Essa Coca é Fanta

Charge para o Jornalistas & Cia

História enviada por  Sandro Villar, correspondente do Estadão em Presidente Prudente.

“Tem sujeito que não pode ver um rabo de saia que logo dá um jeito de se aproximar da mulher, sem medir as conseqüências. Um cara assanhado – ou tarado mesmo –, quando se trata de saia, só dispensa padre e escocês. Mas, dependendo do modelo da batina e da saia, padre e escocês também correm risco. Um famoso colunista de jornal tinha fama de Casanova, embora já fosse Casavelha. Sabem como é: a idade chega para todos, exceto para a Vera Fischer. Seu nome e o veículo serão preservados por motivos óbvios. Ele – o colunista em questão – não podia ver mulher, ficava ouriçado e partia para a conquista. Como aquela vez no centro de São Paulo, depois de almoçar com diretores do jornal onde escrevia e onde desfrutava de enorme prestígio. Encurtando conversa: o nosso herói tinha um Ibope alto, quer dizer, era muito lido pelos leitores.

Depois do almoço num restaurante chique da avenida São Luiz, que não sei se ainda existe, Dodô (chamemo-lo assim) se despediu dos diretores e foi dar uma volta pelo centro para fazer a digestão. Logo depois de entrar na avenida Ipiranga, deu de cara com uma baita loira, tipo Kim Novak, para os mais velhos, ou tipo Kim Bassinger, para a moçada contemporânea. Comparações não interessam muito nessa narrativa, mas que a mulher era de fechar o comércio e a indústria lá isso era. Ou mais que isso: era dessas de fazer rei abdicar e pastor abandonar o púlpito. Não só Dodô como também qualquer homem, seja metrossexual ou centimetrossexual (já tem isso?), tentaria conquistar a loira em questão.

Como não era bobo nem nada, ele percebeu que ela, apesar de não ser gandula, tinha dado bola e a maior trela. “Essa está no papo”, deve ter pensado. Dodô se aproximou, puxou conversa e, papo vai papo vem, confirmou que a moça estava mesmo no papo. A mulher não fazia o gênero loira burra. Ao contrário, ela sabia das coisas e estava por dentro dos acontecimentos. Ficou encantada quando Dodô se identificou e, para espanto dele, ela o lia no jornal. Na verdade, o colunista conheceu uma fã de carteirinha, o que facilitou a conquista. Depois de uns dez minutos de prosa, ele fez a proposta nada indecente. Convidou-a para passar umas horas num drive-in que ficava em Interlagos. E aqui cabe um esclarecimento necessário: naquela época ainda não havia motéis em São Paulo, e conquistador que não tinha apartamento levava a mulher ao drive-in.

Com o “sim” dela, concordando com o chamado hoje em dia de sexo consensual, Dodô ligou o carro e lá foi o casal desfrutar de umas horas de prazer. Assim que entrou no drive-in, Dodô esclareceu à moça que não podia ficar a tarde toda com ela, já que precisava voltar ao jornal para escrever o artigo do dia seguinte. Aí veio a atendente e colocou, em cada porta do carro, as bandejas dos drinques e salgadinhos. E depois? Bem, aí a cuíca começou a roncar. Houve as preliminares de praxe, com mil beijos (está bem, deixo por 999) e amassos.

Mas, na hora do pega pra capar, Dodô teve uma surpresa desagradável, assim como os americanos tiveram em Falujah, no Iraque. Ao pôr a mão na Zona do Agrião, ele apalpou um “taco” ou uma “caixa de câmbio”, se vocês preferem tais epítetos para o bilau. Em suma, meus cupinchas: a “mulher” era um travesti. Transtornado, fora de si, ele enxotou o travesti, deu ré e saiu em disparada do drive-in sem pagar a conta. Só que, ao passar pela avenida Interlagos, notou que os transeuntes olhavam para o carro e davam sonoras gargalhadas. Em suma: as pessoas morriam de rir. É que, na confusão, Dodô se esqueceu de retirar as bandejas e, com o equipamento, o automóvel parecia um avião prestes a decolar. Só depois de andar um bom trecho é que ele percebeu a mancada. Parou o carro, jogou as bandejas fora e foi para o jornal. Contou o episódio a um primo e, segundo o parente, Dodô está menos assanhado, mesmo que dele se aproxime uma loiraça, como aquela da avenida Ipiranga. Afinal, as aparências enganam e “ela” pode ser ele, que ainda não fez operação para mudar de sexo.”

Certa vez, no Diário…

Charge para o Jornalistas & Cia

História enviada pelo Milton Saldanha sobre a época em que trabalhou no Diário do Grande ABC.

Aconteceu durante a edição do extra especial de cobertura do final da Copa do Mundo de 1970, no México. Foi a primeira vez em que a tevê transmitiu a Copa ao vivo. A transmissão por satélite era uma novidade. O Brasil tinha um time invencível e era franco favorito. A equipe do Diário do Grande ABC resolveu soltar uma edição extra. A idéia era lançar o jornal pronto, nas mãos de um batalhão de jornaleiros, meia hora após o fim do jogo, no máximo. Os moleques, mais de cem, iriam com os jornais nos braços para os burburinhos dos festejos nas ruas. Durante a semana inteira fizeram o jornal, com matérias retrospectivas etc.. Na capa pré-montaram um jogador erguendo a taça. E montaram até o texto da matéria de capa, que já tinha manchete pronta, com buracos para detalhes do jogo, resultados etc.. Ou seja, em menos de dez minutos a finalizariam tudo, baixariam para a oficina, que já tinha o jornal todo pronto, faltando só a capa, e… Seria um sucesso!

Ah, e teriam fotos do jogo, dos gols, em primeira mão. O fotógrafo da equipe, Pedro Martinelli, colocou um tripé na frente da tevê e fez as fotos dali mesmo. Reveladas e ampliadas, pareciam radiofotos, muito usadas na época. Quebravam o galho perfeitamente. Durante a semana ele havia feito testes, avaliando os resultados, estudando o melhor ajuste da máquina, tudo. A redação toda em volta, torcendo, gritando, e o Pedro ali, clicando e também torcendo.

Quando o jogo acabou, o batalhão de jornaleiros estava na porta da oficina, aguardando. Mal o juiz apitou e mergulharam nas velhas Olivetti, teclando com fúria. Todo mundo correndo, parecia fechamento de jornal em tevê. Até o boy estava instruído a seguir correndo para a oficina, no sentido literal, com a lauda do texto.

Alguém imagina o que aconteceu?

A luz apagou geral no bairro. Ficaram sem energia. Desesperados, e sem energia para mover as possantes linotipos, o chumbão, como eram chamadas.

Todo aquele esforço de uma semana, toda aquela correria, tremendo esquema de mobilizar jornaleiros numa época em que isso não existia mais, as vendas eram em bancas, muita adrenalina para… Sermos derrotados por um pedaço de fio.

A luz demorou quase uma hora para voltar. E ainda faltava rodar a capa. Não adiantou ligar desesperadamente para a Cia. de Força. O jornal foi para as ruas, mas sem o impacto dos primeiros minutos, para surpreender o povo, como haviam planejado nos mínimos detalhes.

Os Desbravadores

A Pandora Escola de Arte comemora Dia do Quadrinho Nacional com exposição ‘Desbravadores’, que reunirá obras de mais de 40 quadrinistas brasileiros em Campinas

 30 de janeiro, dia do quadrinho

30 de janeiro é o Dia do Quadrinho Nacional e Campinas, reconhecida em todo Brasil como um grande celeiro de quadrinistas, não poderia deixar de render suas homenagens à data: de 28 de janeiro a 24 de fevereiro, mais de 40 artistas de todo país terão suas obras expostas na Exposição “Desbravadores”, no Espaço Cultural Pandora (Cambuí).

“O Dia Nacional do Quadrinho é uma homenagem a Angelo Agostini, pioneiro das HQs que publicou a primeira história em quadrinhos brasileira em 30 de janeiro de 1869. Por essa razão, a ideia da exposição é homenagear outros desbravadores da área, reunindo artistas de Campinas e de todo o país”, diz Mário Cau, um dos curadores da mostra e ele mesmo um quadrinista expositor (entre outros trabalhos, o autor de Pieces foi um dos convidados deMSP+50, de Maurício de Sousa).

 Dalcio Machado, por exemplo, terá exposta a caricatura de Chico Buarque que venceu oSalão de Piracicaba em 1999 e iniciou um novo estilo de fazer caricaturas no País, com mais atenção à textura e detalhes da pele dos caricaturados. Além disso, o autor que teve sua primeira charge publicada em jornal aos 16 anos foi um dos primeiros brasileiros a desbravar – e vencer – um grande número de salões internacionais.

Estevão Ribeiro, autor de Os Passarinhos, representa os pioneiros das tiras publicadas em blog. Os personagens do carioca Ribeiro fizeram tanto sucesso que também já viraram duas coletâneas impressas e até bichinhos de pelúcia. Recém-homenageado com o prêmio mestre dos quadrinhos, Bira Dantas é um dos pioneiros do quadrinho sindical e da presença brasileira em países como a Coréia, por exemplo.

DJota Carvalho trouxe os quadrinhos regionais de volta para  as páginas do Correio Popularde Campinas em 2011 e, após sete anos de tiras diárias no impresso, desbravou outro terreno: as tiras no site Educacional Correio Escola, focadas para o professor e trabalhos em sala de aula. Eduardo Ferigato (junto com Marcela Godoi) foi um dos primeiros a conquistar o ProAc (Programa de Ação Cultural do estado de SP) com a revista Fractal, até então bancada com recursos próprios,  e é o primeiro desenhista brasileiro fixo a produzir o personagem Fantasma, o Espírito-que-Anda. Laudo Ferreira foi o primeiro brasileiro a produzir uma Graphic Novel realista sobre a vida de Jesus (Yeshua). E assim por diante.

“De certa forma, todo quadrinista é um desbravador, pois ainda que o mercado tenha melhorado muito no Brasil e a Internet tenha aberto um novo espaço para a nona arte, ainda é muito difícil levar quadrinhos, cartuns, charges e caricaturas ao grande público. Então esta exposição é uma homenagem justa ao Dia do Quadrinho e a quem se dedica a este tipo de arte no Brasil”, pontua Ricardo Quintana, do Espaço Cultural Pandora.

A exposição terá trabalhos de André Leal (São Jorge da Mata Escura), Bira Dantas(Tatuman), Carriero (Brasiu), Caeto (Memória de Elefante), Caio Majado (3 Tiros, 2 Otários; Consequências), Caio Yo (Caraminhola), Catia Ana (O Diário de Virgínia), Danilo Beyruth (Necronauta), Davi Calil (MSP Novos 50), Denis Mello (Beladona, Saidêra), Digo Freitas (Esboçais), DJota Carvalho (Só Dando Gizada), Eduardo Ferigato(Fractal/Fantasma), Estevão Ribeiro (Os Passarinhos), Felipe Nunes (SOS), Flávio Luiz (O Cabra), Fred Hildebrand e Ana Recalde (Patre Primordium), Giorgio Galli (Salomão Ventura), Hugo Nanni (Clube da Voadora), João Azeitona (Zine Supreme), Laudo Ferreira(Yeshua), Leo Finocchi (Nem Morto), Leonardo Maciel (Nabunda Nada), Lu Cafaggi(Mixtape, Los Pantozelos), Magno e Marcelo Costa (Oeste Vermelho),  Mário Cau(Pieces/MSP+50), Mario Cesar (EntreQuadros), Pedro Cobiaco (Bolhas), Raphael DeLatorre / Marcelo Maiolo / Beto Scoob (Fade Out), Raphael Salimena (St. Bastard, Linha do Trem), Samanta Floor (Toscomics), Vitor Cafaggi (Valente, Duo.tone), Vitor Gorino (Cidadão Invisível), Will (Sideralman, Demetrius Dante), Will Leite (Willtirando), Wanderson de Souza e Daniel Esteves (Nanquim Descartável).

A exposição tem entrada franca e fica aberta de segunda a sábado, até 24 de fevereiro de 2012.

Exposição Desbravadores

Quando? 28 de janeiro a 24 de fevereiro de 2012
A que horas? Aos sábados, das 9 às 13 horas
De segunda a quinta, das 9 às 21 horas
Às sextas, das 9 às 18 horas
Onde? No Espaço Cultural Pandora (Rua Joaquim Novaes, 146 – Cambui – Campinas)
Informações: (19)3234-4443

A nova moda em Portugal

Charge para o Jornalistas & Cia

Luiz Roberto de Souza Queiroz, o Bebeto, narra mais uma história, desta vez sobre a época em que trabalhou no Estadão:

“O maior mico que já passei foi na rua do Ouro, em Lisboa, quando descobri que cinco escargots subiam pelo meu paletó, carregando as conchas nas costas e deixando um rastro de gosma brilhante no tecido.

A história vem à mente por causa do Wanderley Midei, que contou na comunidade eXtadão do Facebook que quando foi a Itapecerica da Serra comprar um sítio para criar chinchilas acabou cobrindo a descoberta de uns garotos que pintavam um caminhão com as cores do Exército para o Lamarca [Carlos], que dias depois fugiu com vários fuzis do 4º RI de Quitaúna e se tornou guerrilheiro. A notícia valeu, mas a criação de chinchila não deu certo e nem daria, porque o bicho é complicado, toma banho de talco ou de pó de calcário, não lembro bem.

O relato me lembrou da criação de coelhos que Táta [Gago Coutinho] e eu mantivemos em Mairinque. Chegamos a oito mil coelhos, nos matávamos de trabalhar, era dureza vender os bichos para a Merenda Escolar, as professoras tinham que dizer que era frango ou os alunos não comiam de pena dos bichinhos, era preciso vender as patinhas em formol para o pessoal de Aparecida fazer chaveirinho e o mercado dos coelhos era praticamente um monopólio do Nagi Nahas, por meio da empresa Seleta, com as consequências esperadas.

A Adelia Lopes lembrou, também no eXtadão, que gastou um dinheirão em galinhas “em sociedade com um sujeito que disse entender do assunto; na primeira semana, mil ovos apodreceram; na segunda, gastei uma grana com ventiladores para os poleiros, pois o calor estava matando as galinhas em penca e ia comprar uma revista especializada, mas não deu tempo, porque o sócio sumiu”.

O mico em Lisboa, porém, não teve maiores consequências. Um repórter da Sala de Imprensa da Prefeitura de São Paulo me convenceu a criar escargots, que não existiam no Brasil, e fomos incentivados pelo chefe de reportagem do Estadão José Natal Sartoreto.

Indo a Vouzela, nas montanhas ao Leste do Porto, em Portugal, fiquei encantado com os caracóis nativos que se banqueteavam numa horta de alface e não hesitei: enfiei meia dúzia no bolso. Devia bastar, pensei, pois afinal o molusco é hermafrodita, se enraba a si mesmo, dizia o manual que comprei (não exatamente nesses termos).

O problema é que, em Lisboa, eles migraram do bolso do paletó para a lapela. Passei por americano louco, circulando na área mais chique com aqueles adendos pendurados, mas não desisti.

Os escargots chegaram a São Paulo, onde acabaram comidos por um bem-te-vi, dentro do cercadinho que bolei para eles e onde nunca se reproduziram. Acho que não tinham tesão por si próprios, certamente um problema de carência de autoestima, que Freud explica.”

Nem tudo é verdade

Charge para o Jornalistas & Cia

A história desta semana é uma colaboração de Wanderley Midei, confiram:

“Numa redação como eu as conheci, nem sempre a seriedade está de plantão. Muitas vezes surgem brincadeiras entre colegas ou até alguns trotes passados pelos veteranos para os focas. Quem, da minha época, não se lembra, ou não passou, ou não foi gozado, com a calandra? Era praxe. Foca na redação tinha que ir buscar a calandra. E, às vezes, o chefe da gráfica mandava o novato voltar para a redação e perguntar se era macho ou fêmea… Enquanto isso, a redação ria às escondidas…

Uma vez, eu era editor de Polícia do Estadão, fechamento bravo, todo mundo envolvido. O deadline era severo. De repente, ligo para o jornalista recém-importado de outro Estado, que coordenava as sucursais e correspondentes, e digo que recebi um telefonema dos bombeiros revelando que tinha chovido muito no Litoral Norte e que Ilhabela estava totalmente isolada do continente. “Só se chega de barco lá”, informei, como se fosse um informe passado pela “minha fonte” nos bombeiros.

Era mais de meia-noite. O jornalista-coordenador imediatamente ligou para a casa da nossa Regional no Litoral Norte, provavelmente acordou-a e passou a informação.

Ela não pensou duas vezes. Respondeu: “Mas é claro que só se chega de barco. Ilhabela é uma ilha no oceano…”.

Ninguém riu na redação. Mas todos os olhares estavam dirigidos para a mesa do jornalista-coordenador.

Ele havia recebido seu batismo, embora já fosse veterano na profissão. E agora também já sabia onde ficava Ilhabela.

Minha mãe foi solenemente lembrada pelo colega naquele final de fechamento. Aí sim, todo mundo riu.”

Nanquim, Som & Fúria # 14

Luke Jenner – The Rapture

The Rapture é uma banda que sofre do mal de já ter sido muito, muito genial. Logo em sua estréia, já lançaram com um dos melhores e mais influentes álbuns da década passada, o Echoes de 2003. Eles revitalizaram o pós-punk dançante do Gang of Four, mas sem as letras politizadas e utilizando loops hipnotizantes e recursos de música eletrônica que deixaram o som mais do que perfeito pra tocar nas pistas de dança mundo afora. Abriram, assim, caminho pra Franz Ferdinand, Arctic Monkeys, Gossip e outras bandas semelhantes e influenciou até artistas pop como Justin Timberlake. Seus discos seguintes sofrem o mal de serem ‘apenas’ muito bons e tiveram uma recepção controversa. Pieces of people we love de 2006, que foi produzido pelo renomado Danger Mouse, deixou a influência de disco music da banda em maior evidência e ainda contou um novo vocalista. Este novo rumo desagradou muitos fãs e o novo vocalista ainda gerou atritos com Jenner que chegou a se afastar da banda em 2008. Somente em 2011 eles retornaram à gravadora que os lançaram, a DFA Records, com sua formação original e lançaram o ‘apenas ótimo’ In the Grace of your love. Tem show deles amanhã no Cine Jóia e no CCBB de São Paulo, na faixa.

Nanquim, Som & Fúria # 13

Guizado

Guizado é um dos músicos mais incríveis no cenário musical brasileiro. Ele é trompetista muito requisitado, já tocou com Céu, Karina Buhr, Nação Zumbi entre outros. Seu som é uma mistura da melhor qualidade de rock, jazz e música eletrônica que não vejo igual em nenhum outro artista no mundo. Fiquem abaixo com as sensacionais “O Marisco” e “Skate Phaser” com participação de Céu, ambas de seu disco mais recente, Calavera, que pode ser baixado gratuitamente no site da Trama: http://albumvirtual.trama.uol.com.br/album/1128131237

O conselho de Vicente Leporace

Charge para o Jornalistas & Cia

O dono de um jornal de uma cidade do interior paulista ficou mais triste que político sem mandato depois de constatar uma queda brutal na circulação. O jornal ia de mal a mal mesmo, pior que o Ibope do Obama. Como naquela época ainda não havia o Sebrae, ele decidiu pedir conselhos a um jornalista tarimbado para tentar tirar o jornal do buraco. Escreveu uma carta a Vicente Leporace, apresentador do antológico programa O Trabuco na Rádio Bandeirantes, onde trabalhou nas décadas de 1960 e 70. Leporace, que também foi ator e atuou em dois filmes do Mazzaroppi – Sai da frente e Nadando em dinheiro –, era ouvidíssimo, principalmente em São Paulo.

Durante uma hora, Leporace, com sua voz tonitruante, comentava as notícias dos jornais ou, como dizia a vinheta do programa, “dava um tiro nos assuntos nacionais”, ora com grossa, ora com fina ironia. Um de seus alvos prediletos era o então ministro do Planeja Aumento, quer dizer, Planejamento, Roberto Campos, que os jornalistas não amestrados chamavam de Bob Fields. Eles protagonizaram um arranca-rabo no ar e, salvo engano, Leporace teve dificuldades ao tentar encostar o ministro na parede.

Mas do que é que eu falava mesmo? Devo confessar que na estreia, aqui, estou mais perdido do que a oposição no Brasil ou, se me permitem outro exemplo comparativo, estou mais perdido do que o time do Santos no jogo contra o Barcelona. Ah, sim, já me lembrei: o degas (essa é nova) aqui falava do dono do jornal que escreveu uma carta a Leporace narrando seu drama financeiro tintim por tintim ou tantã por tantã, como disse um locutor de FM. Como foi dito, ele resolveu se aconselhar com o apresentador de O Trabuco, que leu a carta no ar. “O que devo fazer para aumentar a circulação, seu Leporace?”, perguntou. Ao que Leporace, após dar uma pigarreada, aconselhou: “Faça um jornal redondo”.

E mais não disse nem lhe foi perguntado.

O foca e o incêndio

Charge para o Jornalistas & Cia

Inspirado pela colaboração de Plinio Vicente da Silva, a respeito do início de carreira de Zequinha Neto, Cláudio Amaral sentiu-se motivado a escrever sobre uma mancada em seu primeiro ano como repórter do Estadão, em São Paulo.

Corria o ano de 1972 e Cláudio havia chegado à Capital havia poucos meses, vindo de Marília e de Campinas. Em Marília e em Campinas cobria todos os assuntos: de esportes (futebol, basquete e tênis, principalmente) a prefeitura, de militares a câmara de vereadores. E não tinha carga horária definida. Entrava de cabeça às 8h e não havia previsão de hora para encerrar o dia.

Em São Paulo, não. Na capital cada repórter tinha a sua área: Esportes ou Local ou Economia ou Cultura. Mas a carga horária era igual: das 8h ao fim do expediente do jornal. Por conta disso, em sua pauta pessoal os chefes (Ludemberg Góes, Clóvis Rossi, Raul Martins Bastos e Ricardo Kotscho) escreviam três itens, pelo menos: pela manhã, Palmeiras (ou, eventualmente, São Paulo Futebol Clube); à tarde, Juventus (ou Nacional); no fim da tarde, Federação Paulista de Futebol.

Foi assim que Cláudio conheceu Osvaldo Brandão, Leão, Luiz Pereira, Dudu, Ademir da Guia, Cesar “Maluco”, Leivinha… no Palmeiras, cujo repórter titular era o meu amigo Alfacinha, hoje o famoso Reginaldo Leme. No SPFC, conheci e entrevistei Gerson (o “canhotinha de ouro”), o goleador Toninho “Guerreiro”, Edson, Gilberto “Sorriso”, Gino Orlando (na época, administrador do Estádio do Morumbi). Na Federação Paulista de Futebol, o presidente da minha época era nada menos que o “Marechal da Vitória”, Paulo Machado de Carvalho; e o superintende geral, o jornalista Álvaro Paes Leme de Abreu (São Paulo, 31/8/1912/ – 1/9/1984), fundador da Escola de Árbitros da entidade e pai do nosso hoje companheiro Álvaro José Paes Leme (TV Record).

Paes Leme, o pai, era um homem grande, corpulento. Tinha uma voz forte e sabia impor sua autoridade a todos nós. Até porque conhecia como poucos todas as nuances do Jornalismo, da reportagem à edição final. Havia sido, entre outros, um dos profissionais mais respeitados na redação da Última Hora dos anos 1960. Mais: fora comentarista da Jovem Pan e da TV Record.

Quase todos os finais de tardes, início das noites, Paes Leme ia visitar a sala de imprensa da FPF. Passava informações e comentava os fatos futebolísticos do dia. Com autoridade e conhecimentos privilegiados. Exatamente no dia 24 de fevereiro de 1972, ele apareceu para anunciar que não haveria jogo naquele dia no Estádio do Pacaembu. A partida fora cancelada, disse, com sua voz inigualável. Houve um grande incêndio na região central de São Paulo e o gramado do Pacaembu havia sido requisitado para pouso e decolagem de helicópteros que faziam o regaste das vitimas.

Ai Cláudio entrou em ação, em vez de ficar de boca fechada. Novato, inexperiente, disparou: “Só por isso não haverá jogo hoje no Pacaembu, mestre?”

Ele imediatamente lhe levou à lona, a nocaute, com um berro que deve ter sido ouvido ao longo de boa parte da avenida Brigadeiro Luiz Antônio, onde ficava a sede da FPF:

– Mas, porra, velho, você acha isso pouco?!”

Cláudio botou sua viola no saco e saiu com o rabo entre as pernas.

Cláudio saiu do prédio da Federação e foi se juntar às milhares de pessoas que caminhavam pelas calçadas e entre as centenas de veículos (carros e ônibus) que congestionavam as vias públicas.

Foi andando até o Estadão, na rua Major Quedinho, distante cerca de três quilômetros. Escreveu rapidinho suas reportagens e foi auxiliar os repórteres que cobriam o incêndio do Edifício Andraus, na esquina da avenida São João com a rua Pedro Américo.

O chefe da Reportagem Geral, A. P. Quartim de Moraes, o escalou para uma das piores missões que eu poderia enfrentar: acompanhar a chegada dos corpos das vitimas do Andraus e entrevistar os parentes no Instituto Médico Legal, junto do Hospital das Clínicas. Foi terrível. Não estava habituado a conviver tão de perto com a morte, quando mais com muitas mortes, corpos carbonizados e parentes desesperados. Foi uma de suas piores noites como jornalista.

Em tempo: no incêndio do Andraus morreram 16 pessoas e 330 ficaram feridas.

Balão em festa!

A Balão Editorial, casa da EntreQuadros, está completando dois anos de existência agora em janeiro e para comemorar está fazendo uma megapromoção em seu site. Durante este mês será possível comprar todos os títulos de seu catálogo com 30% de desconto e frete grátis! Imperdível, né?

Uma ótima chance de conseguir as edições da EntreQuadros e outros títulos bem bacanas de quadrinhos com um baita desconto pra começar bem 2012! Confiram: http://www.balaoeditorial.com.br/

E por falar em EntreQuadros, o pessoal do Melhores do Mundo soltou uma bela resenha sobre a edição mais recente:

Entrequadros – Círculo Completo é um conto gentil e delicado sobre o amor. Uma história que flerta com o edificante e o brega, mas se sustenta no equilíbrio de um roteirista e desenhista em seu momento de maior maturidade. Os R$25 da edição são bem justos para adquirir o lançamento.

Há tempos Mário já vem deixando claro os desejos que quer dar à sua carreira com Walk on the wild side e seu conto na ótima Pequenos Heróis. Neste álbum, o desenhista não diz mais o caminho que quer seguir, mas confirma que já anda pela sua própria estrada. Melhor para os leitores de quadrinhos.”

Segue o link pra resenha na íntregra: http://www.interney.net/blogs/melhoresdomundo/2011/12/21/entrequadros_circulo_completo/

Uma outra excelente notícia, agora sobre Pequenos Heróis, é que o álbum começou a ser vendido em formato digital na França pela 215Ink! O e-book dePequenos Heróis pode ser adquirido agora pelo site da FNAC francesa ou pelo AVE! Comics.

Ainda sobre Pequenos Heróis, a partir de março será publicado em inglês como minissérie mensal nas comicshops norte-americanas pela 215Ink. Em seguida teremos uma edição encadernada semelhante à edição nacional da Devir.

2012 já chegou chegando!