Nação de muares

Charge para o Jornalistas & Cia

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A história dessa semana vem em boa hora para pensarmos melhor em quem elegemos como nossos governantes.

A história, ironicamente, foi narrada por um governador de estado na abertura do Seminário Internacional de Liberdade de Expressão, organizado pelo Instituto Internacional de Ciências Sociais.

Tema denso e tenso, ao final da exposição, para descontrair o plenário, o governador contou um causo ocorrido lá pelos anos 1940 ou 1950 na sua terra natal, Pindamonhangaba, no interior de São Paulo.

Os vereadores da cidade, condoídos com a triste situação dos animais que puxavam as carroças, fizeram e aprovaram uma lei que concedia aposentadoria a todos após 30 anos de bons serviços prestados à comunidade. E para abrigar os animais que deixariam a faina diária, trataram logo de encontrar um belo terreno, com fartura de pasto e alimentação, para que passassem o resto de suas vidas tranquilos, como prêmio pela dedicação ao trabalho e ao povo pindamonhangabense.

Um dos jornais da cidade tinha um colunista muito famoso por “pegar no pé” dos políticos e autoridades locais e por fazer comentários sarcásticos das coisas bizarras e erradas que aconteciam na cidade ou região.

O nome da coluna já dizia tudo: É pena pra todo lado. E aprovar uma lei de aposentadoria para muares era o que se poderia chamar de “o ó do borogodó”. Prato cheio para a coluna. Dito e feito.

Tão logo esse colunista soube da lei aprovada pela Câmara dos Vereadores e sancionada pelo prefeito, publicou no espaço: “Os nobres edis de Pindamonhangaba aprovaram uma lei concedendo aposentadoria para os muares, pelos bons serviços prestados ao município. Mas quero aqui fazer uma denúncia. Essa lei é absolutamente INCONSTITUCIONAL. É até possível que os nobres edis não saibam, mas no Brasil é proibida a prática de legislar em causa própria”.

É um caso banal perto dos inúmeros absurdos que vemos por aí, afinal de contas, as pobres mulas mereciam seu descanso depois de tanto prestarem serviço à comunidade. Mas quem seriam parentes dos muares: os políticos, como sugeriu o jornalista, ou o povo que continua elegendo um número sem fim de pilantras até hoje?

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