Nanquim, Som & Fúria # 12

Wado

O primeiro Nanquim, Som & Fúria de 2012 é sobre uma de minhas descobertas do ano passado. Já tinha ouvido falar sobre o Wado, mas nunca tinha parado pra escutar o som dele. Em 2011, ele soltou um dos grandes álbuns nacionais do ano e repleto de participações especiais como Marcelo Camelo, Zeca Baleiro, Mallu Magalhães, Chico César, Fábio Góes, André Abujamra e Curumim. O disco se chama Samba 808 e tem uma sonoridade muito peculiar por utilizar a bateria eletrônica Roland TR-808, a mesma que o Kanye West também usou em peso em seu disco 808 & Heartbreak. O resultado é uma fusão primorosa de ritmos brasileiros tradicionais com novos elementos eletrônicos e pode ser baixado gratuitamente no site dele: http://wado.com.br/

Fiquem abaixo com a belíssima “Com a ponta dos dedos“, minha predileta do disco:

Troféu Ângelo Agostini

2011 está chegando ao fim e foi um ano e tanto para os quadrinhos no Brasil. Não me recordo de ter visto tantos lançamentos nacionais e com tanta qualidade em um único ano, depois farei um post sobre isto. E, nessa reta final, começou a votação do Troféu Ângelo Agostini, tradicional premiação de quadrinhos que é aberta ao público.

Para participar da votação, preencha a cédula e envie para o endereço: AQC-ESP/ Worney Almeida de Souza Caixa Postal 675 SP (SP) cep 01031-970 ou para o endereço eletrônico: aqc.waz@gmail.com.  O prazo é até 06 de janeiro de 2012.  Vote na categoria de Mestres do Quadrinho Nacional em TRÊS nomes e nas outras categorias vote em DOIS nomes, indicando 1 e 2 lugares.

Segue abaixo a cédula, para maiores informações, acesse o blog da AQC: http://aqcsp.blogspot.com/

E, se tiver gostado da EntreQuadros – Círculo Completo, dá uma forcinha e vota aí! Ficarei eternamente agradecido.

MELHOR DESENHISTA DE 2011:
1º…………………………………..
2º…………………………………..

MELHOR ROTEIRISTA DE 2011:
1º…………………………………..
2º…………………………………..

MELHOR CARTUNISTA DE 2011:
1º…………………………………..
2º…………………………………..

MELHOR LANÇAMENTO DE 2011:
1º…………………………………..
2º…………………………………..

MELHOR LANÇAMENTO INDEPENDENTE DE 2011:
1º…………………………………..
2º…………………………………..

MELHOR FANZINE DE 2011:
1º…………………………………..
2º…………………………………..

PRÊMIO (CONTRIBUICÃO AO QUADRINHO NACIONAL) JAYME CORTEZ :
1º…………………………………..
2º…………………………………..

MESTRES DO QUADRINHO NACIONAL:
1º………………………………………………………..
2º………………………………………………………..
3º………………………………………………………….
4º …………………………………………………………

Lançamento EntreQuadros – Círculo Completo em Brasília

Olá pessoal,

É com imenso prazer que lhe convido para os lançamentos de meu novo álbum EntreQuadros – Círculo Completo no dia 16 (sexta-feira), na Livraria Cultura CasaPark (SGCV – Sul, Lote 22 – Loja 4-A) a partir das 19h e dia 17 (sábado), na Kingdom Comics (SDS BL “Q” Ed. Venâncio IV – Loja 24), das 16h às 18h.

Sobre o álbum
E se não fosse possível esquecer um grande relacionamento? E se a memória desse amor interrompido impedisse você de seguir adiante? Nesta nova edição de EntreQuadros, o psicanalista Freuderico se depara com essas questões após terminar o relacionamento com sua amada Martha. Então, surge em sua vida Karina, que pode ser a terapia de que ele precisa, tendo como divã a cidade de São Paulo, mais que um cenário, quase um personagem, com sua vida noturna e cultura pop diretamente envolvidas na vida de Freuderico.
O círculo se completa sempre? Há como resetar um grande amor e uma grande perda para começar de novo? É sobre isso que versa Mário César, em sua melhor forma, na EntreQuadros – Círculo Completo, com um pano de fundo repleto de fantasia, amor, perdas e recomeços.

Sobre o autor
Mário César é autor e editor de histórias em quadrinhos e chargista do Jornalistas & Cia da Mega Brasil Comunicação. Também atua como ilustrador e designer gráfico.
Coeditou, ao lado de Estevão Ribeiro, o álbum Pequenos Heróis, vencedor do Troféu HQ Mix de Publicação Infanto-Juvenil de 2010. Já foi organizador e colaborador da Front, uma renomada antologia de HQs nacionais e desenhou para a premiada revista independente Nanquim Descartável.

EntreQuadros – Círculo Completo é um lançamento da Balão Editorial.
Formato 16×23 cm
Páginas 88
ISBN 978 85 63223 09-8
Preço sugerido: R$ 25,00

Um vôo que não deixou saudades

Charge para o Jornalistas & Cia

O jovem do interior que viera para a capital em busca de trabalho, de melhoria na vida, empregou-se no Estadão e passou por alguns setores até se fixar na redação, na editoria de Cidades – ou reportagem geral, como era conhecida. Homem sério, cristão devoto, frequentador de uma igreja evangélica, lia todas as manhãs o Notícias Populares, que sempre trazia estampada em sua capa a foto de uma mulher de biquini. Se dissessem a ele que estava levando o jornal para o banheiro por causa da peladona, ele logo retrucava e negava. Dizia gostar de notícias de crime. Mas a leitura do NP no banheiro era diária.

As histórias do jovem eram muitas. Numa delas percorreu as três agências bancárias da cidade onde morara levando com dificuldade um pacote em que pensava haver documentos. Na verdade, eram tijolos. Uma gozação de seus colegas de trabalho com todos os office-boys que começavam a trabalhar. Na redação do Estadão conheceu um jornalista do Jornal da Tarde, Lenildo Tabosa Pessoa, já falecido. Homem também cristão, mas ligado à igreja católica. Nas conversas que os dois tinham, o jovem do interior ficou sabendo que o colega do JT era piloto e tinha um pequeno avião no Campo de Marte. Como nunca tinha voado e nem passava por seus pensamentos um dia entrar num avião, o jovem se animou. Afinal, naquela época, avião era para quem tinha dinheiro. Mal sabia ele que anos depois cansaria de voar a serviço, em outro local de trabalho.

As conversas sobre aviação prosperaram até que num determinado dia o piloto-jornalista do JT fez o convite para que o jovem fizesse com ele um voo. Marcaram para a manhã de um sábado. Era dia de ir à igreja, mas o convite de voar falou mais alto. E os dois se encontraram no Campo de Marte, não muito distante do Estadão, para o que seria o batismo do repórter na aviação.

Motor ligado, cinto colocado, o piloto perguntou se estava tudo bem e ao sinal de positivo a pequena aeronave ganhou os ares. Quando o avião atingiu determinada altura, assustado, o jovem começou a pensar o que é que estava fazendo naquele lugar. Fechou os olhos por instantes e decidiu que era sua grande oportunidade de voar. Acalmou-se até que o piloto resolveu brincar e disse que iria fazer um voo cego. Embicou a aeronave, subiu o mais que pôde e ao descer desligou o motor.

O jovem se arrependeu de ter entrado naquele pequeno avião. Gritou, agarrou-se como pôde e entregou a vida a Deus. Quando o avião aterrissou, parecia um sonho estar em terra firme. E prometeu: voar naquelas condições, nunca mais. O que para ele seria um passeio naquela manhã de sábado, virou gozação por alguns meses, porque o piloto contou uma parte aos colegas e o próprio jovem contou o resto.

Nunca mais o jovem do interior aceitou convite do colega do JT para dar “uma voadinha sobre São Paulo”. Segundo ele, quando o avião começou a descer com o motor desligado pensou que nunca mais veria sua mulher e os dois filhos. Ficou uns bons anos sem pensar em voar.

Resenhas e impressões sobre a nova EntreQuadros

A receptividade da nova EntreQuadros tem sido incrível. Separei abaixo as primeiras resenhas e impressões que tem saído sobre o livro por aí.

E, neste sábado, dia 10, participarei do programa HQ & Cia da allTV às 15h falando sobre o álbum e meus futuros projetos.

Resenha do blog Contraversão por Raphael Fernandes
“Como toda a mídia, as histórias em quadrinhos tem espaço para diversos gêneros e um dos mais interessantes são as histórias mais sensíveis e cheias de romance. O Brasil tem grandes autores nessa área, como Daniel Esteves (“Nanquim Descartável”), Mário Cau (“Pieces”) e Fábio Moon e Gabriel Bá (“Daytripper”, com qualidade inegável). A essa lista acrescento o nome de Mário César com muito louvor. (…) O roteiro de Mário César é impecável, mas é na arte que o cara rouba a cena. Toda em preto branco e tons de verde, a HQ tem uma beleza natural e chama a atenção do leitor.”
Link para a resenha completa: http://contraversao.com/post/13786665882/a-psicanalise-e-o-sobrenatural-de-circulo-completo

Resenha do site UniversoHQ por Zé Oliboni
“Depois de milhares de filmes, músicas e livros, as histórias de amor dificilmente são surpreendentes. Fica ainda mais complicado fazer algo muito diferente quando o autor a estrutura de forma a ter uma grande simetria nos eventos. Contudo, EntreQuadros entrega o máximo que se pode esperar de uma história de amor nos dias atuais: conceitos bem interessantes.”
Link para a resenha completa: http://universohq.com/quadrinhos/2011/review_EntrequadrosCirculoCompleto.cfm

O pessoal do UniversoHQ também incluiu o livro entre os melhores do mês por duas vezes seguidas na lista de recomendações que eles publicam em seu blog:
http://universohq.blogspot.com/2011/11/melhores-e-piores-de-novembro_30.html
http://universohq.blogspot.com/2011/10/melhores-e-piores-de-outubro.html

O pessoal do Pipoca e Nanquim também elogiou o livro em seu videocast sobre o FIQ-BH 2011. Eles falam sobre a EntreQuadros lá pelo min 11:45 do vídeo, a contagem de tempo está de trás pra frente.
http://pipocaenanquim.com.br/2011/11/videocast-95-%E2%80%93-fiq-2011/

Separei também alguns comentários de feras da área de quadrinhos que recebi por redes sociais:

“Gostei muito de Entrequadros – Círculo completo. É o melhor trabalho do @mas_que_mario E a melhor HQ da @balaoeditorial.”
Sidney Gusman (UniversoHQ, MSP)

“Li a nova EntreQuadros, do xará @mas_que_mario , e @balaoeditorial. Achei mto boa, madura, surpreendente, apaixonante. Recomendo!”
Mario Cau (Pieces, Terapia)

“com certeza é dos melhores lançamentos nacionais do ano!!!”
Daniel Esteves (Nanquim Descartável, O louco, a caixa e o homem)

“Primeira hq que li pós-FIQ: Entrequadros – Círculo Completo do Mário César. Ótima mesmo, curti muito. Sem desmerecer ninguém mas, para mim, um dos melhores recentes lançamentos da Balão Editorial.”
Will Sideralman (Sideralman, Subterrâneo, O louco, a caixa e o homem)

“Nesta madrugada insone li Entrequadros – Círculo Completo, do @mas_que_mario. HQ muito bacana e a melhor edição até aqui da @balaoeditorial.”
Ricardo Malta (UniversoHQ)

“a edição da Entrequadros que @mas_que_mario vai lançar agora é uma coisa de LOUCO. Um dos melhores albuns de HQ do ano”
Ana Finistera (Anacrônicas)

Fotos do lançamento da EntreQuadros – Círculo Completo em São Paulo

O lançamento da EntreQuadros – Círculo Completo em São Paulo foi um deleite. Uma ótima tarde de sábado com amigos e leitores na deliciosa Praça Benedito Calixto com sua tradicional feirinha. Só não foi mais perfeito porque São Pedro não colaborou muito no dia e lançou um pé d’água sobre nós ali pelo meio da tarde.

Muito obrigado a todos que compareceram e fizeram este dia algo tão especial pra mim.

Seguem abaixo algumas fotos, todas tiradas por meu grande amigo e fotógrafo Ricardo Inov.

A próxima parada agora é em Brasília, minha terra natal. Dia 16 de dezembro (sexta) lançarei o álbum na Livraria Cultura do CasaPark e dia 17 de dezembro (sábado) na Kigdom Comics. Em breve postarei todos os detalhes aqui.

Nanquim, Som & Fúria # 11

Cibelle

Sei que um retrato em preto e branco de uma pessoa tão multicolorida e esfuziante como Cibelle é praticamente uma ofensa, mas é a proposta destes retratos. Cibelle é daquele tipo de artista que dá nó em cabeça de crítico pela dificuldade que é classificar seu som. Em seu terceiro e mais recente disco, Cibelle abraçou o tal do Abravanismo com unhas, dentes e lantejoulas e, desde então, vem espalhando o amor, o bom-humor, a liberdade e a completa falta de julgamento por onde passa. O disco é conceitual, Cibelle incorpora a personagem Sonja Khalecallon, apresentadora do último refúgio humano em um mundo pós-apocalíptico, o Las Vênus Resort Palace Hotel. A produção é propositadamente exagerada e repleta de detalhes minuciosos, mas o recado de Cibelle é simples: deixe seus preconceitos de lado, aperte o botão do ‘foda-se’ e vá ser feliz.

Lançamento EntreQuadros – Círculo Completo em São Paulo

Olá, pessoal!

É com imenso prazer que lhe convido para o lançamento de meu novo álbum EntreQuadros – Círculo Completo neste sábado, dia 26 de novembro, na Gibiteria (Praça Benedito Calixto, 158 – 1º andar, loja 11) em São Paulo a partir das 14h.

Estão todos convidados! Compareçam!

Sobre o álbum

E se não fosse possível esquecer um grande relacionamento? E se a memória desse amor interrompido impedisse você de seguir adiante? Nesta nova edição de EntreQuadros, o psicanalista Freuderico se depara com essas questões após terminar o relacionamento com sua amada Martha. Então, surge em sua vida Karina, que pode ser a terapia de que ele precisa, tendo como divã a cidade de São Paulo, mais que um cenário, quase um personagem, com sua vida noturna e cultura pop diretamente envolvidas na vida de Freuderico.

O círculo se completa sempre? Há como resetar um grande amor e uma grande perda para começar de novo? É sobre isso que versa Mário César, em sua melhor forma, na EntreQuadros – Círculo Completo, com um pano de fundo repleto de fantasia, amor, perdas e recomeços.

EntreQuadros – Círculo Completo é um lançamento da Balão Editorial.
Formato 16×23 cm
Páginas 88
ISBN 978 85 63223 09-8
Preço sugerido: R$ 25,00

Nanquim, Som & Fúria # 10

Karina Buhr

Uma das novas e mais interessantes vozes na atual cena musical brasileira. Longe de ser uma cantora tradicional de MPB, Karina está mais próxima do rock’n’roll, das letras concretistas de Arnaldo Antunes e da mistura de sons e estilos do manguebeat. Está lançando seu segundo diso “Longe de Onde” que pode ser baixado gratuitamente em seu site: http://www.karinabuhr.com.br/. Sábado dia 26 tem show de lançamento no Sesc Pompéia.

Esses selvagens…

Charge para o Jornalistas & Cia

A história desta vez é novamente uma colaboração de Luiz Roberto de Souza Queiroz, o Bebeto.

Na década de 1970, Bebeto foi à Europa com o editor de Educação do Estadão Eduardo Brito da Cunha e sua futura esposa, cujo pai, controlador, lhes deu muito trabalho, pois só autorizou a viagem da menina quando mentiram, disseram que iam num grande grupo turístico, inclusive casais idosos, e que não havia risco de qualquer esbórnia, como temia o genitor da garota.

De medo do pai, assim que chegaram a Londres, Paris, Roma ou Lisboa, a primeira providência era procurar um grupo de turistas no meio do qual a garota e o Brito se infiltravam de imediato para que eu os fotografasse. O velho nunca desconfiou de que viajaram em petit comité e, ingênuo, não estranhou que de vez em quando o grupo turístico fosse integrado apenas por japoneses, mais o Brito e a namorada, ou por suecos loiríssimos e até, se bem me lembro, moçambicanos retintos.

No meio da viagem tomaram na Itália um trem vindo da Alemanha, saído diretamente de um dos contos de Agatha Christie. Hércule Poirot não estava nele, mas havia pequenas cabines com poltronas vis-à-vis e numa delas tiveram direito à companhia de um inglês típico, guarda-chuva e chapéu coco, que se confessou impressionadíssimo por encontrar brasileiros que falavam sua língua, não estavam armados de arco e flecha nem tinham nenhuma cicatriz de lutas com antas ou sucuris.

Depois de explicar ao inglês, desconfiado, que não havia cobras nem onças nas ruas de São Paulo, que contávamos com amplo parque industrial, andávamos de automóvel e que – supremo indício de civilização – contávamos até com congestionamentos, o inglês começou a se achar preconceituoso e que fizera imagem errada e estereotipada do Brasil, como jungle apenas.

A essa altura, Brito resolveu ir ao banheiro, onde o papel higiênico tinha impressa em cada folha o aviso bem alemão de que aquilo era propriedade do governo.

Entusiasmado, voltou à cabine sacudindo uma tira de meio metro do papel higiênico na mão e rindo, exibiu o que estava escrito: “Bundestag….” sei lá o quê. Ele, que jamais perdeu uma piada, dobrava-se de rir e explicava que “Bundestag propriety ou sei lá o quê” queria dizer “Papel de bunda alemão”.

Todo mundo riu muito – but the English gentleman. O papel passou de mão em mão para ser examinado, enquanto o inglês, espantadíssimo, aguardava uma explicação. Bebeto até tentou, mas não dava para traduzir a piada, principalmente porque à época ele era quase monoglota e o inglês, muitíssimo mal impressionado por saber que os brasileiros achavam incrível alguém usar papel no banheiro, pediu desculpas e se escafedeu.