O Porco Verde

Hoje tem tirinha nova no TopBlog. Não deixem de conferir!

O TopBlog está de cara nova e, infelizmente, os links para as tirinhas mais antigas sumiram, mas o pessoal lá já está ajeitando isso.

O link novo para o meu blog lá é: http://www.topblog.com.br/2010/blogs/quadrinhos/

Abaixo segue uma charge para o Jornalistas & Cia

O caso da vez ocorreu no Jornal do Commercio (com essa grafia mesmo!) do Recife e é fato real, que pode ser comprovado facilmente. O episódio é conhecido como O Porco Verde.

Era plena ditadura militar e a repressão era muito forte, principalmente no Recife, considerado um dos focos da subversão. O Jornal do Commercio já não era o mesmo dos tempos do Dr. F. Pessoa de Queiroz, mas ainda conservava os ares de seu antigo charme. Sua rotativa, moderna para a época, permitia a impressão em cores, não as quatro de uma vez, como hoje, mas uma só, recurso válido apenas para o Suplemento Infantil dominical, cuja primeira página era impressa sempre em cor berrante.

O editor de Nacional estava sendo remanejado, por causa do desempenho, digamos, insuficiente. Ele era baixo e gordo, mas não obeso. E sempre tentava se expressar com erudição mas sem conteúdo correspondente. Daí ter o apelido, entre os colegas, de Burro Solene. Sua defenestração da editoria Nacional foi-lhe vendida como uma promoção e ele engoliu a corda, a ponto de alardear, com alguma empáfia, que sua competência tinha sido afinal reconhecida. Por isso, ele assumiria com orgulho a editoria do Suplemento Infantil e promoveria profundas mudanças! Toda a redação conhecia os reais motivos e, obviamente, gargalhava até as lágrimas!

O grupo que fazia o Suplemento Infantil começou a ficar preocupado com a fama do novo chefe. E resolveu pregar-lhe uma peça. A historinha publicada na primeira página do suplemento dominical foi-lhe dedicada secretamente e contava que o porco (não dava para usar a figura do burro, senão ficaria muito evidente) mudou de fazenda e chegou querendo botar banca, prendendo as galinhas no galinheiro, fazendo e desfazendo, um verdadeiro ditador. O desenhista do suplemento tascou o desenho de um porco bem parecido com “alvo”: baixinho, mas não muito, gordinho, mas não muito. O novo editor aprovou a história e o desenho e, na sexta-feira, foi embora, enquanto sua nova equipe morria de tanto rir. Logo o resto da redação soube da história e ninguém aguentava mais esperar a segunda-feira seguinte para ver a cara do Burro Solene.

No sábado, as páginas do suplemento desceram para a gráfica e lá o chefe de impressão escolheu aleatoriamente a cor que mais lhe sobrava: verde. A cor ficou muito clara e ele colocou um pouquinho de tinta preta até alcançar um verde mais consistente, quase um verde-oliva.

No domingo de manhã, toda a redação do Suplemento Infantil foi presa e interrogada nas masmorras da 7ª Região Militar. É que, semanas antes, tinha tomado posse um general linha-dura, baixinho, gordinho e que estava colocando todos os comunistas na prisão. Foi um custo convencer os milicos de que a historinha não se referia ao general e sim ao editor, e que foi mero acaso o porco pintado de verde. Como ninguém tinha antecedentes políticos, todos foram liberados. Mas, o susto foi enorme!

Na segunda-feira, o Burro Solene apareceu na redação com um olhar irônico e superior, do tipo: “Não mexam comigo que eu chamo o Exército!”

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