Algumas ilustrações que fiz para um teste










Quadrinista e organizador da POC CON
Algumas ilustrações que fiz para um teste









Charge para o Jornalistas & Cia

Era 1980. Na Redação do Estado, algumas semanas após a morte de Alfred Hitchcock (29 de abril), nada indicava um dia diferente. O pessoal da edição que ia chegando conversava com os incumbidos da produção sobre o cardápio do dia. Passava das 4 da tarde quando os mais antigos, entre eles Hélio Damante e Eduardo Martins, fizeram uma rodinha em torno de um visitante. Não demorou para que a roda crescesse e muitos ficassem a ouvir as histórias de Sebastian. Era assim que tratavam aquele jovem senhor, pouco entrado nos 40 anos, estatura baixa e conversa convincente.
Sebastian havia prestado serviços de motorista à empresa anos antes e dizia, agora, que tinha amigos no aeroporto de Congonhas e muita coisa para oferecer. Eram tripulantes que traziam de rádio para automóvel a bebidas; perfume também havia e alguns relógios de marca. Tudo por um preço imbatível, que ele se dispunha a ir buscar. Só não poderia receber cheque em pagamento, tinha de ser dinheiro, tinha de ser cash.
Por duas horas Sebastian recebeu as encomendas e o dinheiro; algumas vezes ainda ligou para alguém, perguntando se havia o produto pedido. Sempre havia. Pouco depois das 6 da tarde, com a lista de pedidos, Sebastian disse que precisaria de um carro para levá-lo a Congonhas e trazê-lo de volta com a carga. Lula, o prestimoso motorista de uma Kombi, veterano do Estadão, foi escalado.
Partiram.
Por volta das 8 da noite ligou Lula para a Redação. Estava na entrada do Conjunto Nacional pela Alameda Santos já fazia quase duas horas à espera de Sebastian. Que lhe pedira, tão logo deixaram o prédio do jornal na Marginal Tietê, para passar por ali, onde iria apanhar a chave do depósito em Congonhas.
Sebastian nunca mais foi visto. Escafedeu-se com as economias de uns e os sonhos de um rádio ou um relógico novo de outros.
Charges para o Jornalistas & Cia

Luiz Roberto de Souza Queiroz dirigia o Departamento de Jornalismo da Faap e, na dificuldade de ensinar as agruras de ser repórter, levou dois profissionais de sucesso – um fotógrafo e o velha-guarda José Stachini – para que conversassem com os estudantes.
O fotógrafo ganhara um prêmio pela fotografia do incêndio do Joelma, primeira página do Estadão, e, modesto, baixinho, contou para a garotada que ao chegar ao local do incêndio, um prédio com dezenas de andares, notou que todos os fotógrafos escolhiam a mesma imagem: os bombeiros trabalhando ou os helicópteros que tentavam pousar no alto do edifício e balançavam por causa dos rolos de fumaça quente.
“Eu precisava de uma foto diferente e examinei o prédio até achar um rapaz preso num andar alto, quase pendurado na janela, o fogo chegando perto, por trás”, disse. “Vi que o garoto ia morrer, os andares acima e abaixo dele estavam em chamas e me apoiei bem, estudei a luz, o contraste entre a figura humana, o fogo e a brancura do prédio e fiquei esperando”.
“Não deu outra”, disse o fotógrafo. “Cinco minutos e o rapaz não aguentou o calor, subiu na janela, hesitou um pouco e se atirou no ar, para a morte certa. E eu cliquei, cliquei e cliquei, com a certeza de que tinha feito uma foto única, tinha a primeira página garantida”.
Ele então olhou para a classe e contou que, de repente, no meio da euforia de ter feito a grande imagem, percebeu: “Tinha ficado torcendo para um ser humano morrer, para eu fazer a foto; e então sentei na calçada e chorei, chorei, nem sei quanto tempo chorei”.
O fotógrafo era muito sensível e contou que a lembrança do fato não o largava, não tinha mais condições de continuar fotografando. A última notícia que tive dele é que havia aberto um mercadinho, no bairro em que morava.
O outro depoimento, do Stachini, era sobre a República Dominicana, quando as tropas do coronel Caamaño foram derrotadas pelos EUA, lá por 1966. O Stachini foi o enviado do Estado e, no caminho, comprou um dos primeiros gravadores portáteis, um tijolão de muito respeito.
Ele contou que as tropas rebeldes lhe disseram que encontraria o porta-voz que procurava para a prometida entrevista se avançasse uns cem metros além de determinada trincheira. O que não ele sabia é que, ao avançar, deixaria a “terra de ninguém” para se aproximar das posições dos marines, que, evidentemente, abriram fogo contra ele.
Apavorado, Stachini se escondeu numa cratera de bomba e, enquanto as balas zuniam sobre sua cabeça, ligou o gravador e deu o depoimento que, com muito chiado, os estudantes da Faap ouviram. Ele dizia que ia ser encontrado morto e que os rebeldes tinham dado um jeito dele ser baleado pelos americanos, para que levassem a culpa, que na realidade não tinham. Fora induzido a provocá-los, sem saber, para criar um incidente internacional. Findo o depoimento, porém, ele ainda escondido, o tiroteio diminuiu e, tendo mais algum tempo, Stachini começou a se despedir dos colegas da redação.Lembrou uma por uma as grandes coberturas que fez com os amigos, pois na época o Rossi [Clóvis], chefe de Reportagem, mandava três ou quatro repórteres esgotarem assuntos como a visita do príncipe japonês Akihito, a vinda de De Gaulle ao Brasil e, já então, as enchentes. E, do seu buraco de bomba, recordava as discussões sobre lead, as brigas para conseguir mais espaço para as matérias, as noitadas com chopinho. Despediu-se de cada amigo e, como a morte não chegou (uma patrulha acabou resgatando o jornalista), voltou com o gravador e a fita.
Charge para o Jornalistas & Cia

Certa vez, a polícia convocou a imprensa carioca para mostrar uma apreensão de drogas. Era uma apreensão pequena, de interesse apenas local, mas todos os jornais do Rio foram para lá. Reunida a plateia, entra na sala o delegado responsável pelo feito e olha a mesa que fora preparada para as fotos. Irritado, mas sereno, o delegado diz que, sobre a mesa, tinha posto 23 papelotes de cocaína. Ao chegar, viu que havia ali apenas 22. Disse ainda que não gostaria de submeter seus convidados ao constrangimento de serem revistados. Sairia da sala, apagaria a luz e, quando voltasse, queria ver na mesa o que faltava. Assim fez e ao voltar e de novo acender a luz, surpresa!: viu, na mesa, 24 papelotes. Alguém não se limitou a devolver o que tirou, mas deu de presente o que trouxe da rua.
Charge para o Jornalistas & Cia

O ano era 1968. O local: Páteo do Colégio – ou, como se escreve hoje, Pátio do Colégio –, região central de São Paulo, bem pertinho da praça da Sé. Foca, promovido de contínuo a repórter, passsei a ser plantonista do jornal Notícias Populares, cercado de jornalistas experientes e que trabalhavam para Última Hora, Diário da Noite, Folha de S.Paulo, Estadão, Diário Popular. O local era a Sala da Imprensa do plantão da Central de Polícia, por onde tinham passado grandes jornalistas da área policial, inclusive o mestre dos ilustradores e criador de Mônica, Cascão e companhia, Maurício de Sousa. Na Central chegavam todas as ocorrências policiais do centro e dos bairros próximos.
Sílvio Nunes, o Spaghetti, era um dos setoristas. Magro, bigodinho fino, meio surdo, sempre de terno e gravata, Spaghetti era respeitado por delegados e investigadores. Trabalhava para o Diário da Noite. Tratava a todos como “caro carissimo” e de hora em hora fazia sua ronda por telefone, ligando para os principais distritos policiais da cidade, pronto-socorros de Hospital das Clínicas e Hospital Municipal, em busca de notícias. Ouvia com dificuldade, mas não admitia.
– Boa noite! Aqui é da Sala da Imprensa da Central. Alguma coisa boa por ai? – perguntava o velho jornalista.
Coisa boa para o Spaghetti e outros setoristas era assassinato, tiroteio com morte, grandes assaltos. Sanpaulino fanático, estava sempre com o rádio colado ao ouvido nos dias de jogos. Quando anotava nomes e endereços de locais de crimes, ou detalhes dos chamados BOs (Boletins de Ocorrências), os colegas sempre checavam porque ele errava na maioiria das vezes. Mas todos faziam o trabalho de rechecagem com satisfação. Spaghetti era uma figura maravilhosa.
Noite de 4ª.feira, Pacaembu lotado, jogavam São Paulo e Portuguesa. A Sala da Imprensa ficava no final do corredor do prédio onde fora a casa da Marquesa de Santos. Sentado à mesa que pertencia aos Diários, cigarrinho na mão direita e rádinho na esquerda, Spaghetti ouvia atentamente o jogo. Eu, no outro canto da sala, falava ao telefone, apurando a prisão de um grupo de arrombadores de cofres.
O delegado de plantão, Israel Alves dos Santos Sobrinho, que era conhecido como doutor Gravatinha, porque usava com seus ternos escuros somente gravata borboleta, aproximou-se da porta e perguntou ao Spaghetti:
– O Zaqueu já chegou?
Zaqueu é Zaqueu Sofia, repórter da Jovem Pan, em atividade até hoje.
Spaghetti não ouviu. O delegado gritou e chamou a atenção do setorista, voltando a perguntar sobre o Zaqueu. A resposta veio rápida:
– Dois a zero para o São Paulo.
O delegado virou as costas e foi embora.
Esse era o Spaghetti, figura lendária da reportagem policial dos anos 60 aos 80. Deixou saudades.
Charge para o UOL

Mais charges e tiras de outros cartunistas como Jean, Adão Iturrusgarai, Estevão Ribeiro, JAL, Gilmar entre outros podem ser conferidas aqui: http://noticias.uol.com.br/album/110415_cartoonsmundoarabe_album.jhtm?abrefoto=10
A comissão do Troféu HQ Mix está realizando uma campanha para recadastrar todas as pessoas que votam no prêmio, considerado o principal do mercado de quadrinhos. A ideia é ter informações mais detalhadas sobre cada eleitor.
Os primeiros pré-indicados ao prêmio deste ano também já começaram a ser divulgados. E Pequenos Heróis já marcou presença na categoria Publicação Infanto-Juvenil ao lado de pesos pesados da área como Mauricio de Souza e Ziraldo! Confiram no blog da premiação: http://trofeu-hqmix.blogspot.com/
Para se recadastrar, é preciso enviar, até o dia 30 de maio de 2011, um e-mail para hqmix@yahoo.com.br, com a ficha abaixo preenchida.
Nome:
Endereço:
RG:
Telefone de contato, com DDD:
Área de trabalho (anotar uma ou mais em que se enquadra)
( ) roteirista
( ) desenhista
( ) colorista de HQ
( ) editor
( ) jornalista especializado
( ) editor de blog/site de HQ e humor gráfico
( ) pesquisador ou professor da área de quadrinhos e humor gráfico
( ) outros
Blog ou site pessoal:
E-mail para votação (importante: use um endereço que não contenha antispam):
Resumo curricular (de três a dez linhas):
Esse processo servirá também para a inscrição de novos votantes. Assim que o e-mail chegar à comissão, o eleitor receberá uma resposta da comissão do HQ Mix.
O votante inscrito terá, futuramente, serviços exclusivos, como descontos em livrarias, jornal da Associação dos Cartunistas do Brasil, informações sobre promoções e sorteios de originais de desenhistas e materiais de desenho. Mas o cadastramento é só para profissionais da área.
Fonte: UniversoHQ
Uma homenagem ao jornalista Reali Júnior para o Jornalistas & Cia

Volta e meia me perguntam sobre o meu método de trabalho e minhas técnicas (ou falta delas :P), então resolvi fazer um post sobre como eu faço minhas páginas de quadrinhos da EntreQuadros.
O ponto de partida, obviamente, é a elaboração do roteiro.
No caso da EntreQuadros, por se tratar de um trabalho pessoal, esse processo varia bastante. Às vezes a história vem toda numa tacada só como foi o caso da HQ especial de Natal que publiquei gratuitamente no site da Balão Editorial.
Outras vezes, é um processo lento em que as ideias vão se maturando aos poucos. A próxima edição da EntreQuadros foi um desses processos lentos. Tive a ideia da história há mais de seis anos, mas ainda não era o momento de realizá-la. Creio que precisava ter vivido algumas experiências antes de escrever sobre personagens passando por algo semelhante. Um outro fator importante no desenvolvimento deste roteiro é que a cidade de São Paulo, onde resido há mais de cinco anos, acabou se tornando praticamente uma personagem da história.
Depois de ter a história, eu a decupo em forma de roteiro de quadrinhos, definindo a divisão de capítulos, páginas, quadros etc. As primeiras ideias de enquadramento, ângulos e sequências narrativas me vem à cabeça nesse momento. Este roteiro decupado fica mais ou menos assim:

Por ser um projeto meu mesmo, não detalho muito os elementos em cena, pois eles já estão configurados na minha cabeça. O design dos personagens e cenários também já foram definidos quando eu desenvolvia o enredo.
Tendo o roteiro pronto, eu rascunho uma pequena miniatura de cada página já pensando na diagramação, composição das cenas, espaço para os balões e recordatórios. Muitas vezes eu mudo, nesta etapa, a divisão dos quadros que havia imaginado anteriormente por visualizar como eles realmente vão funcionar desenhados. É aqui onde eu defino de vez o ritmo da leitura e quais cenas devem ser mais enfatizadas.

Só depois de ter definido todos os pormenores da página é que vou pra prancheta de fato. Eu desenho em formato maior do que o publicado, tamanho A3, em folha de papel sulfite mesmo. É possível encontrar papel sulfite com gramaturas maiores (120 ou 180) em papelarias. Não gosto muito do papel canson e semelhantes porque o pincel que utlizo não desliza muito bem sobre a textura àspera na hora de aplicar a arte-final. A página desenhada só no lápis fica mais ou menos assim:

Depois disso, eu limpo as linhas de construção e rascunho usando uma borracha limpa-tipo que não danifica o papel. É um tipo de borracha que parece uma massinha de modelar e pode ser encontrada facilmente em papelarias e lojas de material de desenho. Para arte-finalizar eu utizo tinta nanquim, pincel (desses de caligrafia japonesa, pois permitem uma variação rica na espessura do traço e posso criar texturas interessantes com eles semi-secos) e canetas descartáveis para fazer os traços mais uniformes.

Acabando a arte-final eu ainda aplico os tons de cinza utilizando aguada, uma técnica em que se dilui o nanquim em água para obter os cinzas. Prefiro fazer assim a aplicar os cinzas no computador porque as texturas e ‘falhas’ da aguada me agradam mais, deixam a página mais viva, mais interessante.

Feito isso, eu escaneio a página e trato a imagem no computador fazendo uma separação do traço e dos tons de cinza e tranformo os cinzas em uma cor especial para poder imprimir em duas cores e não em policromia. Nesta próxima edição da EntreQuadros usarei um verde para dar o clima certo pra história. Depois sobreponho uma camada sobre a outra e aplico o efeito de ‘Multiply’ sobre elas. O efeito final fica assim:

Arte pronta. Falta o letreramento. Eu aplico as letras e os balões no InDesign, um programa de editoraçãode livros, revistas etc. Para os diálogos, eu utilizo a fonte La Cartooniere que eu mesmo re-editei para incluir os acentos da língua portuguesa. Os balões e recordatórios eu desenho um a um no próprio programa.
E, então, tcharans!!!!
Depois de umas 6 a 12 horas de trabalho, dependendo do nível de complexidade, fica pronta uma página que vocês lerão em questão de segundos.

Atualmente, já tenho cerca de metade da próxima edição da EntreQuadros pronta e devo lançá-la no segundo semestre deste ano.
Charge para o Jornalistas & Cia

Quem conta a história desta semana é José Paulo Lanyi. Ele lembra de quando conheceu o dramaturgo (e tarólogo nas horas vagas) Plínio Marcos.
Plínio ainda não conhecia José nem se ele era pintor de parede ou destilador de alambique. Foi deitando as lâminas. Seguem abaixo algumas das coisas que Plínio disse e predisse.
(sotaque de malandro santista, o “s” puxado)
Plínio – Tu vais ser um contador de histórias…
José – !
Plínio – O teu destino é contar histórias…
José – É mesmo? Interessante… Eu sou jornalista e escritor…(…)
Plínio – A tua maior virtude vem dos teus ancestrais. Tu nunca perdes a esperança…(…)
Plínio (sorriso maroto) – Tu nunca vais precisar de Viagra…
José (sorrindo, ahhhhhhhh…. sorrindo ainda mais…ahhhhhhhhhhh… e cada vez mais…) – É?
Plínio – Tu sempre vais ter mulher! Mulher nunca vai te faltar!
José – He, he, he…
Ficaram amigos. Afinal, ele era gênio, tarólogo e, de quebra, prediziu mulheres e virilidade in natura pra José.