 30 de maio de 2011, um e-mail para hqmix@yahoo.com.br, com a ficha abaixo preenchida.

Nome:

Endereço:

RG:

Telefone de contato, com DDD:

Área de trabalho (anotar uma ou mais em que se enquadra)

( ) roteirista

( ) desenhista

( ) colorista de HQ

( ) editor

( ) jornalista especializado

( ) editor de blog/site de HQ e humor gráfico

( ) pesquisador ou professor da área de quadrinhos e humor gráfico

( ) outros

Blog ou site pessoal:

E-mail para votação (importante: use um endereço que não contenha antispam):

Resumo curricular (de três a dez linhas):

Esse processo servirá também para a inscrição de novos votantes. Assim que o e-mail chegar à comissão, o eleitor receberá uma resposta da comissão do HQ Mix.

O votante inscrito terá, futuramente, serviços exclusivos, como descontos em livrarias, jornal da Associação dos Cartunistas do Brasil, informações sobre promoções e sorteios de originais de desenhistas e materiais de desenho. Mas o cadastramento é só para profissionais da área.

Fonte: UniversoHQ

Fazendo uma página de HQ: passo-a-passo

Volta e meia me perguntam sobre o meu método de trabalho e minhas técnicas (ou falta delas :P), então resolvi fazer um post sobre como eu faço minhas páginas de quadrinhos da EntreQuadros.

O ponto de partida, obviamente, é a elaboração do roteiro.

No caso da EntreQuadros, por se tratar de um trabalho pessoal, esse processo varia bastante. Às vezes a história vem toda numa tacada só como foi o caso da HQ especial de Natal que publiquei gratuitamente no site da Balão Editorial.

Outras vezes, é um processo lento em que as ideias vão se maturando aos poucos. A próxima edição da EntreQuadros foi um desses processos lentos. Tive a ideia da história há mais de seis anos, mas ainda não era o momento de realizá-la. Creio que precisava ter vivido algumas experiências antes de escrever sobre personagens passando por algo semelhante. Um outro fator importante no desenvolvimento deste roteiro é que a cidade de São Paulo, onde resido há mais de cinco anos, acabou se tornando praticamente uma personagem da história.

Depois de ter a história, eu a decupo em forma de roteiro de quadrinhos, definindo a divisão de capítulos, páginas, quadros etc. As primeiras ideias de enquadramento, ângulos e sequências narrativas me vem à cabeça nesse momento. Este roteiro decupado fica mais ou menos assim:

Por ser um projeto meu mesmo, não detalho muito os elementos em cena, pois eles já estão configurados na minha cabeça. O design dos personagens e cenários também já foram definidos quando eu desenvolvia o enredo.

Tendo o roteiro pronto, eu rascunho uma pequena miniatura de cada página já pensando na diagramação, composição das cenas, espaço para os balões e recordatórios. Muitas vezes eu mudo, nesta etapa, a divisão dos quadros que havia imaginado anteriormente por visualizar como eles realmente vão funcionar desenhados. É aqui onde eu defino de vez o ritmo da leitura e quais cenas devem ser mais enfatizadas.

Só depois de ter definido todos os pormenores da página é que vou pra prancheta de fato. Eu desenho em formato maior do que o publicado, tamanho A3, em folha de papel sulfite mesmo. É possível encontrar papel sulfite com gramaturas maiores (120 ou 180) em papelarias. Não gosto muito do papel canson e semelhantes porque o pincel que utlizo não desliza muito bem sobre a textura àspera na hora de aplicar a arte-final. A página desenhada só no lápis fica mais ou menos assim:

Depois disso, eu limpo as linhas de construção e rascunho usando uma borracha limpa-tipo que não danifica o papel. É um tipo de borracha que parece uma massinha de modelar e pode ser encontrada facilmente em papelarias e lojas de material de desenho. Para arte-finalizar eu utizo tinta nanquim, pincel (desses de caligrafia japonesa, pois permitem uma variação rica na espessura do traço e posso criar texturas interessantes com eles semi-secos) e canetas descartáveis para fazer os traços mais uniformes.

Acabando a arte-final eu ainda aplico os tons de cinza utilizando aguada, uma técnica em que se dilui o nanquim em água para obter os cinzas. Prefiro fazer assim a aplicar os cinzas no computador porque as texturas e ‘falhas’ da aguada me agradam mais, deixam a página mais viva, mais interessante.

Feito isso, eu escaneio a página e trato a imagem no computador fazendo uma separação do traço e dos tons de cinza e tranformo os cinzas em uma cor especial para poder imprimir em duas cores e não em policromia. Nesta próxima edição da EntreQuadros usarei um verde para dar o clima certo pra história. Depois sobreponho uma camada sobre a outra e aplico o efeito de ‘Multiply’ sobre elas. O efeito final fica assim:

Arte pronta. Falta o letreramento. Eu aplico as letras e os balões no InDesign, um programa de editoraçãode livros, revistas etc. Para os diálogos, eu utilizo a fonte La Cartooniere que eu mesmo re-editei para incluir os acentos da língua portuguesa. Os balões e recordatórios eu desenho um a um no próprio programa.

E, então, tcharans!!!!

Depois de umas 6 a 12 horas de trabalho, dependendo do nível de complexidade, fica pronta uma página que vocês lerão em questão de segundos.

Atualmente, já tenho cerca de metade da próxima edição da EntreQuadros pronta e devo lançá-la no segundo semestre deste ano.

O tarô de Plínio Marcos

Charge para o Jornalistas & Cia

Quem conta a história desta semana é José Paulo Lanyi. Ele lembra de quando conheceu o dramaturgo (e tarólogo nas horas vagas) Plínio Marcos.

Plínio ainda não conhecia José nem se ele era pintor de parede ou destilador de alambique. Foi deitando as lâminas. Seguem abaixo algumas das coisas que Plínio disse e predisse.

(sotaque de malandro santista, o “s” puxado)

Plínio – Tu vais ser um contador de histórias…

José – !

Plínio – O teu destino é contar histórias…

José – É mesmo? Interessante… Eu sou jornalista e escritor…(…)

Plínio – A tua maior virtude vem dos teus ancestrais. Tu nunca perdes a esperança…(…)

Plínio (sorriso maroto) – Tu nunca vais precisar de Viagra…

José (sorrindo, ahhhhhhhh…. sorrindo ainda mais…ahhhhhhhhhhh… e cada vez mais…) – É?

Plínio – Tu sempre vais ter mulher! Mulher nunca vai te faltar!

José – He, he, he…

Ficaram amigos. Afinal, ele era gênio, tarólogo e, de quebra, prediziu mulheres e virilidade in natura pra José.

Little Heroes 02

Essa boniteza de ilustração abaixo é a capa do segundo número de Little Heroes (Pequenos Heróis) que será lançada nos EUA em breve pela 215Ink em formato digital para WOWIO, Ipads e afins.

A segunda edição compila as HQs The Nigerian Knight e My Sweet Little Bird com roteiros de Estevão Ribeiro e arte de Emerson Lopes e Léo Finocchi. A capa é novamente assinada por Anderson Nascimento. Aguardem novidades.

O nascimento de uma lenda

Charge para o Jornalistas & Cia

A charge dessa semana é novamente sobre a Fera Popó (a mesma que não repassou uma ligação do Parreira para a redação em plenas eliminatórias da Copa de 94…). A história é mais precisamente, sobre a origem de seu apelido. Confiram:

Vera trabalhava na Revista Domingo do JB, como estagiária. Deve ter ficado lá duas semanas (era o máximo que cada editoria aguentava). Um dia, como devia ser meio surda, começou a gritar no telefone durante a apuração sobre preço de pratos para a coluna de gastronomia:

– Por favor, quanto é o popó?

Pelo visto, o sujeito do outro lado da linha não entendeu o que ela queria dizer. Por isso ela continuou, cada vez mais alto:

– O popó? Quanto é? Quanto é o popó?

As pessoas olhando em volta. A redação já quase toda parada em função da gritaria. Ninguém entendia coisa alguma.

– Por favor, meu senhor, eu quero saber o preço do popó… Quanto está o popó? Popó… Popó de caparão…

Naquele dia, Vera virou Fera. Fera Popó.

O relógio do velho Levindo

Charge para o Jornalistas & Cia

A história da semana é de Plínio Vicente da Silva. Segue abaixo o curioso relato:

“Bem acima, na borda superior do mapa do Brasil, ali à esquerda da Guiana, mais pro lado da Venezuela, a gente vê uma espécie de ponta. É onde está localizado o marco zero das três fronteiras, fincado pelo marechal Cândido Mariano da Silva Rondon ainda na primeira metade do século passado. É também nesse espigão geográfico, o mais setentrional do território brasileiro, que brota da encosta do monte Roraima, berço de Macunaíma, o mítico rio Uailan, que mais embaixo vai ajudar a formar o Cotingo.

Ainda hoje, mesmo com estradas em boas condições, não é fácil chegar ao alto Cotingo. Mais difícil ainda é alcançar a corrutela do Suapi, a minúscula vila onde uma das lendas do garimpo de Roraima instalou seus domínios. Foi nesse vale distante que o mineiro de Ponte Nova Levindo de Oliveira se tornou um dos maiores caçadores de diamantes da Amazônia. Foi, durante décadas, um dos principais fornecedores de pedras preciosas para casas de lapidação do sudeste do País. Jóias que, depois, foram alimentar a vaidade de ricaços e ricaças mundo afora.

Contam os historiadores locais que no começo do século XX havia duas coisas em profusão em Roraima: gado e diamantes. Em 1906, garantem pecuaristas pioneiros, o rebanho roraimense de zebuínos era o mais puro plantel de nelores já criado em território brasileiro, reunindo de mais de 400 mil cabeças. Já os diamantes nunca ninguém soube contar quantos foram. Saiam de avião em malotes transportados por seguranças armados. Junto com eles sabia-se que, ao lado de muitas outras de menor valor, iam as pedras mais famosas e mais bonitas entre as que já foram encontradas no subsolo da região: os fantásticos diamantes cor-de-rosa.

O velho Levindo criou fama não só por ter faro apurado para essas pedras. Era também um filósofo, um sábio, capaz de, como poucos, entender os sentimentos que passeiam pelos labirintos da alma humana. Falava manso, nunca levantou a mão para alguém e sempre resolveu as pendengas – inclusive as querelas entre suas mulheres – com uma boa conversa, coisa que mineiro sabe fazer bem, e uma salomônica competência para tomar decisões.

O que mais me marcou nesse desbravador sertanejo foi um fato ocorrido logo nos primeiros tempos depois da minha chegada em Roraima, em meados dos anos 80. Certo dia, sabendo que ele subiria a serra para fazer pesquisas no Cotingo, pedi-lhe que me levasse junto. Em princípio rejeitou. Deu-me como razão minha deficiência nas pernas, que me faria sofrer muito, já que as condições de locomoção seriam as mais difíceis, sacrificantes mesmo. Argumentei que não pretendia andar por qualquer canto e que minha idéia era ficar no acampamento, observando, convivendo com ele e seus faiscadores. No máximo poderia me aventurar a pequenas distâncias, até onde minhas limitações o permitissem. Então ele pensou, pensou e porque acho que gostava mesmo de mim e das nossas conversas, acabou concordando.

Dias antes, ao saber da viagem, havia vendido a idéia ao Caderno 2 do Estadão, editado na época pelo Luiz Fernando Emediato. Como argumento usei o fato de que se tratava de oportunidade rara para uma reportagem mostrando os primeiros passos de uma caça aos diamantes, feita num dos cenários mais cinematográficos da Amazônia.

Feito os acertos, lá fomos nós, sacolejando num velho jipe pelas veredas esburacadas. Saímos na manhã de uma segunda-feira e depois de muito rodar, com um pernoite na vila do Mutum, na tarde da terça-feira chegamos finalmente ao Suapi.

Éramos seis: Levindo, quatro faiscadores e eu. O acampamento se resumia a uma barraca sustentadas por pernas mancas e coberta por uma velha lona, sob a qual se acomodavam as redes, a gente e as tralhas. A cozinha, instalada ao ar livre, ficava na beira do rio. Tudo bem calculado, pois não havia risco de chuva, já que era a estação da seca, e nem de incêndio. Para lavar a louça, então, bastava dar alguns passos até a corrente cristalina.

Levindo fez a janta, o pessoal comeu e nem bem começou a escurecer foi todo mundo se deitar. Por dois motivos: o cansaço da viagem e a necessidade de acordar bem cedo, pois ao primeiro clarão do dia começaria o trabalho de faiscagem.

Estendido na rede, com o sono dando já seus primeiros sinais, procurei pelo velho e não o vi. Havia desaparecido. Espantei o sono e esperei, remoendo a curiosidade. Voltou talvez não mais que meia hora depois, seguido por uma índia visivelmente já na terceira idade. Com todo o respeito que merece o ser humano, ela tinha tantas e tamanhas rugas que seu rosto mais parecia casca de maracujá ressequida, mostrando os efeitos da perda do viço da juventude e dos mimos da segunda idade. Mandou que se acomodasse numa rede que instalara sob a copa de um caimbezeiro e pouco depois, vigiados por uma nesga de lua crescente pendurada no céu estrelado, já estávamos todos dormindo.

Levindo me acordou quando os faiscadores, de bateia em punho, já se entregavam à faina de revirar o cascalho, ali bem perto. Entre eles e o acampamento havia uma pedra e sobre ela, de cócoras, cachimbando fumo crioulo num pito com fornilho de barro cru e boquilha de taboca, a índia permanecia impassível. Quis perguntar, mas me contive. Precisava ver aquilo mais tempo para poder entender. Então fui com ele tomar a primeira refeição do dia: café e cuscuz com leite, que preparara numa velha panela.

Assim foram passando os dias, sempre com a mesma rotina: alvorada, café da manhã, almoço, sesta de duas horas, trabalho rio acima e rio abaixo até 5 da tarde, jantar e rede. E até o escurecer, a velha lá na pedra, de cócoras, cachimbando. Fora isso, era café da manhã, fugir para trás da moita de vez em quando, voltar para a pedra, cachimbar, jantar e dormir. O velho não a chamava para nada, nem para ajudar a lavar os trens da cozinha.

Passados dez dias, a curiosidade era tanta que não me agüentei. Com a cautela que o assunto merecia, perguntei-lhe qual era, afinal, a serventia da presença da índia naquela empreitada. Sem parar de lavar os pratos, talheres e panelas, apenas me pediu paciência e atenção. Como era um sujeito respeitado naquilo que dizia e fazia, tratei de seguir o conselho.

Na tarde de sexta-feira, décimo primeiro dia, o velho estava cuidando da cozinha enquanto os peões, deitados na rede, aguardando a janta, comentavam os resultados da faiscagem: a descoberta de pelo menos meia dúzia de promissores pontos de garimpagem, onde, nas bateadas, foram encontradas pequeninas pedras à flor do cascalho.

Diomedes, o mais jovem deles, ficou longe da conversa, pensamento perdido no horizonte e o olhar sumido na direção da pedra lisa, às margens do Cotingo. A certa altura, emendando com um suspiro, disparou num quase murmurejo: “Até que índia não é tão feia assim…”.

O garimpeiro ouviu, assuntou e então fez aquilo sobre o que me pedira para esperar. Chamou o pessoal e antes que alguém desse a primeira colherada anunciou: “Amanhã, bem cedo, vamos levantar acampamento”.

E então eu conheci, na sua profundidade, a malícia, a esperteza e a sabedoria do lendário garimpeiro. A índia velha, de cara amarrotada, era, na verdade, o despertador biológico do qual, nessas ocasiões, se socorria o velho Levindo para saber a hora de voltar para casa.”

História de Cajafeste

Charge para o Jornalistas & Cia

A ano 1970. Época dos sequestros políticos, das prisões ilegais, das torturas nos cárceres pela repressão política. Renato Lombardi trabalhava na sucursal do O Globo em São Paulo. Cobria além da área de segurança o temido Dops. Tinha dificuldade em conseguir informação e graças a Inajar de Souza, grande repórter do Jornal da Tarde, tratado pelos colegas pelo carinhoso apelido de Cafajeste, Lombardi ia aos poucos conseguindo fontes para fazer o seu trabalho. Ele não desgrudava do Inajar nas grandes coberturas. Em março de 1970 o cônsul japonês em São Paulo, Nobujo Okuchi foi sequestrado pela Vanguarda Popular Revolucionária, a VPR.
O cônsul morava numa bela casa na Praça Buenos Aires pertinho da Avenida Angélica. O portão e a mureta que davam para a rua eram baixos. Havia uma rampa que levava à casa com um coqueiro à direita. (Anos depois construiram um prédio no lugar da casa.) Lombardi e o Inajar, estavam numa solenidade na Secretaria da Segurança que ficava na Rua Brigadeiro Tobias. Terno e gravata ouviram sobre o sequestro e fomos para a Praça Buenos Aires.
Na entrada da casa um policial que nos perguntou de onde eram. Inajar disse.
   – Somos do Estado
E o policial autorizou a nossa entrada. Acharam fácil para um sequestro daquela envergadura. Inajar encontrou policiais que conhecia dentro da casa e começamos a levantar a história. Ficaram por mais de duas horas. Material apurado. Vida do cônsul, a maneira como o sequestro ocorrera, o que a polícia estava fazendo, os primeiros contatos dos sequestradores. Pegaram ainda fotos do cônsul que estavam sobre uma escrivaninha.
Quando se preparavam para sair chegou aquele que os expulsaria daquela casa. O delegado Sérgio Paranhos Fleury. Ao nos ver se aproximou como toda a “educação e delicadeza”, chamou os policiais que conversavam com a esposa e os em pregados do cônsul e gritou.
  – Quem autorizou a entrada desses dois?
Ninguém respondeu. Mandaram chamar o policial que estava no portão.
  – Você permitiu a entrada deles? – vociferou Fleury
  – Foi sim senhor, respondeu o policial todo amedrontado
  – E porque, gritou o delegado  
  – Doutor, disse o policial, eles disseram que eram do Estado. Achei que eram da casa
Em todo o seu autoritarismo, o delegado chamou um de seus subordinados e determinou disse que nos levassem ao Dops para os autuar por falsidade ideológica. Tinham passado por funcionários do Governo do Estado. Ele os acusava de que tinhamos passado por policiais.
Foi ao que o Inajar argumentou
   – Espera lá doutor Fleury. Pergunte ao seu sobordinado exatamente o que eu disse.
O policial repetiu
   – Esse moço – apontando para o Inajar – falou que era do Estado
Inajar sacou da credencial do jornal  com as informações: Jornal o Estado de S. Paulo. Repórter. E Entregou para o delegado. “Sou do Estadão. Jornal O Estado de São Paulo.”
Fleury apontou para Lombardi.
    – E esse ai
   – Ele trabalha no O Globo e em momento algum se identificou como do Estado, disse Inajar. Verdade ou mentira? perguntou ao policial.
   – Verdade concordou o tira
Os colocaram para fora da casa. Mas tinham toda a história. No dia seguinte o JT deu uma página. O Globo também uma página. O cônsul acabou sendo libertado, trocado por 5 prisioneiros.  Infelizmente o velho Cafa nos deixou há algum tempo. Virou nome de Avenida na zona Norte de São Paulo.