4Mundo em Piracicaba e tirinha nova

Hoje tem tirinha nova no TopBlog! Confiram!

Ao voltar de férias, estou podendo conferir algumas coisas que acabaram saindo justo quando eu não estava aqui.

Uma delas foi uma exposição do coletivo 4Mundo no Salão Internacional de Humor de Piracicaba, um dos mais importantes e tradicionais do Brasil, e que acabou rendendo um catálogo próprio cuja capa pode ser conferida abaixo.

A exposição apresentou o trabalho de 41 artistas cuja experiência em quadrinhos fora do grande circuito comercial já garantiu dois grandes prêmios da área: HQMIX 2008 – Contribuição do Ano ao Quadrinho Nacional e Ângelo Agostini 2009 – Prêmio Jayme Cortes.

Tendo como curadores Edu Mendes e Fábio San Juan, “Quarto Mundo – Página por Página” conta com obras de A. Moraes, Alex Mir, Alex Rodrigues, André Caliman, André Diniz, Antonio Eder, Bira Dantas, Cadu Simões, Caio Majado, Chicolam, Cristiane Drews, Daniel Esteves, Edu Mendes, Fabiana Gummo, Fernanda Chiella, Frank Delmiro, Gil Tókio, Hugo Nanni, Jeff Batista, Jozz, Laudo Ferreira Jr., Leonardo Melo, Leonardo Santana, Marcos Venceslau, Mario Cau, Marlon Tenório, Mauricio Fig, Omar Viñole, Pablo Mayer, Paulo Kielwagen, Renato Lima, Rick Milk, Rodrigo Montero, Sergio Chaves, Viviane Cris, Wagner de Sousa, Wagner de Passos, Wanderson de Sousa, Wellington Marçal, Wellington Srbek e Will.

Parabéns, pessoal! O catálogo ficou show de bola!

De volta à ativa

Acabaram-se minhas férias e nada melhor que voltar pra ralação do que uma charge pro Jornalistas & Cia.

A charge dessa semana é sobre um caso relatado pelo Eduardo Ribeiro, editor do Jornalistas & Cia.

Lá nos idos de 1976, a Abril reuniu um elenco de peso para tocar o projeto TV Guia. Entre os integrantes da equipe estava Hélio Moreira da Silva, secretário da redação.

Helião, como era chamado – pois era grande como um armário –,  tinha um tremendo astral e era um emérito gozador. Com ele não havia tempo quente. Podia o mundo estar desabando na redação que o sorriso dificilmente desaparecia de seus lábios. Quebrava o azedume dos fechamentos com brincadeiras irreverentes e não tinha preferência: azucrinava com todos e nem os chefes perdoava. Mas o restante da redação também teve a sua vez…

Em uma sexta-feira de fechamento, ele saiu normalmente para a reunião de praxe que antecedia as últimas providências da edição. Quarenta minutos depois, beliscando um, assoviando no ouvido do outro, puxando o papel da máquina de um terceiro, ele se dirigiu à sua mesa, que ficava bem no centro da redação, instalada num grande salão retangular, no então prédio que a Abril alugava na rua Emílio Goeldi, na Lapa de Baixo. Sentou-se, satisfeito, por estar com tudo acertado e feliz por ter azucrinado a vida de repórteres e editores, como sempre fazia.

Naquele tempo, não era só computador que não existia. Também não havia celular. Mas tinha aparelho móvel, um antecessor do pager, chamado Bip, que quebrava bem o galho daqueles que precisavam se comunicar em trânsito. Podemos até dizer que o Bip foi um precursor dos celulares, visto que cumpria praticamente a mesma função e tinha na mobilidade sua força principal, embora de alcance muito limitado.

Todos os repórteres de TV Guia tinham Bip, o que considerávamos um privilégio e motivo de certo garbo, pela importância que então se dava àqueles aparelhos usados presos aos cintos até com uma alguma ostentação.

Para acioná-los, bastava ligar para a central de atendimento, dar o código e ditar o recado (favor ligar para fulano de tal, na empresa tal etc.). No máximo em dois minutos o tal Bip começava a apitar, em geral de forma estridente, porque o som (um onomatopaico bip-bip-bip, daí nome do aparelho) precisava ser alto para que o usuário o escutasse, mesmo num local barulhento. Era muito utilizado por prestadores de serviço, que tinham no rápido atendimento um diferencial.

Uns dois minutos depois que chegou à sua mesa, Hélio ouviu um bip muito próximo e estranhou, porque ele próprio não tinha aparelho. Passados uns cinco segundos, mais um segundo bip se somou ao primeiro, vindo de tão perto quanto. Mais cinco segundos, e um terceiro se pôs a berrar: bip-bip-bip, chamando a atenção de toda a redação, num som cada vez mais tonitruante.

Hélio olhava para todos os lados, sem saber e sem acreditar no que estava acontecendo. O sorriso desapareceu de seus lábios, sobretudo quando um quarto Bip pôs-se garbosamente a soar seu alarme.

Os repórteres, um a um se escafediam pelos corredores, rindo às pencas, vendo os Bips dispararem com precisão, após os recados deixados na central de atendimento para seus próprios aparelhos, numa ação em cadeia e integralmente cronometrada.

Quase 40 segundos e mais um quinto, um sexto e um sétimo Bips se somaram ao coro, fazendo estremecer aquela mesa e a ir pelos ares o humor daquele cidadão de quase 100 kg.

O som, vindo praticamente do mesmo lugar, penetrava nos tímpanos e no cérebro de Hélião, que, indignado, levantou-se e se atirou ao chão, no meio da redação, com as mãos no ouvido,  gritando: “Parem com isso, seus canalhas!! Parem com isso!!”. Gritava e esperneava, olhando incrédulo para sua mesa, como se ela tivesse sido atingida por uma bomba H. Foi quando percebeu que aqueles vários bips vinham dos aparelhos que os repórteres, na sua ausência, cuidadosamente haviam fixado sob sua mesa com fita crepe, aguardando a sua chegada para chamar a central de atendimento.

Ele sobreviveu e o fechamento também. O mesmo não se pode dizer da revista, que veio a falecer em dezembro daquele ano, vítima de tiragem raquítica e inanição crônica de audiência.

HQ Mix e Nanquim Descartável

Neste sábado, dia 21 de agosto, a partir das 20h no Sesc Pompéia, acontece a entrega do Troféu HQ Mix, a mais importante premiação de quadrinhos do Brasil.

A lista completa dos premiados pode ser conferida neste link.

A revista Nanquim Descartável, escrita e editada pelo brother Daniel Esteves ganhou na categoria de melhor publicação independente de autor e a próxima edição da revista que tem um capítulo desenhado por mim será lançada na noite da premiação.

Segue abaixo o release da nova edição da Nanquim Descartável:

NANQUIM DESCARTÁVEL # 03
As calóricas aventuras de Ju e Sandra

Essa edição se passa num só dia, durante as REFEIÇÕES das personagens, café da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e lanche da madrugada. Em meio a comidas e conversas teremos Sandra tentando convencer Ju a virar vegetariana, o retorno de Marina, uma antiga amiga de Ju e a aparição da irmã mais nova dela, Sandra com ciúmes de Marina, Tuba perdido no meio de tantas mulheres, Ju vendo seu cachorro na comida e falando a respeito de sua dieta favorita, lamentos amorosos e uma série de pequenas sequências na revista onde aparentemente nada acontece, mas um bocado de coisa é dita. Além dos quadrinhos, essa edição traz dois pequenos contos ilustrados, que fazem parte da história, mesclando a linguagem das HQs com a literatura. Também tem um aumento de páginas, de trinta e seis da edição anterior para cinquenta e duas.

A história pode ser lida mesmo por quem nunca viu as outras edições, pois ela se completa nesse mesmo número. De qualquer forma, quem quiser conhecer a série, pode ler a primeira edição gratuitamente no site do Quarto Mundo.
Em breve o segundo número será também colocado online.

A revista faz parte do coletivo de Quadrinistas independentes Quarto Mundo e o segundo número acabou de receber o prêmio HQMIX 2009, como melhor publicação independente de autor.
Roteiro e edição: Daniel Esteves
Arte: Wanderson de Souza, Mário Cau, Júlio Brilha, Laudo Ferreira, Mário César, Wagner de Souza, Carlos Eduardo, Samuel Bono e Al Stefano.
Formato: 16 x 25 cm, 52 páginas, capa colorida, miolo P&B.
Preço: R$6,00

Texto vs. Arte

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E, agora, a charge da semana para o Jornalistas & Cia.

O tema dessa vez aborda um atrito recorrente em redações de revistas e jornais entre redatores e diretores de arte: até onde o texto e as chamadas devem ser encurtados em prol da diagramação?

Brasília, Brasília

Minha passagem pro lançamento da EntreQuadros na minha terra natal foi uma alegria só. Revi família e amigos, fiz novos contatos e vendi bastante revista! 🙂

Pra começar, seguem algumas fotos do lançamento no T-Bone Açougue Cultural que agradeço imensamente pelo espaço concedido e também pelo caldinho de carne que estava uma delícia.


“- Então, vocês conhecem aquela do Mário?”


Autografando e autografando e autografando… deu uma canseira boa no pulso…


Futuro desenhista que deu sumiço na tampa da minha caneta Tombow: “Tiioooow, como é que desenha?”


Eu e o escritor Lourenço Dutra que também lançou seu livro Taxímetro Sentimental lá no T-Bone.


Luiz Amorim, fundador do T-Bone, e este que vos fala.

O lançamento também rendeu uma notinha na revista Nós Fora dos Eixos que pode ser conferida neste link.

E, como se não bastasse, a EntreQuadros chegou nas mãos do Carlos Saldanha – co-diretor de Era do Gelo e Robôs e diretor do Era Gelo 2 e 3 – que estava na cidade e concedeu uma entrevista pra Rádio Verde-Oliva. Infelizmente, por conta do horário, não pude  conhecê-lo pessoalmente, mas já é uma satisfação e tanto meu material ter chegado nas mãos dele.

Em Brasília, a EntreQuadros pode ser adquirida na Kingdom Comics (SDS Bl Q s/n lj, 24)  e na Revistaria Banca do Boni (SHIN QI 02,Praça Minimall – Loja 12 – Lago Norte).

Lançamento da EntreQuadros na Kingdom Comics

Continuando a passagem por Brasília, participei ontem (dia 6 de agosto) do programa Espaço Arte da Rádio Nacional EntreQuadros AM 980 KHz e fui entrevistado pelo Giovanni sobre a e o atual mercado de quadrinhos no Brasil.

E, neste sábado, dia 8 de agosto, haverá um segundo lançamento da revista na cidade, desta vez na Kingdom Comics (SDS Bl Q s/n lj, 24 Brasília – DF) a partir das 16h.

Quem não conseguiuir ontem ao T-Bone, que foi fantástico, depois postarei fotos e falarei melhor como foi tudo, poderá ir lá amanhã.

Estão todos convidados.

O origem secreta do jargão do Boris

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Charge para o Jornalistas & Cia

A história dessa semana revela a origem do famoso Jargão do Boris Casoy. Confiram.

Na década de 1970, a redação da Folha de S.Paulo tinha muitos jornalistas de reconhecida capacidade. O difícil para alguém de fora acreditar, porém, era que profissionais de uma certa estirpe como o redator Elias Raid, o editorialista Cícero Dias e o editor de Esportes Haroldo Chiorino, entre outros, fossem também grandes “aprontões”, sempre inventando como pregar peças e deixar os colegas em situações constrangedoras, para diversão dos demais na redação.

Todos eram assíduos freqüentadores do 308, um bar que ficava atrás da Folha, na rua Barão de Campinas. Os donos do estabelecimento fechavam as portas depois das 22h só para que os jornalistas ficassem ali tomando umas, conversando ou jogando crepe ou pôquer nos dados.

E foi exatamente ali que um dos mais antigos e renomados fotógrafos da época, Gil Passareli, já falecido, resolveu fazer a festa de um de seus aniversários. Para espanto de todos, ela contaria com a presença do proprietário do jornal, Octavio Frias de Oliveira, também já falecido.

– Esse negócio não vai dar certo, Gil –, foi o que ele ouviu da maioria dos colegas consultados. Mas, diante da insistência do experiente fotógrafo em manter o convite – aliás, já aceito –, acabaram concordando. Ficou combinado, porém, que, para evitar eventuais problemas, no dia do aniversário só o Gil falaria. E assim foi…

O bar estava lotado, e todo mundo tomando todas. Já se ouvia, entre as mesas, alguns “zuzo bem”. As portas já estavam semicerradas quando Frias chegou, acompanhado do então editor-chefe Boris Casoy. Silêncio geral quando Passareli começou a falar. De repente, lá do fundo do bar, um gaiato gritou, com voz pastosa:

– O que nós precisamos é de aumento de salário, seu Frias!

Passarelli, incrédulo, corou na hora. E para seu desespero viu Boris, bufando e com os olhos fuzilantes, pegar imediatamente o Frias pelo braço e levá-lo embora do bar. Não sem antes, ante o burburinho que se formou, ouvir a mesma voz bêbada lá no fundo acrescentar:

– Ué?! Eu tô errado?

A homenagem acabou ali mesmo, ante a constatação óbvia de que empregado não deve se misturar com patrão em mesa de bar. No qual, aliás, a bebedeira continuou, agora com um novo tema para as conversas.