Mexendo com a cabeça

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Abaixo segue uma charge para o Jornalistas & Cia

Na redação da Folha de S.Paulo, entre o intervalo de um texto e outro, Zé Aparecido, um cara bem humorado e cheio de presepadas, protagonizou um dos episódios mais hilários de sua carreira.

Ele não tirava os olhos do copidesque recentemente chegado à Redação. Fazia frio em São Paulo e o sujeito ia ao trabalho bem composto. Usava terno, como manda o figurino, com direito a colete, lenço na lapela, sapato brilhando e um chapéu comprado nas lojas Prada na rua São Bento.

O que intrigava o Zé é que o cara não gostava muito de conversa. Chegava, colocava o paletó na cadeira e pendurava o chapéu ao lado da mesa. Recebia os textos, cumpria a tarefa e saia olimpicamente sem dizer tchau. Comportamento estranho em um ambiente onde o fechamento terminava em grandes papos, comidas de todo o tipo e bebericagens.

Já que ele só quer saber de  trabalho, pensou o Zé, vou mexer com sua cabeça… No dia seguinte começou a por em prática seu plano. Um plano que envolveu uma visita estratégica às lojas Prado, da São Bento, e todos vão saber porquê. Enquanto o colega foi tomar um lanche, Zé Aparecido, sorrateiramente, pegou o chapéu do cara e o trocou por um outro, muito parecido, porém com número menor. Na saída, vendo o copi colocar o chapéu, deixou-o ainda mais intrigado perguntando, na frente de toda a redação, com um tom de voz elevado, se ele estava com algum problema na cabeça. O copi, secamente, disse não! e caiu fora. Na Redação, conhecendo a fama do Zé Aparecido, todos riram muito, esperando pelo que viria no dia seguinte. Mas ele se manteve firme e nada revelou, aumentando o suspense.

Dia seguinte, a mesma rotina, a mesma hora do lanche e nova troca de chapéu. Aí com toda a Redação observando a reação do copidesque e se contendo para não estragar a “brincadeira”. Veio a substituição por um número ainda menor e a pergunta do Zé ao se despedir do colega, com um esforço grande para demonstrar que estava muito assustado: “Você está doente?”. “Por quê você quer saber – retrucou o copidesque, acrescentando quase em pânico – você está notando algo de diferente em mim?”. “Sei lá, cara – disse o Zé – estou te achando tão pálido… sua cabeça parece que está mais inchada do que ontem…”

Embora nada tenha respondido, o copi, na saída, fez menção de reconhecer uma certa dificuldade em colocar o chapéu. Teve gente que se atirou no chão de tanto rir, já antevendo a terceira etapa da brincadeira.

No terceiro dia, o homem não resistiu. Com a terceira troca seguida de chapéu, quase aos prantos, revelou aos amigos sua preocupação e disse que estava pensando em pedir uma licença médica, que já tinha marcado uma consulta num especialista, que estava achando que ia morrer, que sua cabeça estava a ponto de explodir, e que ele não sabia enfim porque em três dias sua cabeça havia inchado tanto…

Só foi se dar conta de que não era a cabeça que inchara mas o chapéu que diminuíra e que caíra no “conto do chapéu” do Zé Aparecido quando este, mestre em fugas, escafedeu-se escada abaixo, deixando para trás uma Redação explodindo numa imensa e uníssona gargalhada.

Como brinde, o nosso copi ficou com os três chapéus de presente.

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