O origem secreta do jargão do Boris

Antes de mais nada, tem tirinha nova no TopBlog. Confiram.

Charge para o Jornalistas & Cia

A história dessa semana revela a origem do famoso Jargão do Boris Casoy. Confiram.

Na década de 1970, a redação da Folha de S.Paulo tinha muitos jornalistas de reconhecida capacidade. O difícil para alguém de fora acreditar, porém, era que profissionais de uma certa estirpe como o redator Elias Raid, o editorialista Cícero Dias e o editor de Esportes Haroldo Chiorino, entre outros, fossem também grandes “aprontões”, sempre inventando como pregar peças e deixar os colegas em situações constrangedoras, para diversão dos demais na redação.

Todos eram assíduos freqüentadores do 308, um bar que ficava atrás da Folha, na rua Barão de Campinas. Os donos do estabelecimento fechavam as portas depois das 22h só para que os jornalistas ficassem ali tomando umas, conversando ou jogando crepe ou pôquer nos dados.

E foi exatamente ali que um dos mais antigos e renomados fotógrafos da época, Gil Passareli, já falecido, resolveu fazer a festa de um de seus aniversários. Para espanto de todos, ela contaria com a presença do proprietário do jornal, Octavio Frias de Oliveira, também já falecido.

– Esse negócio não vai dar certo, Gil –, foi o que ele ouviu da maioria dos colegas consultados. Mas, diante da insistência do experiente fotógrafo em manter o convite – aliás, já aceito –, acabaram concordando. Ficou combinado, porém, que, para evitar eventuais problemas, no dia do aniversário só o Gil falaria. E assim foi…

O bar estava lotado, e todo mundo tomando todas. Já se ouvia, entre as mesas, alguns “zuzo bem”. As portas já estavam semicerradas quando Frias chegou, acompanhado do então editor-chefe Boris Casoy. Silêncio geral quando Passareli começou a falar. De repente, lá do fundo do bar, um gaiato gritou, com voz pastosa:

– O que nós precisamos é de aumento de salário, seu Frias!

Passarelli, incrédulo, corou na hora. E para seu desespero viu Boris, bufando e com os olhos fuzilantes, pegar imediatamente o Frias pelo braço e levá-lo embora do bar. Não sem antes, ante o burburinho que se formou, ouvir a mesma voz bêbada lá no fundo acrescentar:

– Ué?! Eu tô errado?

A homenagem acabou ali mesmo, ante a constatação óbvia de que empregado não deve se misturar com patrão em mesa de bar. No qual, aliás, a bebedeira continuou, agora com um novo tema para as conversas.

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